O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

gilberto.cortes@jb.com.br

O OUTRO LADO DA MOEDA

Dólar segue em alta no Brasil e no mundo

Publicado em 02/09/2024 às 14:08

Alterado em 02/09/2024 às 14:09

Embora com ligeira queda frente ao euro e à libra esterlina, o dólar abriu a semana em alta contra o iene (+0,58%), franco suíço (+0,24%) e moedas emergentes (+0,40% contra o peso mexicano) e a pressão contra o real seguiu forte. O mercado abriu com R$ 5,64,63 para venda, com alta de 0,64% frente ao fechamento de 6ª feira e subiu à máxima de R$ 5,6518. Por isso, o Banco Central fez venda adicional de US$ 735 milhões e esfriou as cotações. Às 12:45 o dólar estava cotado a R$ 5,6241, uma queda de 0,49% frente à máxima da manhã, mas com alta de 0,25% frente ao fechamento de 6ª feira.

Na Pesquisa Focus, encerrada 6ª feira junto a 151 instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa elevou ligeiramente, na mediana das expectativas, de R$ 5,32 para R$ 5,33 a cotação esperada para dezembro de 2024, mas as respostas dos últimos cinco dias úteis (influenciadas pelo início das intervenções do Banco Central no câmbio) refluíram para R$ 5,22. Para 2025, as expectativas situam a taxa em R$ 5,30, já absorvendo a queda dos juros nos Estados Unidos, que deve diminuir a atratividade do dólar.

Um dado interessante na Focus é que o mercado não aposta (na mediana) em alteração na Selic – atualmente em 10,50% ao ano – tanto na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), dia 18 de setembro, nem até dezembro. Mas há apostas divergentes no mercado. Se 56,1% apostam que a Selic vai fechar o ano na faixa de 10,00% a 10,50%, 20,9% projetam que o piso dos juros no país subirá para a faixa de 11,00% a 11,50% e 18,9%, esperam de 11,50% a 12%.

A estratégia do BC de atacar as expectativas altistas do dólar no mercado de câmbio sugere que parece pouco provável o recurso da alta de juros. Essa via deixaria o diretor de Política Monetária do BC, Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Lula para suceder a Roberto Campos Neto na presidência, em 1º de janeiro de 2025, em posição desconfortável. É que o Brasil elevaria os juros justamente quando o Fed iniciaria uma baixa que tende a enfraquecer o dólar.

Inflação pede juros altos

Mas, mesmo com virtual estabilidade nas projeções do IPCA de 2024 (de 4,25% para 4,26%, nível mantido nas respostas dos últimos 5 dias úteis), o mercado está apostando em juros mais elevados para 2025 e 2026, o que tende a reduzir a inflação para o centro da meta de 3,00%.

Com os juros da Selic mantidos em 10% para dezembro de 2025 (há um mês era de 9,75%), o IPCA do ano que vem foi reduzido de 3,93% para 3,92% e 3,85% nas previsões dos últimos cinco dias úteis. Para 2026, o mercado manteve o IPCA em 3,60% e a Selic segui elevada para 9,50% (há um mês era de 9%).

As expectativas para a inflação de agosto (que o IBGE divulga dia 10) caíram de 0,05% para 0,04% e 0,02% nas respostas dos últimos cinco dias úteis. A taxa de setembro subiu de 0,27% para 0,30%, devido à adoção da bandeira amarela para a energia elétrica este mês e, nos últimos cinco dias foi a 0,32%. Já a inflação prevista para outubro seguiu estável em 0,30%.

FGV dê deflação de 0,16% no IPC semanal

No Indice de Preços ao Consumidor semanal, referente à semana encerrada em 31 de agosto, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas viu queda de 0,16% puxada pela baixa dos alimentos e pela desaceleração das altas da gasolina e do etanol (que sobre mais que a gasolina – e as especulações em torno das queimadas dos canaviais em São Paulo podem afetar tanto o etanol como a gasolina comum, que usa 27% é álcool anidro na mistura).

A Alimentação, item que mais pesa nas despesas familiares teve queda ampliada de 0,99% na semana encerrada em 22 de agosto para queda de 1,02%. Transportes também desacelerou no mesmo período de +1,22% para +0,82%, mostrando a diluição do impacto do reajuste da gasolina, em julho. Após subir 3,36% na semana terminada em 22 de agosto, a alta da última semana da gasolina reduziu para 2,29%. O Etanol desacelerou menos: de 5,13% para 3,46%.

As passagens aéreas caíram de preço, como como o tomate, a batata-inglesa e a cebola. Mas os planos de saúde seguem pesando, assim como os serviços bancários e os cigarros (para os que fumam o impacto da alta caiu de 1,13% para 0,75%).


Itaú e Bradesco preveem alta de 1% no PIB

O PIB do 2º trimestre será divulgado amanhã pelo IBGE. O Itaú estima crescimento de 1,0% na margem, com ajuste sazonal. Na comparação anual, o banco espera avanço de 2,8%. O setor de serviços lidera com alta anual semelhante à observada no trimestre anterior (2,8%, ante 3,0% no 1º trimestre). A indústria deve ter registrado crescimento de 3,2% na mesma métrica (2,8% no 1º) e o setor agropecuário deve seguir negativo, com queda de 0,8% (ante -3,0% no 1º trimestre). Para o 2º semestre, o Itaú espera uma desaceleração do PIB para um crescimento em média de 0,2% na margem, dado o menor impulso fiscal e monetário. Se confirmadas as estimativas, o crescimento no ano será de 2,5%.

O Bradesco também espera alta de 1,0% na passagem do 1º para o 2º trimestre, o que representa uma ligeira aceleração. O Bradesco diz que “ainda devemos ver uma economia resiliente, com a indústria e, principalmente, os serviços contribuindo positivamente, enquanto o setor agropecuário deve mostrar queda na margem. Pela ótica da demanda, o consumo deve desacelerar em relação ao verificado no 1º trimestre”. Na 4ª feira, “a divulgação da produção industrial de julho, já deve sinalizar um início mais fraco da atividade no 3º trimestre”.

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