Juro alto põe PIB do Brasil abaixo do mundo

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De Haddad sobre o Banco Master: 'Podemos estar diante da maior fraude bancária do país'

O Banco Mundial divulgou hoje suas projeções para a economia mundial em 2025 e para o ano corrente e o próximo. Depois de 2,8% em 2024, a economia mundial teria se desacelerado para 2,7% no ano passado e deve cair a 2,6% este ano, voltando a crescer 2,7% em 2027. A novidade é que o Brasil, depois de crescer acima da média mundial em 2023 (3,2% X 2,8%) e 2024 (3,4% X 2,8%), teria crescido menos no ano passado (2,3% X 2,7%). E, com o freio de mão dos juros altos puxado, deve continuar em performance pior este ano (2,0% a 2,6%) e em 2027 (2,3% X 2,7%), nas previsões do BM.

Entre as grandes economias, a China, após crescer 4,9% em 2025, tende a crescer 4,4% este ano e 4,2% em 2027, com os efeitos do tarifaço na retração do comércio mundial. Para os Estados Unidos, o Banco Mundial, que previu alta de 2,1% em 2025, projeta 2,2% para este ano e 1,9% para 2027 (o que deixa o presidente Trump mais frustrado para pressionar o Federal Reserve a baixar os juros – embora ele tenha o interesse pessoal, como empresário imobiliário, de manter os juros baixos para estimular a compra de imóveis).

A Zona do Euro teria crescido 1,4% em 2025, mas recuaria a 0,9% este ano e 1,2% em 2027, como reflexo das idas e vindas dos tarifaços do governo Trump. O Japão teve um bom desempenho no ano passado (1,3%, após queda de 0,2% em 2024), mas as interrupções nas cadeias produtivas causadas pelo tarifaço devem desacelerar a economia para 0,8% em 2026 e 2027.

Índia lidera o crescimento
Entre as dez maiores economias do mundo, a Índia, país mais populoso do mundo, com 1,5 bilhão de habitantes, segue liderando o crescimento, com taxa de 7,2% no ano passado. Para 2026, o BM prevê 6,5%, e um crescimento de 6,6% em 2027.

Outro país asiático cujo crescimento chama a atenção é a Indonésia, o 4º país mais populoso (285 milhões de habitantes), que teria crescido 5,0% no ano passado (repetindo 2023 e 2024), ritmo a ser mantido em 2026 e acelerado para 5,2% em 2027. O 5º país mais populoso é o Paquistão (255 milhões), seguido pela Nigéria (237 milhões), ficando o Brasil em 7º (216 milhões).

Ainda na Ásia, em área de antiga influência da Índia, de quem se tornou independente nos anos 70, destaca-se o populoso Bangladesh (175,7 milhões), à frente da Rússia em população (144 milhões de habitantes). Bangladesh cresceu 4,2% em 2024, teria avançado mais 3,7% no ano passado, e deve crescer 4,6% este ano e 5,1% em 2027.

Brasil perde para Ásia; vence México
O Brasil perde feio para os asiáticos, mas supera os latino-americanos. Contra o México, que nos superou em 2023 (3,2% X 3,4%), devolvemos em 2024 (3,4% X 1,4%), em 2025 (2,3% X 0,2%) e devemos seguir à frente em 2026 (2,0% X 1,3%) e 2027 (2,3% X 1,8%). A Argentina, após as quedas de 1,9% em 2023 e de -1,3% (2024), teria crescido 4,6% em 2025 e deve repetir a taxa de 4,0% em 2026 e 2027, mas ainda precisa descontar muita distância.

Na América Latina e Caribe, dois destaque são a Costa Rica e o Panamá: 4,9% X 7,4%, respectivamente, em 2023; 4,2% X 2,9% em 2024; 4,1% X 2,0% em 2025, e previsões de 3,6% X 4,1% em 2026 e de 3,7% X 4,1% em 2027.

O perde e ganha nas guerras
Em função das retaliações comerciais dos países da OTAN, à frente os EUA, acompanhadas por alguns países asiáticos (Japão, Austrália e Coreia do Sul) contra a Federação Russa pela invasão à Ucrânia, o crescimento da economia russa sofreu mais do que a economia da ucraniana. E países que antes orbitavam como satélites da antiga União Soviética estão disparando, como a pequena Geórgia, rica em petróleo e gás.

No conturbado continente africano, países que estão entrando em fase de paz conseguem recuperar rapidamente a economia, antes paralisada pelos combates. Ruanda e República Democrática do Congo se destacam. Sudão e Sudão do Sul, ainda enfrentam as sequelas.

Nem todos ganham com o petróleo
Com exceção da Guiana, que vem tendo um aumento vertiginoso do seu PIB, com a crescente produção de petróleo por companhias estrangeiras (o que animou o Brasil a prospectar as perspectivas da margem equatorial a 180 km da conta do Amapá, e a 500 km da foz do Rio Amazonas, e despertou a cobiça de Donald Trump, que quer se assenhorar das maiores reservas do mundo da Venezuela - 300,6 bilhões de barris), os países exportadores de petróleo vêm crescendo menos do que os importadores, numa prova de que o que vale é o conhecimento e a tecnologia, que impulsionam a transição energética.

No sentido oposto, enquanto abrem-se perspectivas na Venezuela, cuja produção encolheu 70% nos últimos 15 anos, o Irã sofreu com os ataques americanos às instalações nucleares e refinarias, o que desestabilizou o regime dos aiatolás, que reprime os manifestantes em banho de sangue.

Haddad disse tudo sobre o Master
Ao classificar a crise que levou à liquidação do Banco Master, de Daniel Vorcaro, pelo Banco Central, em 18 de novembro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, definiu acertadamente a atitude correta do BC:

“Podemos estar diante da maior fraude bancária do país”, disse.

Até aqui, o BC já identificou quase R$ 24 bilhões em fraudes. Ou seja, está se igualando aos R$ 25 bilhões das fraudes contábeis das Lojas Americanas, que causaram prejuízos a um grupo seleto de bancos e a seus acionistas e fornecedores. No caso do Master, os lesados são milhares de investidores (que serão amparados pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até R$ 250 mil, quando do vencimento das aplicações e de fundos de pensão de estados e municípios.