
O OUTRO LADO DA MOEDA
A super 4ª feira dos BCs
Publicado em 30/07/2024 às 16:39
Amanhã será uma das mais importantes quartas-feiras para os Bancos Centrais de vários países do mundo indicarem os rumos da política monetária. Como o dólar ainda é a moeda dominante no mundo (no comércio, nos preços dos ativos financeiros e commodities e no fluxo de capitais), as atenções estão voltadas para a decisão do Federal Open Market Committee (FOMC), o formulador da política monetária do Federal Reserve Bank dos Estados Unidos.
A expectativa é de que o FOMC dê os primeiros sinais de baixa dos juros em setembro, mesmo com os últimos indicadores apontando forte crescimento do PIB no 2º trimestre. Antes da decisão do Fed (às 15 horas), o Bank of Japan já terá decidido sobre os rumos dos juros japoneses. Com os juros mais baixos do mundo, o iene tem sido alvo de enormes especulações, o que desequilibrou as aplicações dos grandes fundos em moedas de países emergentes.
Aguardam a decisão do Fed os Bancos Centrais da Colômbia, Chile e Brasil. O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) define os rumos da política às 18:30, com tempo para consenso, mais de três horas depois da decisão do Fed. A pressão sobre o dólar, que hoje voltou a subir mais de 60% frente ao real, cotado a R$ 5,65 às 13 horas, deixa o Copom em suspense. Haveria muita pressão política e críticas pesadas do setor produtivo se o Copom subisse os juros. Melhor esperar o Fed aclarar o horizonte.
Mercado na espera dos cortes
Enquanto a decisão do Copom não chega, o mercado segue atento à divulgação dos dados do Caged de junho, para indicar se o mercado de trabalho segue aquecido. Em maio foram criadas apenas 131,8 mil novas vagas (o menor número do ano e quase 100 mil abaixo de abril). As estimativas são de 165 mil vagas.
Outro dado importante é a definição dos cortes de R$ 15 bilhões nos orçamentos ministeriais e de programas sociais, para evitar estouro das metas fiscais.
Fiagros atraem 749 mil investidores
É conhecido o chamado “comportamento de manada” mesmo entre os investidores do elitista mercado financeira. Segundo das da Anbima, os Fiagros (Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais) mais do que dobraram a captação (+118%) entre abril e junho, frente ao 1º trimestre, somando R$ 934,6 milhões em emissões. Os Fiagros acumulam patrimônio líquido de R$ 39,4 bilhões, distribuídos em 110 fundos que atraíram 749 mil investidores até junho.
E a atenção da Receita
Os números levaram o governo (Receita Fedral) a estudar o enquadramento, na Reforma Tributária, dos Fundos que gerem Fiagros – isentos de tributação, como os Fiagro-FII (de Investimento Imobiliário) como prestadores de serviços. Assim, continuariam isentas as distribuições de dividendos, mas os fundos poderiam sofrer taxação da receita com o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), o que pode reduzir de 10% a 20% os ganhos.
A questão está em exame no Congresso. Terá sido esse o motivo para a captação ter caído 36,4% em relação ao 2º trimestre de 2023? De qualquer forma, foi uma das inspirações para o “meme” de Fernando Taxadd na Times Square.
Trump infla as criptomoedas
Inimigo dos controles financeiros oficiais sobre suas empresas (enredadas com sonegação de impostos), o ex-presidente Donald Trump prometeu num evento promovido por um dos gestores em criptomoedas afastar os controles da Securities Exchange Commission sobre esses ativos caso seja eleito. UM “faroeste” sem lei.
No Reino Unido, ao contrário, o órgão regulador do mercado (que seria comparável à pretendida fusão de funções supervisoras entre Banco Central, Susep e Comissão de Valores Mobiliários) acaba de chamar para enquadramento duas importantes gestoras de criptomoedas.