Extrativa e agro sustentam o PIB de +1,1%

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Com crescimento de 3,6% nas atividades da indústria extrativa mineral (sobretudo petróleo, gás e minérios) e de 2,0% na agropecuária, que concentra no primeiro trimestre a colheita de soja, o Produto Interno Bruto cresceu 1,1% nos três primeiros meses de 2026 frente ao último trimestre de 2025, segundo o IBGE. Nos quatro últimos trimestres, o PIB desacelerou de 2,3% no final de 2025 para 2,0%. No primeiro trimestre de 2025 a taxa em 12 meses era de 3,6%.

Setor mais importante da economia (com 69,5% do total em 2025), segundo o IBGE, o de Serviços, teve um dos piores resultados desde a pandemia de 2020-21, com expansão de apenas 0,5% no trimestre e de 1,8% no acumulado de quatro trimestres. O comércio cresceu abaixo da variação do PIB (0,6%). O grande destaque foi a expansão de 6,6% em informática e comunicação (efeito da inteligência artificial). As atividades imobiliárias avançaram 1,2%.

Desenrola também ajuda bancos

Mas as atividades financeiras encolheram 0,6%, refletindo o impacto do aumento das provisões de bancos e “fintechs” para débitos com mais de 90 dias de atraso, que reduziram os lucros. As rolagens estavam proibidas desde janeiro de 2025 pela resolução 4.966 do Banco Central.

Entretanto, com os incentivos do programa Desenrola do governo federal, que reduz aa mais de 80% os encargos das dívidas vencidas até dois anos, além dos clientes, os ganhos podem ser consideráveis – a conferir os impactos nos próximos balanços, que podem recuperar baixas contábeis.

Indústria de transformação em queda

Pior ainda foi o desempenho da Indústria (+1,0% no trimestre e 1,3% no acumulado de quatro trimestres. Excluindo a Extrativa mineral, que cresceu 3,6% no trimestre e acumulou 11,5% em quatro trimestres, a Indústria de Transformação aumentou apenas 0,1% no trimestre e encolheu 0,9% no acumulado de quatro trimestres.

A construção deu respiro no primeiro trimestre do ano eleitoral, crescendo 2,9% sobre o último período de 2025, com a aceleração de obras públicas. No acumulado de 12 meses, o crescimento foi de apenas 0,1%. Os serviços de utilidade pública (energia elétrica, água e esgotos, gás e coleta de resíduos) também foram afetados pelo fraco desempenho da indústria de transformação e encolheram 0,3% no primeiro trimestre e em 1,2% em 12 meses.

Consumo de famílias e governo

O consumo das famílias recuperou no primeiro trimestre, crescendo 1,0% sobre o último período de 2025 (quando cresceu apenas 0,3%), com o impulso do novo salário-mínimo e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. cinco salários. Nos quatro últimos trimestres a taxa de crescimento foi de apenas 1,2%, menor que os 1,3% do final de 2025.

Em compensação, os gastos de governo aumentaram 0,4% no trimestre e acumulam 2,3% nos últimos quatro trimestres. A formação bruta de capital fixo teve expansão de 3,5% no primeiro trimestre, em função de ingresso de plataforma importada pela Petrobras, mas a taxa ficou em apenas 0,4% no acumulado de quatro trimestres.

Desempenho diverso foi no setor externo. No trimestre, as exportações encolheram 1,7%, enquanto as importações cresciam 4,4%. No acumulado de quatro trimestres as exportações sobem 7,6% e as importações, 1,7%.



A visão do Itaú

Para o banco, que esperava expansão de 1,2%, “a ligeira surpresa negativa no resultado do PIB divulgado hoje refletiu em especial o desempenho mais fraco que o esperado do setor agropecuário e da indústria de transformação”. O Itaú destaca “a mudança na abertura, com a aceleração interanual dos componentes mais sensíveis ao ciclo de política monetária (‘Outros serviços’, ‘Comércio’, ‘Construção’, entre outros) e resiliência dos setores menos cíclicos. Pelo lado da demanda, o número de hoje também mostrou resiliência da economia, com a aceleração do consumo das famílias e um resultado melhor do que o esperado para os investimentos”.

Primário tem saldo de R$ 24,6 bilhões em abril

Com aumento de 5,8% em termos reais na receita líquida, contra aumento de apenas 3,3%, em termos reais, nas despesas, pela redução nas transferências a estados e municípios, as contas consolidadas do setor público mudaram da água para o vinho em abril. Após déficit primário (receitas menos despesas, sem contar os juros da dívida) de R$ 80,676 bilhões em março, abril teve superávit primário de R$ 24,624 bilhões. As contas do INSS reduziram o déficit de R$ 49,146 bilhões em março para R$ 22,089 bilhões em abril (-R$ 16,027 bilhões).

As estatais (em todas as esferas de governo) aumentaram o déficit de R$ 469 milhões em março para R$ 1,781 bilhão no mês passado (+R$ 1,312 bilhão).

Gastos com juros crescem mais que o PIB
A melhora mais notável ocorreu nas despesas com juros. Com a ajuda de um ganho de R$ 25,9 bilhões em “swap cambial” em abril (contra perda de R$ 6,5 bilhões em março), as despesas com juros encolheram R$ 34,088 bilhões de março (R$ 118,862 bilhões) para R$ 84,763 bilhões em abril.

No acumulado do ano os gastos com juros cresceram 33,37% sobre igual período de 2025, alcançando R$ 351,457 bilhões, e atingiram R$ 1,095.501 bilhões em 12 meses (8,43% do PIB), aumento de 41% sobre os R$ 776,3 bilhões nos 12 meses acumulados até abril de 2025, quando representavam 6,43% do PIB, salto de 2 pontos percentuais.

 

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