Impasse em Ormuz eleva Brent a US$ 115
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No 65º dia de uma guerra que o presidente Donald Trump disse, em 28 de fevereiro, quando atacou o Irã, que duraria mais de três a quatro semanas, o preço do petróleo Brent para entrega em julho deu novo salto e superou os US$ 115, numa alta de mais de 5,7%, depois que o Irã anunciou um ataque a barco da Marinha dos Estados Unidos. O pronto desmentido americano sobre o ataque, provocou ligeiro refluxo nas cotações, mas o impasse sobre o controle do Estreito de Ormuz manteve o Brent na faixa de US$ 114.
Paralelamente, os Emirados Árabes Unidos, que deixaram a OPEP na semana passada, conseguiram interceptar mísseis iranianos lançados sobre o país. O fato indica que o fornecimento de equipamentos de defesa antiaérea pelos EUA a seus aliados no Oriente Médio amplia o total de envolvidos diretos nos embates, antes restritos a Israel-EUA X Irã. Ou seja, a mais ameaça ao suprimento global de petróleo e gás.
O noticiário internacional, que voltou a aumentar as incertezas da economia, provocou imediata reação negativa nos mercados acionários e fortalecimento do dólar ante as principais moedas, como o euro, a libra, o iene e o franco suíço. Em relação ao real, o dólar, que tinha aberto a segunda-feira cotado a R$ 4,9563, as cotações subiram até R$ 4,9733, mas os preços cederam ligeiramente após o desmentido, com a moeda americana cotada a R$ 4,9681, com alta de 0,21% às 13:25 (horário de Brasília).
Focus prevê IPCA de 0,70% em abril
As surpresas do conflito do Oriente Médio fazem as previsões econômicas perderem o valor rapidamente. Mas, com o término das respostas dos agentes financeiros (160 respostas) no dia 30 de abril (5ª feira), pelo menos a inflação prevista para o mês passado, que o IBGE divulgará dia 11, na próxima segunda-feira, merece crédito.
O mercado manteve a previsão da semana anterior de 0,70% para o IPCA de abril (0,71% na mediana dos últimos cinco dias úteis). Já as projeções para maio (0,39% e 0,40% na mediana de cinco dias) e junho (0,30% e 0,31%, respectivamente) estão sujeitas a serem revistos pelas próprias mudanças do cenário geopolítico do Golfo Pérsico.
Em função do cenário até dia 30 de abril, o mercado subiu ligeiramente a previsão do IPCA de 2026, de 4,86% para 4,89% (4,91% na mediana dos últimos cinco dias úteis), levando a Selic para 13,00% no final do ano. Para junho, o mercado espera nova queda de 0,25% da Selic para 14,25%.
Juro alto contém PIB e câmbio
O ritmo mais lento de queda da Selic (11% em 2027 e 10% para 2028 e dezembro de 2029, novidade na Focus da semana) provocaram estabilidade na previsão do PIB deste ano em 1,85% e redução na mediana do crescimento em 2027 (de 1,80% para 1,75% e 1,70% na mediana dos últimos cinco dias úteis).
Na mesma dinâmica, a manutenção da Selic em patamares mais altos, mantendo forte diferencial para o piso dos juros do Federal Reserve Bank dos EUA (14,50% para 3,75%= 10,75%, está levando o mercado a prever valorização do real, que fecharia 2026 a R$ 5,25 (R$ 5,24 na mediana dos últimos cinco dias úteis) e R$ 5,35 em 2027.