Inflação maior: Focus sobe Selic em 26 e 27

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O Boletim Focus desta semana teve como destaque a 13ª elevação seguida da taxa de inflação de 2026 (de 5,09% para 5,11% e 5,17% na mediana dos últimos dias úteis). Em função da escalada da inflação (agravada nas últimas horas por ataques mútuos entre Israel e Irã que provocaram alta no Brent até junho de 2027), houve novo aumento das projeções da taxa Selic ao fim deste ano. A mediana de mercado para 2026 avançou de 13,25% para 13,50%.

Para 2027, por sua vez, as expectativas também apresentaram alta, passando de 11,25% para 11,50%, porque o IPCA foi elevado de 4,02% para 4,03%. Na mediana das respostas dos últimos cinco dias úteis, embora o mercado tenha reduzido a aposta do IPCA para 4,00%, houve elevação da taxa final da Selic para 11,75%. A consultoria 4 intelligence, que prevê IPCA de 5,37% este ano e de 4,31% para 2027, prevê que a Selic feche 2026 em 13,50% e que a taxa seja mantida até dezembro de 2027.

Inflação de maio e Copom
O IBGE deve divulgar a inflação de maio, com o IPCA cheio na sexta-feira, 12 de junho, nas vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) dia 17 de junho. A decisão deve ser divulgada três horas e meia após a primeira reunião do Federal Reserve Bank, o Banco Central dos Estados Unidos, sob o comando de Kevin Warsh, com apostas de alta nos juros nos EUA este ano.

A pesquisa Focus elevou de 0,47% para 0,48% a aposta no IPCA de maio (e prevê 0,51% na mediana dos últimos cinco dias úteis). Como a inflação acumulada em 12 meses estava em 4,39% em abril, e o IPCA subiu apenas 0,26% em maio de 2025, se o IPCA ficar em 0,48%, a taxa em 12 meses sobe a 4,62%; se der 0,51%, chega a 4,65%, acima do teto da meta do Copom (3,00%+1,50% de tolerância=4,50%.

O mercado está nervoso nos EUA e no Brasil. Os membros do Federal Open Market Commitee (FOMC) tendem a pausar, mais uma vez, os juros e anunciar restrições de liquidez para conter a inflação (além do petróleo, pode acelerar com o crescimento da demanda pela forte expansão do mercado de trabalho).

Por isso, aguarda-se a posição de Kevin Warsh, escolhido pelo presidente Trump para baixar os juros. No Brasil, o quadro se complica no ano eleitoral e agora com a ameaça de novo tarifaço sobre as exportações brasileiras para os EUA, a vigorar a partir de 16 de junho

Pausa da Selic explode juros
As projeções iniciais da inflação deste ano (feitas em 30 de dezembro de 2025, dois meses antes da guerra de Israel-EUA contra o Irã mudar radicalmente os rumos da economia mundial) eram de que o IPCA fecharia em 3,99% este ano, permitindo reduzir a Selic, que estava em 15,00% ao ano, para 12,25%. Para 2027, o IPCA era esperado em 3,80%, com a Selic caindo a 10,50% ao ano.

Cada ponto percentual a mais (ou a menos) implica gasto adicional ou economia de R$ 64 bilhões na dívida pública líquida do setor público ao fim de 12 meses. Os gastos anuais com juros (rolados na própria dívida) já custam mais de R$ 1 trilhão em 12 meses. No melhor dos cenários, com uma queda de três pontos na Selic (para 12% ao ano, como previa o Bradesco), o Tesouro poderia economizar R$ 192 bilhões. Entretando, se os juros (que estão em 14,50%) pararem em 13,50%, haverá ônus de R$ 91 bilhões.

Pior seria se o Itaú acertar a previsão de Selic a 13,75%: a economia se limitaria a R$ 80 bilhões, com gastos de R$ 112 bilhões acima das previsões otimistas.

Mas há um cenário ainda mais tenebroso: se o Fed indicar que subirá os juros (em vez de três cortes só fizer dois ou um), aposta-se no mercado brasileiro que a Selic pode estacionar em 14,25% ou 14%. A dívida pública e a concentração de renda explodiriam. Do ponto de vista fiscal, parte do estrago seria neutralizado pela benvinda taxação extra acima de R$ 50 mil de ganhos mensais.