Safra de boas notícias na economia
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O primeiro semestre chega ao fim e o assentamento da poeira da guerra no Golfo Pérsico permite vislumbrar cenário bem mais favorável na inflação e na economia, com o recuo dos preços do petróleo (o barril do Brent para entrega em setembro era negociado a US$ 72,64 - queda de 3,76% no dia e baixa de 9,29% desde o anúncio do armistício entre Estados Unidos e Irã, dia 20 de junho). A cotação voltou ao nível de 26 de fevereiro, véspera dos ataques a Teerã, em 28 de fevereiro, num recuo de 27,28% em 30 dias e de 32,96% em três meses.
A melhoria do cenário brasileiro, graças à posição ímpar da Petrobras como exportadora líquida de petróleo e combustíveis, comparada às crises do petróleo dos últimos 50 anos, que permitiu ao governo bancar subsídios temporários aos combustíveis e evitar a contaminação inflacionária e a escalada de juros que concentraria mais a renda para o sistema financeiro e os rentistas, onerando o Tesouro Nacional, já permite antever a queda da inflação.
O mercado financeiro ficou contrariado por não ter o Banco Central adotado o aumento preventivo dos juros (que elevaria os ganhos do segmento) e ainda reclamou da falta de clareza do comunicado do Comitê de Política Monetária do Banco Central, sobre a decisão de baixa de 0,25% da taxa Selic para 14,25% em 17 de junho. Mas as explicações, ontem, do presidente do BC, Gabriel Galípolo, diante das incertezas pré-armistício, foram bem compreendidas.
Consultoria vê IPCA de 0,33% em junho
O acerto do governo Lula no enfrentamento da crise se refletirá na inflação cheia de junho. Após a desaceleração do IPCA-15 de 0,62% em maio para 0,41% em junho, a consultoria 4intelligence está projetando “relevante moderação do ritmo de alta do IPCA de junho, de 0,58% para 0,33%. A desaceleração, estará ligada (...) ao grupo Alimentação e bebidas, sazonal, com descompressão já registrada em alguns preços agropecuários no atacado”.
Para a consultoria, a descompressão ocorreria em Alimentação no domicílio, por conta de itens “in natura” (sobretudo Tubérculos, raízes e legumes), bem como de Açúcares e derivados, Carnes, Carnes e peixes industrializados, Aves e ovos, leites e derivados, Panificados, Óleos e gorduras e Bebidas e no café.
No grupo Habitação, (...) espera a manutenção de bandeira amarela em energia (adotada em maio) diluirá seus efeitos altistas, e moderação em gás de botijão. O grupo Vestuário poderá cair, passado o pico sazonal de entrada de nova coleção. E o grupo Saúde e cuidados pessoais poderá desacelerar via produtos farmacêuticos, plano de saúde, serviços de saúde e higiene pessoal. O Itaú divulga hoje o cenário de junho, incorporando a nova realidade.
Desemprego estável em maio
Com índice de 5,6% na taxa de desocupação da PNAD Contínua do trimestre março-abril-maio, divulgada pelo IBGE, o Bradesco assinala que de desemprego dessazonalizada ficou em 5,5% em maio, estável frente a abril. Em maio a população ocupada ficou estável em 103 milhões de pessoas. O emprego em maio foi marcado por estabilidade nas categorias e na taxa de formalidade. Os empregados formais somam 64 milhões de pessoas, enquanto os informais, 38,6 milhões.
O destaque foi a queda mensal do rendimento real, em 0,6%. Reflexo da maior inflação, foi a primeira queda mensal desde setembro de 2024. A queda foi puxada pelos trabalhadores sem carteira assinada (-2,6%). Em 12 meses, houve desaceleração nos salários de 5% em abril para 3,9%.
Para o Bradesco, embora “o mercado de trabalho continue sendo motor de robustez da atividade econômica, o sinal de maio é de perda de ímpeto. O aumento de atividade no segundo trimestre será menor que no segundo. Mas, os estímulos através do mercado de crédito sustentam certo dinamismo da economia, em especial do consumo”.
Contas externas melhoram na guerra
Os efeitos na guerra melhoraram as contas externas brasileiras nos cinco primeiros meses, embora maio de 2026 revele quadro misto frente a maio de 2025. O déficit em transações correntes recuou de US$ 27,7 bilhões, em 2025, para US$ 25,1 bilhões, este ano, de janeiro a maio. Em maio, o déficit mensal teve leve redução de US$ 3,32 bilhões para US$ 3,19 bilhões. Em 12 meses, a relação entre déficit corrente e PIB, caiu de -3,5% em maio de 2025 para -2,6%, mostrando maior sustentabilidade externa.
A balança comercial de bens teve o melhor desempenho. No mês, o saldo subiu de US$ 6,44 bilhões em 2025 para US$ 6,95 bilhões; em cinco meses, de US$ 20,9 bilhões para US$ 28,7 bilhões (+ 37,2%). As exportações, turbinadas pelas vendas de petróleo, passaram de US$ 137,8 bilhões US$ 149,2 bilhões (alta de 6,4%, contra 5,9% nas importações.
Os gastos com juros e remessas de lucros caíram, enquanto o déficit de serviços aumentou. Mas a cobertura suficiente dos investimentos diretos no país fez reduzir o déficit em conta corrente e elevar em US$ 4,2 bilhões as reservas cambiais, que atingiram US$ 371,1 bilhões em maio.
Contas externas melhoram (Jan-maio/US$ bilhões)
Item 2025 2026
Transações correntes
-27,668 -25,093
Balança comercial
20,889 28,650
Balança serviços
-21,097 -22,299
Conta financeira
-27,136 -25,488
Invest. Direto no País
32,275 37,911
Master: BC liquida 14ª instituição
Com a liquidação, esta sexta-feira, da Sefer Investimentos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, com sede em São Paulo (SP), o espólio do Banco Master, liquidado pelo Banco Central, em 18 de novembro de 2025, atinge diretamente 14 instituições financeiras e de pagamento afetadas pela quebra do banco de Daniel Vorcaro. Com a crise do grupo Fictor, que chegou a ser apresentado pelo Master como seu comprador, em 17 de novembro de 2025, numa hipotética companhia do fundo Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos, somam quase duas dezenas as instituições arrastadas na quebra do Master.