Inflação cai antes do fim da guerra
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A prévia da inflação de junho, o IPCA-15 (+0,41%) divulgada hoje pelo IBGE, com queda acentuada frente aos 0,62% de maio, apontou forte desaceleração de preços mesmo em Alimentação e bebidas (0,74% contra 1,38%) e Habitação (0,72%, contra 1,03%), o que abriu espaço para novo corte de 0,25% na Selic, para 14,00% na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central em 5 de agosto.
É que, apesar da alta de preços da alimentação, numa antecipação especulativa de impactos do El Niño ter se concentrado em alguns alimentos (a batata inglesa subiu 29,42%, o tomate 17,27%, o feijão-carioca, 14,29% e a cebola (9,54%) – segundo o IBGE “o tomate, a cenoura e a batata-inglesa mais que dobraram de preço no 1º semestre, com altas, respectivamente, 103,84%, 103,10% e 100,20%”.
Somadas às altas de 2,04% em energia elétrica residencial (que pesou 0,08 ponto percentual no IPCA-15, as passagens aéreas, subiram 11,05% com impacto de 0,05 p.p. e os artigos de higiene pessoal (+1,03% e impacto de 0,04 p.p.), esses seis itens representaram 73% da alta do mês. Em alimentos, voltaram a cair o café moído (-3,69% -0,02 p.p.) e as frutas (-0,96% ou -0,01 p.p.).
As carnes também moderaram a alta em junho (+0,11%, acumulando 6,95% no ano). Vale dizer que a previsão de alta da carne em 2026 subiu de 7% para 10,2% no último Questionário Pré Copom. Na ocasião, o mercado elevara a previsão do IPCA de 2026 de 4,10% para 5,30%. A meta de inflação é de 3,00%+ tolerância de 1,50%=4,50%.
Revisão da Projeção da Focus 2026
Item Peso Março Junho Var. p.p.
IPCA 100 4,10 5,30 +1,20
IPCA (por agregação)
100 4,13 5,34 +1,21
Alimentação no domicílio
15 3,86 7,33 +0,53
Bens industriais
23 2,64 3,66 +0,23
Serviços 36 5,37 5,78 +0,15
Administrados
26 3,85 5,00 +0,30
Livres 74 4,22 5,47 +0,92
Livres (por agregação)
74 4,23 5,46 +0,91
Os dados do IPCA-15 de junho não estavam presentes na apresentação matinal do Relatório de Política Monetária pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor de Política Econômica, Paulo Pichetti. Ambos falaram dos impactos especulativos causados pelo alto grau de indexação no Brasil. As expectativas amplificam os efeitos.
Os diretores do Banco Central justificaram a cautela do BC em moderar o ajuste dos juros (levando em conta o impacto deflacionário das medidas de subsídios à gasolina, ao diesel e ao GLP (gás de bujão), que foi uma aposta (certa) na reversão das expectativas inflacionárias. Ver abaixo:
A inflação prevista até setembro
Item Jun. Jul. Ago. Set.
IPCA mensal
0,32 0,26 0,23 0,16
IPCA 12 meses
4,81 4,81 5,17 4,83
As novas metas do Banco Central
Nas revisões trimestrais, o RPM elevou a previsão do crescimento do PIB de 2026 de 1,6% em março para 2,0%, com maior crescimento na agropecuária e na indústria, sobretudo a extrativa mineral (petróleo, gás e minérios). Isso impacta ainda a indústria de transformação e a de construção (reflexo do ano eleitoral), mas sem elevação dos gastos do governo, e melhora nas contas externas.
Nas contas externas, o saldo da balança comercial aumentou de US$ 73 bilhões em março para US$ 78 bilhões. O déficit de serviços cresceu de US$ 54 para US$ 56 bilhões. Os gastos em rendas aumentaram de US$ 82 bilhões para US$ 83 bilhões e os Investimentos Diretos no País saltaram de US$ 70 bilhões para US$ 75 bilhões. Com isso, o déficit em Transações Correntes (balança comercial+ serviços + rendas) caiu de US$ 58 bilhões para US$ 56 bilhões. Ou seja, totalmente coberto pelo ingresso de IDP.
O que mudou entre os RMP para 2026
Item Março Junho
PIB 1,6% 2,0%
Agropecuária
1,0% 1,7%
Indústria 1,2% 2,3%
Extrativa mineral
4,0% 7,0%
Ind. Transformação
0,5% 1,5%
Construção
1,0% 1,5%
Serviços 1,7% 1,9%
Consumo famílias
1,4% 2,1%
Consumo governo
2,0% 2,0%
Formação Bruta K Fixo
0,5% 1,5%