O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

gilberto.cortes@jb.com.br

O OUTRO LADO DA MOEDA

Selic: mercado prevê alta de 0,25% até 11,25%

Publicado em 09/09/2024 às 13:37

Alterado em 09/09/2024 às 13:37

Mesmo com o Federal Reserve dando início, em 18 de setembro, à baixa de juros nos Estados Unidos (dados macroeconômicos precisam indicam se a tendência é uma largada de 0,25% ou 0,50%), o mercado financeiro brasileiro, assustado com os impactos da alta do dólar (que voltou forte hoje nos principais mercados) na inflação, previu na Pesquisa Focus, divulgada hoje pelo Banco Central, que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai elevar a Selic em 0,25%, para 10,75% na reunião do próximo dia 18.

A má notícia para as empresas e as famílias endividadas não para por aí. O mercado está esperando altas sucessivas de igual teor da Selic nas próximas reuniões do Copom deste ano (6 de novembro e 11 de dezembro), elevando a Selic até 11,25% em dezembro.

Campos Neto cumpre meta de esfriar o PIB

Mas, vale dizer, Roberto Campos Neto conseguirá cumprir a meta de inflação deste ano, mas, não com esta alta da Selic: o teto é de 4,50% (3,00% de meta + 1,50% de tolerância) e o mercado espera IPCA 4,30% ou 4,37% nas projeções dos últimos cinco dias úteis. O legado de Campos Neto terá impacto maior em 2025, quando o mercado espera desaceleração da economia.

Os juros continuariam elevados no 1º semestre do ano que vem e, mesmo com queda esperada na 2ª metade do ano, fechariam dezembro de 2025 em 10,25% (a estimativa na semana anterior era de 10%), mas as respostas dos últimos cinco dias úteis são ainda mais pessimistas e iriam a 10,50%. Para 2026, a Selic fecharia o ano em 9,50% e em 9,00%, em 2027, sem alterações.

Considero a projeção péssima para o país, pois vai travar a recuperação da economia. Depois da alta de 1,4% no PIB do 2º trimestre. O mercado elevou de 2,46% para 2,68% a mediana da previsão do PIB de 2024, que foi elevada para 3,00% nas respostas dos últimos cinco dias úteis (após o PIB). Já para 2025, embora tenha elevado a previsão de 1,85% na semana anterior, para 1,90%, as respostas dos últimos cinco dias reduziram a projeção para 1,88%. Para 2026 e 2026 uma projeção modesta de 2% de aumento do PIB.

Seca e energia elevam inflação

Ao lado do dólar, um dos fatores que elevaram as expectativas da inflação foi a prolongada estiagem, seguida de incêndios, que está afetando a acumulação de águas nos reservatórios das hidrelétricas e já levou a Aneel a fixar bandeira vermelha 1 em setembro (a bandeira era verde desde o 1º semestre do ano passado e pulou o nível amarelo de agosto para setembro. A inflação de agosto, que o IBGE divulga amanhã o IPCA de agosto. Com bandeira verde e recuo nos preços de frutas e alimentos “in natura”, a mediana das expectativas do mercado na Focus é uma inflação muito baixa e caiu de 0,40% para 0,2%.

Mas as projeções para setembro deram um salto com a bandeira vermelha e o agravamento da situação de estiagem e incêndios: a previsão saltou de 0,30% para 0,36% e chegaram a 0,50% nas respostas dos últimos cinco dias úteis. Há um mês a expectativa era de 0,20%. Já as projeções para o IPCA de outubro seguem em 0,30%.

Juros reduzem Ibovespa e dólar

Como não podia deixar de ser, a sedimentação da expectativa altista dos juros pelo Banco Central levou os investidores e “traders” alavancados em operações futuras com ações, commodities e outros ativos a reajustar, desde sexta-feira, os contratos, prevendo o novo cenário com juros mais altos. Isso levou à forte queda do Ibovespa na sexta-feira, que já tinha deixado a faixa dos 136 mil pontos, quando fechou em 134 mil pontos. Ao meio-dia de hoje, o Ibovespa, que abriu o dia a 134.574, desceu a 134.399 pontos, mas reagia a 135.190 pontos, alta de 0,46% após o meio-dia.

O dólar, que caiu na quarta e quinta-feira, com as apostas de altas dos juros, teve ligeiro ajuste hoje em relação aos R$ 5,5990 do fechamento na sexta-feira e abriu a R$ 5,5992, e era cotado a R$ 5,6052 às 12:15. A expectativa de que o Fed só baixará os juros em 0,25% (e não 0,50%) fez o dólar subir frente ao euro, franco suíço, iene, libra esterlina e moedas emergentes. O peso mexicano foi das raras exceções e subia 0,43%.

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