O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Alimento sobe, mas IPCA começa menor

Publicado em 26/01/2024 às 14:47

Alterado em 26/01/2024 às 14:47

O ano de 2024 começou com a inflação mostrando suas garras às vésperas da primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, dias 30 e 31 de janeiro, na alta de 1,53% em Alimentação e Bebidas no IPCA-15 divulgado hoje pelo IBGE. A escalada da inflação dos alimentos (que se manifesta desde novembro, interrompendo baixas de junho a outubro) respondeu sozinha por 0,32 ponto percentual da inflação parcial do mês.

Mas, a queda de 1,13% no item Transporte, neutralizou as pressões altistas que vieram ainda de Saúde e Cuidados Pessoais (+0,56%), Habitação (+0,33%) e Despesas Pessoais (+0,56%) e produziram um IPCA-15 de 0,31%, inferior às previsões do mercado (entre 0,45% e 0,48%), que ainda ficou abaixo dos 0,40% do IPCA-15 de dezembro.

O efeito do El Nino está estimulando a especulação nos preços dos alimentos. Em 2023, com a supersafra de grãos, o IPCA cheio de janeiro, que será conhecido este ano em 8 de fevereiro, teve alta de 0,53% (com aumento de 0,59% na alimentação), pouco abaixo dos 0,54% de 2022. Mas a Alimentação subiu 1,11% em 2022 e 1,02% em 2021. Ao subir apenas 1.03% em 2023 (contra 11,64% em 2022), a Alimentação ajudou a derrubar o IPCA a 4,62%.

Apesar da alta de sete dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete registraram alta em janeiro, a inflação na largada de 2024 foi neutralizada pela queda de 1,13% no grupo Transportes em janeiro e contribuiu com -0,24 p.p. de baixa, com influência baixista em passagem aérea, (-15,24% e -0,16 p.p.); combustíveis (-0,63%), com recuo nos preços do etanol (-2,23%), ; óleo diesel (-1,72%) e da gasolina (-0,43%), enquanto o gás veicular (2,34%) registrou alta. Além de Transportes, comunicação teve queda de 0,03%.

Debates no Copom
O começo do ano sempre traz pressões altistas em Educação, pelo reajuste das mensalidades escolares e os gastos com livros e cadernos. Além de impostos e tarifas em geral. O cenário deve ser debatido pelo Copom.

Espera-se que com a nova composição no Celegiado, haja melhor avaliação – ao contrário de 2023 – sobre a trajetória dos preços dos combustíveis, energia elétrica e comunicações, uma vez que a reoneração dos impostos, reduzidos eleitoralmente por Bolsonaro no segundo semestre de 2022, está praticamente concluída. E a nova política de preços da Petrobras, em substituição ao PPI, trouxe mais estabilidade aos preços dos combustíveis.

Para o Bradesco, o resultado de hoje deve trazer revisões baixistas em alguns itens fora do núcleo, possivelmente afetando a mediana no Focus para 2024. No entanto, o banco não vê uma melhora qualitativa do dado, especialmente por conta de serviços subjacentes. Para o ano, ele espera IPCA em 3,6%.

O Itaú também manteve a previsão de 3,6% para o IPCA deste ano, mas considerou que o resultado do IPCA-15 de janeiro, abaixo das expectativas, veio com aceleração do núcleo de serviços. O IPCA-15 de janeiro registrou alta de 0,31% e em 12 meses acumula alta de 4,5%, ante 4,7% em dezembro. Mas, na abertura do dado, o Itaú destaca surpresas baixistas em passagem aérea e transporte por aplicativo. Em relação aos núcleos, serviços subjacentes vieram acima das expectativas, puxados por veículos serviços, aluguel e condomínio, enquanto industriais subjacentes vieram abaixo do esperado, refletindo dinâmica de móveis e utensílios.

Além disso, o índice de difusão alcançou 67% em janeiro (ante 55,9% no mês anterior), reflexo da dinâmica de preços de alimentação. No geral, o IPCA-15 de janeiro veio abaixo do esperado em itens que não compõem o núcleo de inflação (como passagem aérea), mas o qualitativo dessa divulgação foi pior do que o esperado com surpresa altista em serviços subjacentes. Na margem, a inflação de núcleos subjacentes acelerou para 1,6% (na média móvel de três meses, com dados dessazonalizados e anualizados, de 1,3% em dezembro).

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