No fiscal, o rabo abana o cachorro
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Na vida real, o normal é o cachorro abanar o rabo. No Brasil, na área fiscal, o rabo é que abana o cachorro. O Banco Central divulgou hoje o resultado primário consolidado das contas do setor público (receitas menos despesas, sem considerar os juros da dívida pública). O resultado foi um déficit de R$ 56,131 bilhões, após superávit de R$ 24,624 bilhões em abril. Daí se conclui de que pioraram as contas fiscais? É preciso conhecer os dados por dentro.
Muito do resultado de maio é explicado pelas contas do INSS, que tiveram o aumento sazonal dos gastos pelo pagamento antecipado do 13º salário dos aposentados, complementado em junho. O rombo mensal foi de R$ 60,655 bilhões (aumento de R$ 27,573 bilhões sobre abril). Outro fator de pressão são os pagamentos de precatórios atrasados de vários anos (e governos) nas diversas instâncias do setor público.
O que ficou constante e preocupante foi a conta de juros. As despesas pagas ao setor financeiro e aos rentistas (rolada na própria dívida que não para de crescer, com juros reais, descontada a inflação, próximo de 10%) somaram R$ 107,547 bilhões em maio (R$ mais de 50 bilhões acima do déficit primário e R$ 23,784 bilhões acima dos gastos de abril.
No acumulado de janeiro a maio os juros somam R$ 459 bilhões (um aumento de 29% sobre o mesmo período do ano passado). No mesmo intervalo, a principal causa do rombo fiscal primário, o déficit do INSS, incluindo os precatórios para aposentados, chegou a R$ 185,706 bilhões, com aumento 20,3% sobre os primeiros cinco meses de 2025.
Com o esforço fiscal para gerar saldo primário, depois do superávit de R$ 69,121 bilhões de janeiro a maio do ano passado, este ano ocorreu um rombo primário de R$ 24,883 bilhões. Num e noutro caso, absolutamente insuficientes para bancar os juros da dívida, cuja magnitude da capitalização dos juros não pode ser abatida com cortes de gastos. Nem zerando todas as contas seriam pagos os juros que somaram R$ 1,110 trilhão no acumulado de 12 meses.
É óbvio que não se pode deixar de contar gastos desnecessários, mas o ano eleitoral faz o Congresso morder mais verbas bilionárias do Orçamento Geral da União, para cada deputado federal ou senador fazer figuração em seus estados, visando a reeleição, ou aprovar pautas bombas para fazer demagogia com as burras do Tesouro Nacional. O inacreditável é que muitos ainda têm a cara de pau de fazer discursos pregando a austeridade fiscal.
Segundo o Banco Central, em maio, a dívida líquida consolidada do setor público atingiu R$ 8,897 trilhões (67,9% do PIB). Cada um ponto a mais na Selic, ao fim de 12 meses onera em R$ 65 bilhões o giro da dívida pública.
Antes da guerra do golfo Pérsico, a Selic estava em 15% ao ano e a previsão era de que fecharia o ano em 12,00%-12,25%. Com as pressões inflacionárias, o mercado prevê que a Selic feche o ano em 14%, com queda de apenas um ponto e não de 2,75 a 3,00 ponto percentual.
Ou seja, a guerra de Trump e Israel contra o Irã, além de gerar inflação para todos os brasileiros, vai gerar um custo extra de mais de R$ 130 bilhões ao Tesouro Nacional. O prejuízo só não foi maior porque os subsídios ao diesel, à gasolina e ao GLP evitaram uma escalada maior da inflação que impeliria a Selic para cima, em vez de permitir a queda de um ponto, esperada pelo mercado.
Os fatores do déficit (em R$ bilhões)
Item maio26 Jan-maio26 12 meses
INSS 60,655 185,706 348,574
Primário 56,131 24,883 149,025
Juros 107,547 459,001 1.110,903
Búzios bate novo recorde
Três dias depois de bater o recorde de produção de 1 milhão e 100 mil barris por dia, o campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, bateu novo recorde sexta-feira (26/6), com produção média diária 1 milhão e 200 mil barris por dia de óleo. O feito foi alcançado com a ampliação das atividades das plataformas P-78 e P-79, que estão em processo de desenvolvimento da produção para alcance da capacidade máxima (“ramp up”), de 180 mil bpd por dia cada uma.
O campo de Búzios, o maior em águas profundas do mundo, tem oito unidades produtoras em operação: as plataformas P-74, P-75, P-76, P-77, P-78, P-79 e os FPSOs Almirante Barroso e Almirante Tamandaré, a maior em capacidade nominal de produção do país com 225 mil barris/dia, estendida para até 270 mil barris por dia.
Os campos do pré-sal são gigantescos, mas nada se compara a Búzios: maior campo do país em reservas, Búzios, localizadas a mais de 2 mil metros de profundidade no leito marinho. A espessura de seu reservatório tem a altura do Pão de Açúcar – e sua extensão equivale a mais que o dobro da Baía de Guanabara.
No total, vão operar no campo 12 FPSOs. Ainda estão em construção os FPSOs P-80, P-82 e P-83; e, em licitação, a unidade Búzios 12.
O consórcio de Búzios é liderado pela Petrobras (operadora dod campo, com parceria das chinesas CNOOC e CNODC,e da PPSA, empresa estatal gestora dos contratos de partilha da produção.