Brent cai 11% com sinais de paz no Catar

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O preço do barril de petróleo tipo Brent para entrega em agosto (novo vencimento do mercado futuro) cai 4,5% esta segunda-feira, por volta do meio-dia (horário do Brasil) com a chegada de negociadores do Irã ao Catar, o que aumenta as chances de um acordo de paz com os Estados Unidos. Em uma semana, o Brent cedeu 11%. Isso animou as bolsas do Oriente (o índice Nikkei, de Tóquio, subiu 2,87%) e da Europa (o índice Dax, da Alemanha, valorizou 2%.

Nos Estados Unidos, os mercados operam um pouco mais cautelosos, com alta nos índices bursáteis em torno de 1%. É que, se as negociações com o Irã avançaram na liberação do tráfego de navios petroleiros, gaseiros e de carga geral – o que motivou a queda do petróleo para todos os vencimentos até junho de 2027 (o Brent de dezembro de 2026 está sendo negociado a US$ 94,74, queda de 5,4%), as negociações estão emperradas quanto ao programa nuclear e ao alívio das sanções financeiras ao Irã. Os dois lados têm incentivos para chegar a um acordo, mas estão irredutíveis. Trump afirma que não fará um mau negócio.

Focus já vê Selic em 13,50% em dezembro
O relatório Focus, com respostas às pesquisas colhidas até sexta-feira, 22 de maio, quando o Brent estava acima de US$ 100, subiu o IPCA deste ano de 4,92% para 5,04% (5,07% na mediana das 155 respostas dos últimos dias úteis) e embora mantenha a projeção da Selic em dezembro em 12,25%, a mediana das 97 respostas dos últimos cinco dias úteis elevou a aposta para 13,50%.

Pior, subiu também o IPCA de 2027, de 4,00% para 4,01% e 4,04% na mediana dos últimos cinco dias. Em consequência, embora mantida em 11,25%, a mediana dos últimos cinco dias ensaia aumento da Selic a 12,38%.

Alívio no IPCA de junho e julho

O lado bom é que se o mercado aumentou de 0,41% para 0,46% o IPCA esperado para maio (0,47% na mediana dos últimos cinco dias úteis) está prevendo baixa na inflação de junho (0,31%) e de julho 0,30%. O IBGE traz o resultado dia 12 de junho.

Gato escaldado após o Master?

O Banco Central divulgou hoje o Relatório de Estabilidade Financeira do 2º semestre de 2025, quando liquidou o conglomerado Master e outras instituições financeiras. O REF estende as avaliações das condições de mercado pós Master avaliando os impactos dos resgates bancados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até março de 2026.

Segundo o Banco Central, “Clientes ressarcidos pelo FGC direcionam recursos principalmente para instituições de maior porte após a liquidação do Grupo Master”. Entre 19 de janeiro e 27 de fevereiro de 2026, do montante total estimado de R$ 40,4 bilhões em valor de cobertura (referente às instituições Master, Master BI e Letsbank), R$ 37,7 bilhões foram efetivamente pagos, ou 93,3% do total, enquanto R$ 2,7 bilhões permaneciam pendentes.

Do valor pago, R$ 20,77 bilhões (55,1%) foram absorvidos por títulos emitidos por IFs, evidenciando que o investidor ficou escaldado. Só R$ 1,47 bilhão (3,9%) foi alocado em outros títulos privados e R$ 15,46 bilhões (41,0%) tiveram outras destinações. Na decomposição dos títulos emitidos por IFs, os grandes conglomerados absorveram 40,9% dos resgates e os médios, 24,2%. Mas o PagPay segue anunciando remuneração de 130% do CDI e o Mercado Pago, anunciava, durante o BBB, que pagava 140% do CDI, que era o topo pago pelo Master no começo de 2025.

A liquidez do FGC

“Com a decretação das liquidações extrajudiciais pelo BC a partir de novembro de 2025, a liquidez do FGC, considerando os montantes provisionados para a cobertura das garantias das instituições liquidadas, chegou a R$ 66,8 bilhões, equivalente a 1,2% dos depósitos elegíveis, em janeiro de 2026. Em março de 2026, foram aprovadas antecipações de contribuições ordinárias mensais das instituições associadas ao FGC, sendo 60 contribuições em março de 2026, 12 contribuições em março de 2027 e 12 contribuições em março de 2028.

O Banco Central estima que a liquidez do FGC alcance R$ 111,2 bilhões, correspondente a 2% dos depósitos elegíveis, em março de 2026, percentual que deverá permanecer estável nos próximos dois anos. E diz que a liquidez estimada para março de 2026 mantém o FGC em volumes semelhantes à posição em que o fundo se encontrava antes da liquidação do Master, em 18 de novembro de 2025.