A caixa de Pandora do Master

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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro nem abriu a boca para iniciar suas confissões nas delações premiadas à Polícia Federal, com assistência da Procuradoria Geral da República, e mais um elo do castelo de cartas do liquidado Banco Master veio ao chão, com a "Operação Fallax" da Polícia Federal. Realizada na manhã de hoje, em cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, cumpre 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva.

A operação envolve tentativa de fraudes de até R$ 500 milhões na cessão de créditos contra a Caixa Econômica Federal. Entre os alvos dos mandados de prisão estaria o CEO do grupo Fictor, Rafael Góis. Como se sabe, em “release” distribuído pelo Banco Master na tarde de 17 de novembro, o grupo Fictor teria feito uma proposta de compra do Master por R$ 3 bilhões, em parceria com o fundo soberano Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos.

Daniel Vorcaro foi detido na noite do mesmo dia pela Polícia Federal, no Aeroporto de Guarulhos quando embarcaria no seu jato com destino inicial do paraíso fiscal de Malta, ilha do Mediterrâneo e escala final em Dubai, para negociações com o fundo dos EAU. No dia seguinte, o Master foi liquidado pelo Banco Central. Em menos de uma semana o braço financeiro do Fictor sofreu intervenção do BC e todo o grupo entrou em Recuperação Judicial.

Por isso, ironizando com a cortina de fumaça do “release”, a PF batizou a Operação Fallax (uma corruptela de “falácia”. Se o mundo financeiro está sendo duramente abalado pelas consequências do cerco aos liames do Master no Sistema Financeiro Nacional e no Sistema de Pagamentos Brasileiro, imagina como estão os políticos, do governo e da oposição, além de integrantes do Poder Judiciário e autoridades do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários, que estavam com registros de conversas nos celulares de Vorcaro vasculhados pela PF.

A temperatura da Guerra
As cotações do barril do petróleo tipo Brent nos contratos futuros funcionam como termômetro para a guerra entre Israel-Estados Unidos contra o Irã, que se espalhou para os grandes produtores de petróleo e gás do Oriente Médio, atingidos por mísseis ou impedidos de escoar sua produção pelo controle do Estreito de Ormuz, à navegação, pelo exército do Irã. Depois de iniciar o dia na Ásia cotado a mais de US$, o contrato para entrega em junho recua 3,60% para US$ 96,50, às 13:50 (horário de Brasília).

O mercado opera aos sabores das erráticas falas do presidente Donald Trump, que prometeu a cessação das hostilidades com o Irã em cinco dias. Ele confia nas articulações do primeiro-genro, Jared Kushner, com autoridades do Paquistão, Turquia e Egito para fazer o Irã aceitar um cessar-fogo com 15 exigências a serem cumpridas pelos iranianos. O prazo esgota hoje.

Pelas manchetes dos sites do “Wall Street Journal” e do britânico “Financial Times”, a realidade é bem diversa.

Segundo o 'WSJ'

O Irã adota uma postura intransigente enquanto mediadores pressionam por negociações com os EUA.

Autoridades da Turquia, Egito e Paquistão estão pressionando por negociações entre representantes dos EUA e do Irã, mas ambos os lados estão muito distantes de um acordo; Apesar das exigências incompatíveis, um acordo entre EUA e Irã é possível. ; A crise no fornecimento de petróleo está se espalhando do Golfo para o resto do mundo.

A visão do “FT” também é cética:

“Líderes militares do Irã rejeita alegações de Trump sobre o acordo”

“O comando militar afirma que não chegará a um acordo com os EUA após Washington apresentar um plano de 15 pontos para pôr fim à guerra”.

Com o impasse, o “FT” diz que “O preço do petróleo está volátil, já que o Irã estabelece seus próprios termos para encerrar o conflito.”

A leitura financeira da guerra
Com as incertezas inflacionárias dos impactos da guerra, o mercado financeiro de todo o mundo aguarda os movimentos dos bancos centrais. No Reino Unido não se espera mais baixa de juros este ano; nos Estados Unidos, o primeiro movimento baixista do Fed só é esperado para 2027. No Chile, o Banco Central manteve os juros inalterados, mas o governo do país, que importa quase todo o petróleo e derivados que consome elevou a gasolina em 33% e o diesel em 70%. O salto da inflação foi revisto de 3,4% para 4,5%.

No Brasil, com a Petrobras garantindo mais de 70% do suprimento de diesel e quase 90% de gasolina, os acordos de preços com adesão dos estados (os governadores de oposição que aceitaram goela abaixo a redução do ICMS dos combustíveis em junho de 2022, no governo Bolsonaro, agora reagem e fazem corpo mole). Se a guerra acabar logo, os acordos podem ser mantidos e o salto na inflação será contido, permitindo baixar a Selic até 12,25% em dezembro.