
O OUTRO LADO DA MOEDA
Mercados se ajustam a Jackson Hole
Publicado em 26/08/2024 às 13:10
Alterado em 26/08/2024 às 13:10
No primeiro dia após as confirmações do Federal Reserve Bank, na reunião de Jackson Hole, de que dará início à baixa de juros na reunião de 18 de setembro, os mercados de juros, moedas, commodities e ações se ajustaram em todo o mundo, afinando as apostas para uma baixa de 0,25%. Isso provocou quedas nas principais moedas frente ao dólar, operadas na expectativa de baixa de até 0,50%. Euro e libra esterlina operam com pequena queda ante o dólar, que cai 0,11% ante o iene e o franco suíço.
Mas o real, como quase todas as moedas de países emergentes, sofre desvalorização de 0,05%, porém, de pequena monta comparada ao peso mexicano (-0,96% às 11:40) e à lira turca (-0,13%). O peso argentino cai 0,24%. Já o peso colombiano tem valorização de 0,06%, o inverso do real. O Banco Central da Colômbia está mantendo os juros mais elevados do que no Brasil (10,75% X 10,50%), mas a previsão do mercado é de quedas fortes até 8,75% até dezembro, com quatro quedas de 0,50%.
Focus não vê mudança de juros em 2024
No Brasil, apesar das apostas recentes do mercado de que haveria altas da taxa Selic ainda este ano, as projeções da Focus, divulgadas hoje pelo Banco Central, com respostas até a última 6ª feira, não apontaram aumento da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de 18 de setembro, com o nível atual de 10,50% ao ano sendo mantido até dezembro. Ou seja, o mercado acredita que o Copom vai aguardar o impacto da baixa dos juros nos Estados Unidos para dar novos passos.
O mercado ajustou a inflação deste ano de 4,22% na semana anterior para 4,25%, sendo que as respostas dos últimos cinco dias úteis apontaram 4,27%. Ainda dentro do teto da meta de inflação: 3,00%+1,50% de tolerância=4,50%.
Para 2025, as projeções também subiram: de 3,91%, na semana anterior, para 3,93%, enquanto as respostas dos últimos cinco dias situavam o IPCA em 4,00%. Em função das pressões inflacionárias, a Selic foi mantida em 10% para 2025. E o desenho da inflação elevada para 2026 (3,60%) levou o mercado a elevar de 9,00% para 9,50% a meta terminal da Selic em 2026.
Emprego é bom nos EUA, ruim no Brasil
Um dos fatores de pressão inflacionária vem da força da economia, impulsionada pela expansão do mercado de trabalho, como sublinhou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em sua fala na reunião do Federal Reserve de Kansas City, em Jackson Hole, no Wyoming.
Em função do dinamismo da economia – o resultado do PIB do 2º trimestre será divulgado pelo IBGE em 3 de setembro – a Pesquisa Focus elevou a projeção de crescimento do PIB deste ano de 2,23%, na semana anterior, para 2,43%. E as respostas dos últimos cinco dias apontaram 2,49%. Mas, diante da freada na baixa dos juros, desde maio, o PIB de 2025 segue em redução: há um mês o mercado previa 1,94%, taxa reduzida a 1,89% na semana anterior e agora para 1,86%. Nas respostas dos últimos cinco dias, baixou a 1,84%.
Ao contrário do presidente do Fed, Jerome Powell, que justificou a mudança da posição do Fed pelo rápido esfriamento do mercado de trabalho, como sintoma de risco de recessão (nos EUA, o Fed tem como metas a estabilidade da moeda, o crescimento da economia e o pleno emprego), Campos Neto disse que o crescimento da demanda, acompanhado da oferta de emprego torna menos eficaz a política monetária contracionista, o que reduz a velocidade da desaceleração da inflação.
IBGE divulga IPCA-15 amanhã
Por sinal, o IBGE divulga nesta 3ª feira o IPCA-15 de agosto. A estimativa do mercado é de queda no índice para 0,20%, após 0,305 em julho. A LCA Consultores prevê número mais baixo: 0,17%. O importante é que a desaceleração da inflação está precificada pelo mercado para o IPCA cheio, que o IBGE divulga dia 10 de setembro, segue em queda. Na semana anterior, a aposta era de 0,10%, caiu à metade, para 0,05% na mediana da semana passada e para apenas 0,03%.
Como em julho o IPCA subiu 0,38% e a taxa de agosto de 2023 foi de 0,23%, se confirmada a expectativa a taxa em 12 meses do IPCA teria forte queda em agosto, descendo dos 4,50% em julho para 4,29%. E as projeções para setembro (0,27%) e setembro (0,30%) não implicam ameaça ao teto da inflação de 4,50%. O que pode atrapalhar é a adoção da bandeira amarela nas tarifas de energia elétrica em setembro, devido à estiagem, e os impactos dos incêndios no interior de São Paulo e de outros estados no Centro-Oeste.