O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Itaú prevê 3 cortes de 0,50% na Selic

Publicado em 29/01/2024 às 15:26

Alterado em 29/01/2024 às 15:26

A inflação iniciou o ano com surpresa baixista. O IPCA-15 de janeiro subiu 0,31%, contra previsão de 0,47% do mercado. E a LCA Consultores está projetando que o IPCA cheio de janeiro, a ser divulgado pelo IBGE em 8 de fevereiro, vai repetir o mesmo número. Na visão da LCA, a alimentação continuará em escalada de alta: 0,54% no IPCA-15 de dezembro; 1,1% no IPCA cheio do mês passado; 1,53% no IPCA-15 de janeiro e o mês fechando com alta de 1,59% no preço dos alimentos.

Mas, como no IPCA-15 de janeiro, a baixa de passagens aéreas e de combustíveis no mês deve provocar queda de novo no Item Transporte (-1,13% no IPCA-15 e -1,06% no IPCA cheio de janeiro), prevê a LCA. Ao lado disso, com projeção de queda da energia em Habitação, com queda de 0,11% nos preços monitorados, além de descontos sazonais em Artigos de residência e em Vestuário, a consultoria projeta que o IPCA registrará +0,31% em janeiro. Por conta disso, a LCA rebaixou de 0,50% para 0,31% a projeção para janeiro, e a do ano de 2024 de +4,2% para +4,1%.

Itaú vê Copom fazendo 3 cortes de 0,50%
Ao publicar nesta segunda-feira, dia em que seria a divulgação da Pesquisa Focus, adiada para amanhã pelo Banco Central, devido à paralisação dos servidores, o seu tradicional “Cockpit do Copom”, que antecede as reuniões do Comitê de Política Monetária nesta terça e quarta-feira, o Itaú lembra que, na reunião de 13 de dezembro, “o comitê não alterou a sinalização de que manterá o atual ritmo de flexibilização nas próximas reuniões”. O conjunto de projeções de inflação não mudou de forma relevante e também parece consistente com um ritmo inalterado, adianta o Itaú.

Segundo o Itaú, na ata, o comitê trouxe um conjunto de mudanças neutras no agregado. As autoridades reconheceram que o cenário externo se tornou menos adverso (mas permanece volátil), mencionaram que o PIB do terceiro trimestre confirmou que a economia local está perdendo dinamismo (mas com consumo resiliente) e reconheceram que a desinflação está em curso, com melhora de composição, mas em linha com o que era esperado.

Alguns membros mencionaram que o investimento está recuando, o que,[com o consumo firme], poderia provocar pressões inflacionárias via excesso de demanda. Também as autoridades salientaram que as alterações em elementos exógenos, como o ambiente externo, não têm implicações mecânicas para as taxas de juro locais – e que a transmissão se daria pelo eventual impacto nas perspectivas para a inflação, e não apenas oscilações na taxa de câmbio.

Como “não houve alterações relevantes na sinalização sobre os próximos passos”,isso “significa que o cenário-base para as próximas reuniões continua a ser uma sequência de movimentos de 50 pontos-base”.
O Departamento de Estudos Macroeconômicos do Itaú espera corte de 50 p.b. da taxa Selic, para 11,25% a.a., com as autoridades repetindo, no comunicado, que anteveem reduções de mesma magnitude nas próximas reuniões” (20 de março e 8 de maio, para 10,25% a.a.). Para o Itaú, “a manutenção desta prescrição futura pode evitar aumento de volatilidade das expectativas para as próximas decisões, em ambiente de incerteza acima do usual”.

Nos cálculos do Itaú, a taxa Selic estaria ainda distante de seu nível terminal (9,00% a.a., a ser alcançada em setembro), permitindo que o comitê altere ou abandone tal prescrição mais adiante no ciclo. Mas o comitê continuará alertando para condicionalidades. O balanço de riscos para a inflação deve continuar sendo descrito como simétrico, com o comitê destacando que a conjuntura, em particular devido ao cenário internacional, segue incerta e exige cautela na condução da política monetária.

Neste caso, o Itaú não espera quarta-feira, quando o Fed deverá sinalizar o início do ciclo de baixa nos Estados Unidos para maio, “alterações nas projeções de inflação do Copom, com as estimativas em 3,5% para 2024 e 3,2% para 2025”.

A visão do Santander
Mais cauteloso, o departamento econômico do Santander, comandado pela ex-secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi, lembra que a curva de juros também continua a precificar cortes de cerca de 50 bps em cada uma das próximas duas reuniões, “razão pela qual, na visão do banco, as impressões de inflação marginalmente piores (e a atividade pressionada para cima) não afetaram significativamente a curva de rendimentos, com os rendimentos de curto prazo subindo apenas 7 bps e os de longo prazo apenas 2 bps”.

Pescaria em boa hora
A Polícia Federal deflagrou às 6 da manhã mandados de busca e apreensão contra o vereador Carlos Bolsonaro (PL-Rio) e outros ex-agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), no Rio de Janeiro e Angra dos Reis (RJ).

Às 5 horas da manhã, o clã Bolsonaro, à frente o ex-presidente, mais o senador Flávio Bolsonaro (Pl-RJ), o filho 01; o filho 02, Carlos, e o filho 03, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), parte para uma pescaria na região da Costa Verde.

É muita coincidência, ou o esquema de escutas paralelas, montado no governo Bolsonaro, e que a PF está investigando na Abin, continua funcionando no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), ao qual a Abin é subordinada, e na própria Polícia Federal.

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