O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

gilberto.cortes@jb.com.br

O OUTRO LADO DA MOEDA

Contra Trump, Europa se alia ao Mercosul

Publicado em 06/12/2024 às 17:54

Alterado em 06/12/2024 às 17:54

Às vésperas do futuro presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decretar guerra comercial para proteger a decadente indústria americana, com pesadas barreiras tarifárias que miram sobretudo a China, mas atingem Canadá e México, parceiros há décadas na Alca, o Brasil e parceiros do Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai) ganharam a rápida adesão da União Europeia para fechar o acordo comercial com o bloco, que se arrastava há 25 anos.

Espremida entre a alta competitividade da China, cujos manufaturados se espalham pelo mundo e invadem a África e a América Latina, em troca de alimentos e matérias-primas para atender a 1,4 bilhão de habitantes, e as barreiras que serão levantadas por Trump, a partir de 20 de janeiro, restou à União Europeia consolidar o acordo com os quatro países (a ser estendido a membros associados do Mercosul) que envolve um mercado inicial de 700 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22,3 trilhões.

Os problemas políticos vividos pelo presidente Macron na França – maior potência agrícola europeia –, com a reação dos temerosos agricultores franceses, atualmente amparados por subsídios da U.E., de perderem parte dessas regalias e, com isso, a competitividades para os produtores agrícolas do Mercosul, serve como régua para medir a influência da agricultura e da produção de matérias-primas no jogo bruto do comércio mundial.

O valor do patrimônio investido na Indústria e nas atividades de comércio e serviços pesou muito mais na balança do que os agrícolas. O que serve de alerta ao Brasil, cuja pauta de exportação é dominada por produtos agrícolas e matérias-primas da indústria extrativa (minérios, petróleo e gás). Pode-se esperar, portanto, maior invasão de automóveis e manufaturas da Europa.

Saldo do Brasil vem da China

Vejam o resultado do comércio exterior do Brasil com os seus principais parceiros comerciais de janeiro a novembro deste ano. Mesmo com a redução de 6,1% nas exportações para a China, sobretudo de soja (pela quebra da safra brasileira devido aos impactos climáticos do El Niño, que parecem superados para 2025), o antigo Império do Meio, continuou sendo o principal destino das exportações brasileiras, com um total de US$ 90,86 bilhões.

Em 2º lugar vem a parceria com a União Europeia, que absorveu US$ 45,05 bilhões (+6,5%) de exportações em 11 meses e o movimento tende a se alargar, pois há demanda por alimentos, minérios, manufaturados e outras matérias-primas além dos amuos da França.

Os Estados Unidos, antes da volta de Trump, era o 3º mercado para o Brasil, com importações de US$ 36,57 bilhões (+9,5% sobre igual período de 2023). Mas o Brasil tem um pequeno déficit de US$ 790 milhões em sua balança comercial com os EUA, que exportaram ao Brasil (US$ 37,36 bilhões +6,5% sobre 2023). A situação tende a piorar com as restrições do governo Trump.

Por fim, a vizinha Argentina aparece como o 4º mais importante parceiro brasileiro, recebendo US$ 12,48 bilhões de exportações e nos mandando US$ 12,34 bilhões, com pequeno saldo brasileiro de US$ 140 milhões.

No somatório das exportações, as vendas para a China perdem apenas em US$ 3,4 bilhões para as vendas somadas da U.E., dos Estados Unidos e da Argentina.

Mesmo com crescimento de 20,6% este ano, as importações da China (US$ 59,40 bilhões) não impediram o saldo pró Brasil de US$ 31,46 bilhões.

O 2º maior superávit comercial do Brasil este ano (US$ 1,54 bilhão) é com a U.E., que nos vendeu US$ 43,51 bilhões de janeiro a novembro.


OLM

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