Focus vê menos riscos que Dimon, do JP Morgan
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A pesquisa Focus colhida pelo Banco Central até quinta-feira, com 154 instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa e divulgada hoje, reviu, pela quarta semana, para cima, a previsão da inflação de 2026, de 4,31% para 4,36% e a mediana das respostas dos últimos cinco dias úteis elevou o IPCA a 4,50%, no teto da meta (3,00%+1,50% de tolerância).
Entretanto, apesar dos riscos causados pela guerra no Golfo Pérsico, que entrou na sexta-semana, o mercado manteve a previsão da Selic em 12,50% este ano, só elevando a de 2027, de 10,50% para 10,75%, junto com o IPCA, que foi de 3,80% para 3,85% (e 3,96% últimos 5 dias).
Já o diretor executivo do JP Morgan, o maior banco dos Estados Unidos, Jamie Dimon, em carta anual aos acionistas, alertou que investidores e empresas devem se preparar para enfrentar os riscos da guerra com alta prolongada do petróleo na aceleração da inflação, que tende a elevar os juros e dificultar o crédito privado. O barril de petróleo do tipo Brent para entrega em junho teve leve baixa hoje, cotado a US$ 108,44 -0,54%, às 11:33 (horário de Brasília). O contrato de dezembro era cotado a US$ 79,40.
Dimon alertou que as perdas do crédito privado serão maiores do que as previstas inicialmente. O efeito disso será uma forte queda nas operações de aquisições por empresas de capital privado, agravado pelos temores com a reversão das apostas na inteligência artificial e com a guerra, que afetam os negócios.
IPCA sobe no curto prazo
A pesquisa Focus mostro forte aumento nas expectativas do IPCA a curto prazo. A inflação esperada para março, que o IBGE divulga na sexta-feira, 10 de abril, subiu de 0,46% na semana anterior para 0,55% e a mediana das respostas dos últimos cinco dias úteis chegou a 0,70% (mesma previsão do Banco Daycoval). Para abril, as apostas subiram de 0,46% para 0,48% e 0,53% (últimos 5 dias úteis). Entretanto, para maio, as previsões são de maior estabilidade: aa taxa ficou estável em 0,31% e a mediana dos últimos cinco dias úteis chegou a 0,33%.
Ao analisar a Pesquisa Focus, a consultoria 4intelligence também deu como destaque “a permanência da Selic em 12,50%, após ter sido elevada nas semanas anteriores. Esta é a segunda semana consecutiva de estabilidade nas projeções”, diz. As expectativas para 2027, por outro lado, permanecem inalteradas há 60 semanas em 10,5% (salvo nas respostas dos últimos cinco dias úteis, de 10,75%).
“As projeções para a taxa de câmbio real por dólar ao fim de 2026 permaneceram estáveis em 5,40, marcando a terceira semana consecutiva sem alterações. Já as estimativas para o fim de 2027 também permaneceram inalteradas em 5,45”
No mercado de câmbio o dólar operava em forte baixa frente às principais moedas. O real se beneficiou disso e o dólar era negociado às 11:40 a R$ 5,1430, com baixa de 0,27%. Em uma semana, o dólar caiu 2,11% diante do real.
Por fim, as expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto permaneceram estáveis para 2026 em 1,85%. Já as projeções para 2027 também não sofreram alterações e seguem em 1,80%.