Bahia (Acelen) distorce IPCA-15 de 0,89%
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Mais uma vez, os preços dos combustíveis da Acelen, a antiga refinaria Landulpho Alves, que produzia 330 mil barris diários de combustíveis e foi privatizada no governo Bolsonaro para o fundo soberano Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos. Lá o PPI (paridade de preços internacionais) continua valendo e distorceu o IPCA-15, a prévia do IPCA, que subiu 0,89 em abril (0,44% em março).
Sob influência dos fretes – o diesel subiu 16% e a gasolina 6,23% (o item de maior peso no IPCA contribuiu com 0,32 ponto percentual na prévia da inflação do mês) - a Alimentação e Bebidas aumentou de 0,88% em março para 1,46%. Os transportes subiram um pouco menos (1,34% após 0,21% em março, devido à baixa de 14,32% das passagens aéreas em abril). Outro item a subir muito foi Saúde e cuidados pessoais (0,93%) por influência de produtos de higiene pessoal (+1,32%) e medicamentos (+1,16% após o reajuste de 3,81% a partir de 1º de abril.
Bahia segue o PPI
A Petrobras abandonou o PPI em maio de 2023, passando a usar mais de 70% do petróleo mais leve do pré-sal em suas refinarias, que aumentaram a carga operacional de 70% para mais de 91% da capacidade instalada. Como extrai petróleo do pré-sal a menos de US$ 22 por barril e o real tem se valorizado ante o dólar (hoje está cotado a R$ 5,0042, com alta de 0,43%).
Mas a Bahia, onde a Acelen meio que segue os ditames do PPI, teve a segunda maior taxa mensal do IPCA-15. Contra a média nacional de 0,89%, a maior inflação foi em Belém (1,46%), devido às altas de 12,79% do açaí e de 9,33% da gasolina. Na média nacional os preços dos combustíveis subiram 6,06%, com alta de 6,23% na gasolina e de 16% no diesel – o etanol subiu 2,17% e o GNV recuou 1,55%. Na Bahia, contudo, os preços dos combustíveis subiram 13,66%. Bem mais que no RJ, São Paulo e Brasília.
Dissecando o IPCA-15
A revelação do IPCA-15 no primeiro dos dois dias de reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central deverá ser objeto de grandes discussões sobre a tendência da inflação e sua influência na trajetória da Selic. O Bradesco considera que a surpresa da queda de 14,32% nas passagens aéreas gerou a surpresa nos preços dos serviços.
Mas observa que a inflação acumulada em 12 meses acelerou de 3,9% para 4,2%. Os itens administrados subiram 1,79%, puxados pela gasolina (+6,23%). O preço do petróleo ainda em patamar elevado limita a perspectiva de alívio significativo no curto prazo.
Os bens industriais surpreenderam para cima (+0,65%, ante expectativa de 0,42%), com pressão em vestuário e higiene pessoal. As maiores surpresas foram em itens mais voláteis, mas a pressão de alta ocasionada pela guerra na cadeia de produção limita a perspectiva de surpresa baixista desse grupo no curto prazo. A alta dos bens industriais acaba contaminando o núcleo. A métrica de médias aparadas por suavização aumentou 0,47% (0,48% em março), deixando a taxa em 12 meses estável em 4,3%.
Os preços de serviços ficaram praticamente parados no mês, auxiliados pela surpresa baixista em passagens aéreas. Em 12 meses, os serviços recuaram de 6,0% para 5,8%. Mas, excluindo passagens aéreas, os serviços aceleraram na variação trimestral anualizada, de 4,9% para 5,4%. O banco espera que esta categoria siga acima de 5% ao longo de ano.
Na avaliação do Bradesco, as passagens aéreas devolveram parte da alta verificada nos meses de fevereiro e março, o que fez com que a inflação mensal ficasse abaixo do esperado. A perspectiva da inflação do curto prazo é continuar pressionada em razão do conflito geopolítico. No acumulado em 12 meses, a inflação deve ficar rodando próximo do intervalo superior da meta.