Inflação sobe mais nos EUA que aqui
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A inflação no Brasil desacelerou em abril, com alta de 0,67% no IPCA, abaixo dos 0,88% de março. O item Transportes, com a queda de 14,45% em passagem aérea, subiu apenas 0,06%, apesar da alta de 1,86% na gasolina, menor que os 4,59% de março. Em 12 meses o IPCA aumentou de 4,14%, em março, para 4,39%. O detalhe foi a baixa de 2,3% no café moído em abril, acumulando baixa de 5,83% no ano.
Um dos fatores que contribuíram para a contenção da inflação foi o comportamento da gasolina em Salvador (0,70%) (área da Acelen que se estende até Aracaju +4,46%). Já o diesel, que subiu 4,46% na média nacional, aumentou 6,73% em Salvador e 8,64% em Aracaju. Em março a gasolina subiu 13,90% em Salvador e o diesel 23%.
Os estranhos preços de Brasília
Na pesquisa do IBGE em 16 capitais, chama a atenção o baixo índice de inflação em Brasília. A sede do governo e terceira cidade do país em população teve IPCA de apenas 0,16% em abril e itens importantes do custo de vida também foram mais baixos na capital federal. A gasolina caiu 1,03% em Brasília e o etanol baixou 3,05% (na vizinha Goiânia, a gasolina subiu 5,77% e o etanol 7,11%), enquanto a Alimentação e Bebidas ficava mais barato por lá, (1,21%), com destaque para as carnes (-0,04%), com queda de 1,94% da picanha.
Dá para desconfiar que Joesley Batista, do grupo JBS Friboi, além de intermediar a conversa de Lula do Trump, abasteceu Brasília com carne mais em conta para agradar o centro do poder. Enquanto as carnes subiam 1,59% na média nacional em abril, e +1,02% no RJ e +1,40% em São Paulo, caíram 0,04% em Brasília (+1,69% na vizinha Goiânia). É estranho que a alcatra tenha caído 1,38% em Brasília e -0,89% no Rio de Janeiro, contra alta nacional de 1,17%, de 0,87% em São Paulo e aumento de 1,42% na vizinha Goiânia.
Na ditadura militar, quando a FGV levantava os preços apenas no Rio de Janeiro, o ministro da Fazenda mandava caminhões de alimentos abastecer o mercado carioca de atacado para tentar segurar a inflação em 12%. (em 1973, a inflação oficial foi de 13,4% e a real, de 27%)
Alimentos e Saúde (remédios) pesam mais
O item Alimentos e Bebidas também desacelerou, de 1,56% para 1,34%, mas pesou com 0,29 ponto percentual no IPCA e, junto com Saúde e Cuidados Pessoais, que subiu 1,16%, puxada pela alta de 1,77% nos remédios, e que pesou 0,16 p.p. no índice, ao somarem 0,45%, representaram 67% do IPCA de 0,67%.
Nos EUA a inflação dispara
Foi o contrário dos Estados Unidos. Nesta manhã foi divulgado o índice de Preços ao Consumidor, que subiu 3,8% nos 12 meses terminados em abril, superando a expectativa de 3,7% do mercado, e disparando frente aos 3,3% de abril, impulsionada pelos preços da gasolina.
Com o recrudescimento da inflação, e o impasse nas negociações com o Irã, que levaram a nova alta do Brent para entrega em julho a US$ 108, alta de 3,70%, o presidente Trump apoiou o corte dos impostos sobre o combustível, para tentar conter a perda de popularidade de seu governo.
Mas a leitura do mercado é de que será mais difícil o Federal Reserve aprovar, baixa de juros a partir da troca de Jerome Powell por Kevin Warsh, a partir de 15 de maio. Por isso, as ações despencaram e o dólar se valorizou em todo o mundo. O real, contudo, teve melhor desempenho entre seus pares, com o dólar cotado a R$ 4,90, alta de 0,26% ao meio-dia e queda de 1,45% em uma semana. No mesmo período caiu 0,53% frente à moeda chinesa, o yuane.
É duro viver num país assim:
Não é só no Brasil que os consumidores estão endividados. Vejam uma das manchetes do “Wall Street Journal” de hoje:
“Consumidores recorrem a um sistema de crédito complexo e ineficiente para lidar com o aumento dos custos. Com o aumento dos preços da gasolina, dos alimentos e de outros produtos básicos, cada vez mais famílias estão recorrendo a empréstimos para conseguir sobreviver”.
Lá como aqui os créditos alternativos das “fintechs” têm atraído os consumidores, que entram numa espiral de endividamento, mas os juros, pelo menos, são bem mais suaves do que aqui.
Petrobras cai 1,28% após balanço
No dia seguinte ao balanço do primeiro trimestre, que só captou um mês de impacto da escalada de preços do petróleo e derivados afetados pela guerra do Golfo Pérsico, as ações PN da Petrobras tinham baixa de 1,38%, cotadas a R$ 45,79, às 12.25 (horário de Brasília).
Mas que cara de pau, hein?
Mesmo depois de ser apanhado com a boca na botija nas tramoias que fazia em favor do Banco Master, de Daniel Vorcaro, o senador piauiense Ciro Nogueira, presidente do PP, disse hoje que pretende reapresentar a sua “emenda Master” que propunha (em 2024) elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) às aplicações financeiras (CDBs, letras de câmbio, letras imobiliárias e letras de crédito do agronegócio).
Com o aval do FGC, Daniel Vorcaro captou à vontade no mercado pagando nos CDBs 140% do CDI (o Mercado Pago e outros estão fazendo o mesmo agora, atenção) e espetou um rombo de mais de R$ 50 bilhões no FGC.
Como diria Leonel Brizola, “Mas que cara de pau, hein.