EUA abandonam guerra; Brent e dólar caem
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No 66º dia de uma campanha que deveria durar de “três a quatro semanas”, o governo Trump deu por encerrada a guerra contra o Irã sem rendição de Teerã sobre o programa nuclear nem sobre o controle da navegação no Estreito de Ormuz. Apesar da incerteza, o resultado do fracasso americano foi uma forte queda de mais de 7% nos preços do petróleo, com o Brent para entrega em julho negociado a US$ 101,80 às 11:30 (horário de Brasília) e uma alta expressiva dos principais mercados de ações no mundo.
Mas o desastre militar e diplomático dos Estados Unidos na campanha do Golfo Pérsico, na qual se aliou a Israel para destruir o Irã (causou baixas no regime dos aiatolás, sem alterar o eixo de poder do país, que mantém o controle do tráfego no Estreito, por onde escoa por navios a produção de óleo, gás e fertilizantes, além de mercadorias em geral do Irã, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e parte da Arábia Saudita), gerou forte desvalorização do dólar.
Houve uma debandada de aplicações em dólar dos produtores de petróleo e dos países integrantes do BRICS (como Índia, Brasil, África do Sul, Arábia Saudita, Irã e Brasil), com valorização do iene, do dólar australiano, do euro, e do yuane, a moeda da China, além do real.
Três faces de um mesmo assunto
A imprensa americana evitou abordar a perda da autoridade moral e militar dos Estados Unidos após o fracasso em mais uma investida militar, transferindo o ônus ao governo Trump.
E o “Wall Street Journal”, ao destacar o secretário de Estado, Marco Rubio, na capa, assumindo as funções de porta-voz da Casa Branca durante a licença maternidade da titular Karoline Leavitt, insinuou que Rubio entrou na corrida presidencial como virtual candidato republicano à sucessão de Trump, em 2027. Isso reforça seu papel no encontro de amanhã do presidente Lula com Trump na Casa Branca.
Crítico, o “New York Times” assinala: “A Casa Branca insiste que a guerra com o Irã acabou, mesmo com mísseis ainda sendo lançados. A Casa Branca está recorrendo a saltos retóricos enquanto o presidente Trump tenta contornar a maior crise política de sua presidência; Teerã parece lançar dúvidas sobre um acordo enquanto Trump faz novas ameaças.
Objetivo, o “Wall Street Journal” trata dos preços do petróleo e aborda os riscos de uma recessão global: “Preços do petróleo reduzem perdas após alerta de Trump sobre o Irã; O presidente Trump afirmou que os EUA encerrariam sua campanha contra o Irã se o país aceitasse os termos em discussão, mas alertou que os EUA retomariam os bombardeios caso contrário; Estados do Golfo temem que um Irã fortalecido esteja se aproveitando da hesitação dos EUA; A crise com o Irã causará uma recessão global?
O britânico “Financial Times” insinua a anomia americana quando cita que a China está se entendendo com o Irã para liberar o Estreito de Ormuz, o que garantiria seu suprimento de energia: “O Irã afirma estar analisando a proposta de paz apoiada pelos EUA. Trump diz que a campanha militar dos EUA terminará se o Irã "concordar em ceder o que foi acordado"; Trump suspende plano dos EUA de guiar navios pelo Estreito de Ormuz; China pede cessar-fogo na guerra com o Irã em reunião com seu principal enviado”.