Warsh assume Fed com pressão sobre juros
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Indicado em janeiro pelo presidente Donald Trump para presidir o Federal Reserve Bank, o banco central dos Estados Unidos, após intensa disputa com Jerome Powell, que, junto com seus pares do Federal Open Market Committee (FOMC), o órgão que discute a monetária no país, para baixar os juros, o economista Kevin Warsh assume hoje a presidência do Fed, na Casa Branca, com muita dificuldade para atender aos desejos presidenciais pela baixa dos juros.
Como todo empresário imobiliário, Donald Trump é um defensor de juros baixos. Mas ele mesmo criou, ao combinar com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, um ataque conjunto ao Irã, em fins de fevereiro, um cenário que ao acelerar a inflação do petróleo e da cadeia de derivados, dificulta a baixa dos juros. A guerra do Golfo Pérsico, que imaginava durar de três a quatro semanas, completa o terceiro mês na próxima semana com o barril do Brent para entrega em julho cotado a US$ 104, alta de 1,60%, que se estende por todos os vencimentos até 2029.
O “Wall Street Journal”, lembra que Warsh tomará posse como o principal banqueiro central do país na Casa Branca nesta sexta-feira, ser o primeiro presidente do Fed a prestar juramento lá desde Alan Greenspan´, em 1987. Será também sua primeira aparição pública com Trump desde que o presidente o escolheu em janeiro, após uma disputa pública com Jerome Powell que durou meses.
Trump escolheu Warsh para cortar as taxas de juros, mas os mercados estão se preparando para o oposto. A posse de Warsh ocorre em um momento de alta da inflação e sinais do mercado de títulos indicando um possível aumento das taxas de juros.
O presidente Trump escolheu Kevin Warsh para chefiar o Federal Reserve para garantir as taxas de juros mais baixas que ele vem exigindo há um ano. E o “Journal” assinala que “uma questão que se torna urgente é se Warsh teria respaldo político para fazer o contrário e aumentá-las”.
Nesta quarta-feira o Federal Reserve divulgou a ata da reunião de 29 de abril, a última sob a presidência de Powell, que manteve os jutos inalterados. Contrariando o presidente Trump, a Ata da reunião do Fed mostrou apoio majoritário entre os 12 membros do FOMC para aumentos de juros caso a inflação se mostre persistente.
Fatores inesperados
Segundo o “WSJ”, “a guerra do Oriente Médio e o “boom” da inteligência artificial remodelaram as perspectivas para as taxas de juros, às vésperas de uma transição de liderança no Banco Central.
Na ata divulgada esta semana, os dirigentes do Federal Reserve praticamente abandonaram a questão que dominou seus debates nos últimos dois anos — se deveriam cortar as taxas de juros — e começaram, em sua reunião do mês passado, a considerar mais seriamente o oposto: se deveriam aumentá-las.
“A maioria dos participantes destacou que algum aperto na política monetária provavelmente se tornaria apropriado se a inflação continuasse a se manter persistentemente acima de 2%”.
Dólar sobe nos mercados de câmbio
As apostas de que os juros não vão baixar fortaleceram o dólar praticamente contra as principais moedas nesta sexta-feira. O euro tinha queda de 0,12% às 12;50 (horário de Brasília) frente ao dólar, que subia 0,15% diante do iene, 0,30% ante o dólar canadense e 0,32% frente ao dólar australiano, mas caía 0,15% ante o franco suíço e 0,11% frente ao yuane chinês.
Em relação às moedas dos países emergentes, o dólar estava em alta de 0,16% contra o peso mexicano, subia 0,20% contra o peso argentino e apresentava alta de 0,46% contra o real, cotado a R$ 5,0216, às 13 horas.
Arrecadação melhora resultado fiscal
Ao analisar a arrecadação federal/SRF: R$ 278,8 bilhões em abril (aumento real, descontada a inflação, de 7,8% sobre abril de 2025), a consultoria 4intelligence, que previa R$ 272,9 bilhões (e o mercado R$ 275,0 bilhões), apontou os bons resultados em COFINS e IRRF, como responsáveis pela receita acima do esperado.
Após estes números, o resultado primário do governo central de abril (receita menos despesas sem considerar os juros da dívida), a consultoria espera superávit de R$ 21,2 bilhões. Em março, o governo central teve déficit de R$ 74,8 bilhões.