Trump e contas externas derrubam dólar

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No dia seguinte ao encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump na Casa Branca, ao fim do qual o americano disse que o colega brasileiro é “bom e dinâmico”, o dólar despencou 0,61% ante o real. A cotação de R$ 4,8907 às 16h15 (horário de Brasília) era a mais baixa desde novembro de 2023. O Brent para entrega em junho subia 1,06%, cotado a US$ 101,11, em meio ao impasse sobre a reabertura do tráfego pelo Estreito de Ormuz.

A semana fecha com queda geral do dólar, enfraquecido ante as principais moedas. No caso do real, os bons resultados da balança comercial de abril (superávit de US$ 10,5 bilhões e acumulado de US$ 24,7 bilhões nos primeiros quatro meses) implicaram valorização de 0,61% no dia, de 1,34% na semana, e 3,44% no mês, levaram a consultoria 4intelligence a rever para cima as contas externas.

Com as boas vendas de petróleo e combustíveis e soja, a consultoria elevou para US$ 76,2 bilhões a previsão do saldo comercial de 2026 (o Relatório de Política Monetária, em fim de março, previa US$ 73 bilhões). O RPM previa déficit de US$ 58 bilhões em transações correntes, coberto pelo ingresso de US$ 70 bilhões em Investimentos Estrangeiros Diretos no País. A consultoria mantém a previsão do BC para o IDP e reduziu o déficit em transações correntes para US$ 54,2 bilhões, o que eleva as reservas e valoriza o real.

Mudanças na inflação e na Selic
Os grandes bancos estão fazendo revisões de cenários em função da alta da inflação, que determina mais cautela do Banco Central na redução da Selic. E os bons ventos da exportação de “commodities” pode elevar o PIB.

O Bradesco, de onde saiu o diretor-Tesoureiro, hoje diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton Davi, apostava 3,8% para o IPCA do ano antes de guerra do Golfo; elevou para 4,3%, e esta semana aumentou para 4,7% as projeções da inflação. Com isso, a Selic, que esperava fechar dezembro em 12%, foi reajustada para 12,50% quando começou a guerra, e agora para 12,75%.

O empuxo no comércio exterior fez o banco elevar o PIB de 1,5% para 1,6% em 2026, e manter 2,0% em 2027. E a melhora das contas externas fez o Bradesco reduzir a previsão do câmbio, em dezembro, de R$ 5,35 para R$ 5,00.

O Itaú está esperando 1,9% para o PIB, IPCA de 5,2% (acima do teto da meta: 3,00%+1,50%=4,50%), Selic de 13,25% e câmbio de R$ 5,15. O Santander espera Selic de 12,50%, com viés de alta.