O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Copom anuncia baixa no plural

Publicado em 01/02/2024 às 18:29

Alterado em 01/02/2024 às 18:29

A grande novidade no Comunicado da reunião 260, de ontem (31.01) do Comitê de Política Monetária do Banco Central, que manteve o ritmo de redução da taxa Selic em 0,50 ponto percentual, para 11,25% foi estender até a reunião 262, de 8 de maio, a previsão de baixas de igual magnitude.

Em dezembro, o Copom adiantara baixa de 0,50 p.p. para as “próximas reuniões” (janeiro e 20 de março). Mas, diante do pedido de “mesa” do Federal Reserve, mantendo os juros americanos na faixa de 5,25% a 5,50%, o mercado, que sonhava com mais ousadia e um corte de 0,75% respirou aliviado com a indicação de que há espaço para baixas de 0,50 até maio, pelo menos.

Ao analisar o Comunicado do Comitê, o Itaú lembrou que “o Copom, com sua nova composição [a entrada de Paulo Pichetti, na diretoria Internacional, e Rodrigo Teixeira na Administração], tomou por unanimidade a decisão amplamente esperada de manter o ritmo de redução dos juros (levando a taxa Selic para 11,25% a.a.) e praticamente repetiu a comunicação”.

Como faz habitualmente, o Itaú (cujo diretor de Departamento de Estudos Macroeconômicos e de Pesquisa, Mário Mesquita, foi diretor do Comitê) compara o Balanço de Riscos citados nos Comunicados de uma reunião para outra. Eles são idênticos desde novembro (01), dezembro (13) e janeiro (31):

Riscos altistas

(i) persistência das pressões inflacionárias globais (ii) maior resiliência [interna] na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais apertado

Riscos baixistas

(i) desaceleração da atividade econômica global mais acentuada (ii) impactos do aperto monetário sincronizado sobre a desinflação global se mostrarem mais fortes do que o esperado

Diante do cenário inalterado, mas com riscos presentes, “o Comitê avalia que a conjuntura, em particular devido ao cenário internacional, segue incerta e exige cautela na condução da política monetária”.

Um olhar para 2025
Mas o Itaú chama a atenção para “um detalhe interessante no texto, especificamente as previsões para 2025, que agora é o ano principal no horizonte relevante de política monetária. O comitê manteve a projeção de inflação para 2025 inalterada em 3,2%, ao mesmo tempo em que reduziu marginalmente o componente de preços livres”.

Para o Itaú, “a mudança, com bastante boa vontade, pode ser lida como uma visão ligeiramente mais otimista das perspectivas de inflação no horizonte relevante”. Por isso, o banco segue “esperando que a taxa Selic termine o ano em 9,00% a.a., e prefere aguardar “mais sobre as perspectivas e plano de voo das autoridades com a divulgação da ata da reunião, terça-feira, 6 de fevereiro”.

Genial vê cautela
Ao analisar as reuniões do Fed e do Copom, a Genial Investimento concluiu que o Federal Open Market Committtee (FOMC) só iniciará o ciclo de baixa dos juros nos Estados Unidos em junho. Por isso, o Copom, além de manter os balanços de riscos anteriores, destacou que “o cenário atual é caracterizado por um estágio mais lento de desinflação com reancoragem apenas parcial das expectativas, o que demanda maior serenidade e moderação na condução da política monetária”. Neste sentido, a Genial manteve a “projeção de Selic terminal em 9,5% a.a.”.

Bradesco vê 9,25% com viés de baixa
O Bradesco ficou numa posição intermediária, reafirmando sua aposta de que a Selic fechará o ano com queda de dois pontos, em 9,25%. Para o Bradesco, “o BC reforçou, mais uma vez, que não deve acelerar o ritmo de corte de juros pelo menos nas próximas duas reuniões – tampouco desacelerar”. E, “mantido o cenário atual de inflação e expectativas, avaliamos que BC deve levar a Selic a 9,25% este ano. Uma convergência mais intensa das expectativas, porém, pode abrir espaço para cortes adicionais em relação ao nosso cenário”, adverte o banco, na linha do Itaú.

Já a LCA Consultores considerou o comunicado “praticamente uma cópia-carbono da versão anterior. De novidade, o documento apenas destacou o "debate sobre o início da flexibilização de política monetária nas principais economias" no trecho em que avalia o ambiente externo - que, todavia, "segue volátil".

Vale destacar que o Copom manteve sua avaliação de que a "inflação cheia ao consumidor, conforme esperado, manteve trajetória de desinflação, assim como as medidas de inflação subjacente, que se aproximam da meta para a inflação". Isso, a despeito de, nas leituras mais recentes, a inflação subjacente de serviços ter registrado alguma aceleração.

O trecho prospectivo do comunicado também foi preservado; e continua a indicar que, em "se confirmando o cenário esperado, os membros do Comitê, unanimemente, anteveem redução de mesma magnitude nas próximas reuniões e avaliam que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário", diz a LCA.

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