
O OUTRO LADO DA MOEDA
Itaú prevê IPCA e PIB maiores
Publicado em 08/08/2024 às 13:37
Alterado em 08/08/2024 às 13:37
O Departamento de Estudos Macroeconômicos do Itaú apresentou hoje a revisão do cenário econômico de agosto. Com o aumento das projeções da taxa do dólar de 2024 (de R$ 5,30 para R$ 5,50, nível mantido para 2025, contra R$ 5,40 na projeção de julho, o banco revisou a expectativa de inflação deste ano, de 4,0% para 4,2%, e a de 2025, de 4,0% para 4,2%. (Amanhã sai o IPCA de julho).
Os preços dos alimentos em domicílio devem subir 4,3% este ano e 5,1% no ano que vem, puxando os preços livres da faixa de 4,0% este ano para 4,6% em 2025. Os preços industriais devem subir só 3,1% este ano e 2,6% em 2025. Os preços dos serviços teriam alta de 4,5% em 2024 e de 5,6% em 2025.
Os preços administrados sobem 4,5% este ano, com impacto de 10,5% da gasolina e de apenas 0,4% da energia elétrica residencial, contando com o desconto da energia de Itaipu, em discussão no governo. Em 2025 ocorreria o inverso: a gasolina subiria apenas 0,5%, na projeção do Itaú, e a energia elétrica residencial teria alta de 4,8%.
Mas a projeção do PIB também cresceu, de 2,3% para 2,5%. Entretanto, com a previsão de que a taxa Selic fique em 10,50% até dezembro e que possa subir ou ficar estável por muito tempo para neutralizar pressões de uma eventual alta do dólar, o banco prevê desaceleração da economia em 2025, com o PIB mantido em 1,8%.
Itaú defende ajustes fiscais de R$ 22 bilhões
Nas contas fiscais, a previsão é de um déficit primário (receitas menos despesas, sem contar os juros da dívida pública) de -0.6% do PIB em 22024 e de -0.9% do PIB em 2025. O Itaú considera necessário um ajuste fiscal (corte de gastos e ajustes de receitas) de R$ 22 bilhões para não haver estouro das metas do Arcabouço fiscal. Os cortes devem se concentrar na revisão dos Benefícios de Prestação Continuada (BPC) para pessoas com mais de 65 anos.
Para o Itaú, as “receitas seguem crescendo refletindo medidas (e atividade) enquanto despesas obrigatórias não desaceleram. Com governo mirando no limite inferior (-0.25%), cumprimento da meta de 2024 passa por esforço adicional de 0,3% do PIB com controle de despesas e/ou surpresa positiva de receitas. A seguir, as principais previsões:
Dólar e contas externas
“Revisamos as nossas projeções para 5,50 reais por dólar em 2024 e 2025 (de 5,30 e 5,40, respectivamente);
Apesar da alta do dólar, que inibe importações e estimula exportações, o Itaú prevê “deterioração da conta corrente com perda de força da balança comercial e aumento do déficit de serviços e rendas”.
Revisamos nossa projeção de déficit em conta corrente: para US$ 43 bilhões (de 27 bilhões) em 2024, US$ 46 bilhões (de 37 bilhões) em 2025.
Revisamos nossa projeção de superávit comercial: para US$ 75 bilhões (de 85 bilhões) em 2024, US$ 70 bilhões em 2025 com queda das exportações (efeito preço) e aumento de importações.
PIB sobe em 2024 e cai em 2025
Atividade resiliente no 1º semestre: “tracking do PIB do 2º trimestre de 2024 em 0,9% com ajuste sazonal (2,6% na variação anual).
Revisamos nossa projeção de PIB para 2,.5% (de 2,.3%) em 2024. Enchentes no RS tiveram impacto na atividade em maio (especialmente na indústria), mas impacto agregado no ano foi pequeno. Para 2025 foi mantida a taxa de 1,8%.
Mercado de trabalho firme
Dados divulgados até 2º trimestre (com aumento da população ocupada formal, pressionando salários reais) e a perspectiva de um PIB mais forte apontam para uma taxa de desemprego mais baixa no final do ano. Revisamos nossa projeção para taxa de desemprego para 7,3% (de 7,8%) em 2024 e para 7,5% (de 8,0%) em 2025.
Duas visões do JP Morgan
Sobre a volatilidade dos mercados: “Os movimentos do mercado estão sendo exacerbados por uma reversão de "carry trades " globais. Dadas as baixas taxas de juros no Japão frente ao resto do mundo, isso tem oferecido aos investidores oportunistas uma oportunidade atraente de "carry trade": tomar emprestado (barato) em ienes japoneses e, em seguida, usar os lucros para investir em ativos de maior rendimento em outras partes do mundo. Essa oportunidade tem diminuído, no entanto, à medida que o Banco do Japão aumenta as taxas e o iene se valoriza. Adicione a crise do mercado global, e as reviravoltas de "carry trade" são catalisadas à medida que os investidores alavancados vendem suas posições de ativos de risco globais. Esses tipos de dinâmica técnica e de posicionamento adicionaram pressão descendente sobre os mercados, mas podem diminuir nas próximas semanas à medida que o posicionamento se normaliza”.
Juros nos EUA: “Considerando tudo, o Fed provavelmente está prestando atenção aos dados do mercado de trabalho e à recente recuperação da volatilidade. Os mercados estão precificando um corte de 50 pontos-base na reunião do Federal Open Market Committee (FOMC) de setembro; nossa própria visão pede três cortes de 25 pontos-base até o final do ano. De qualquer forma, o “Fed put” está de volta ao jogo – não achamos que as condições estejam se deteriorando tão rapidamente que o Fed não consiga evitar a recessão com cortes nas taxas. O pouso suave ainda parece alcançável”.
Vejo que o Banco Central está pedindo mesa esperando os movimentos do grande jogador, o Fed para ver o que faz em seguida (há três horas para decidir em setembro)