O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Presta atenção nos Serviços

Publicado em 16/01/2024 às 12:38

Alterado em 16/01/2024 às 12:38

O setor de serviços que, nas Contas Nacionais Trimestrais que formam o Produto Interno Bruto (PIB) calculado pelo IBGE, tem peso de 68% na economia, tem uma sub-representação mensal: a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, que também faz pesquisas mensais à parte sobre o volume de vendas do comércio (14% do PIB). A PMS não considera as atividades financeiras e de seguros (7,5% do PIB), nem as Atividades Imobiliárias (6,5%) e ainda as atividades da Administração Pública, Saúde e Educação Públicas a as atividades previdenciárias (14% do PIB).

Portanto, a PMS de novembro, que acusou avanço de 0,4% sobre outubro, representa cerca de 58% do PIB de Serviços e cerca de 40% do PIB total, que em 2023 terá muito peso da agropecuária (deve chegar a 9% do PIB). Considerando os resultados acumulados em 12 meses da PMS (3,0%, com forte desaceleração desde os 3,6% nos 12 meses terminados em agosto), o Departamento de Estudos Econômicos do Itaú, cujo indicador próprio de atividades acusou mais desaceleração em dezembro, pode levar ao resultado final do PIB de 2023 abaixo de 3%.

É bom ficar claro, no entanto, que o Itaú previa avanço de apenas 0,1% em novembro. A LCA Consultores e a mediana do mercado acertaram na previsão de +0,4% sobre outubro.

A análise do Itaú

“Em novembro, a receita real do setor de serviços avançou 0,4% m/m com ajuste sazonal (-0,3% a/a), em linha com a mediana das expectativas do mercado (0,4% m/m) e acima da nossa projeção (0,1% m/m)”.

Para o Itaú, as maiores surpresas positivas, frente às suas projeções, “foram em 'Outros serviços' (3,3% a/a vs. -2,2% esperado) e 'Serviços profissionais, administrativos e complementares' (4,4% a/a vs. 3,0% esperado)”.

Entre as 5 principais categorias, 3 avançaram e 2 contraíram na margem. Os destaques positivos em novembro ficaram com 'Outros serviços' (+3,6% m/m) e 'Serviços prestados às famílias' (+2,2% m/m), enquanto 'Serviços de informação e comunicação' (-0,1% m/m) e 'Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio' (-1,0% m/m) registraram as maiores contrações.

Com o dado de hoje, o carrego estatístico para o quarto trimestre de 2023 ficou em -0,9% (índice cheio) e 0,1% (serviços prestados às famílias). Por sinal, os serviços prestados às famílias têm sofrido oscilações surpreendentes.

A visão do Bradesco

Para o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômico do Bradesco, “o resultado mais forte do que o esperado teve como destaques: outros serviços (+3,6%), serviços prestados às famílias (+2,2%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (+1,0%). Por outro lado, os transportes, assim como os serviços de informação e comunicação contribuíram negativamente para o resultado, fazendo com que o setor como um todo apresentasse um avanço pequeno em novembro”, diz a análise.

Assim como o Itaú, aponta ”carregamento estatístico para o restante do trimestre negativo em -0,9%”, o que já enfraquece o PIB na largada de 2024.

O Bradesco observa que “sob a ótica das contas nacionais, a PMS ponderada pelos pesos do PIB apresentou crescimento de 0,4% na comparação com outubro, mas com carregamento estatístico também em campo negativo para o quarto trimestre, em -0,4%”.

Na avaliação do Depec, “o resultado de novembro traz alguma cautela, visto que essa composição pode levar a um resultado um pouco mais fraco de serviços no trimestre, especialmente pela contribuição baixista de transportes”. Mas o Bradesco ressalta que, pela sua “Pesquisa Empresarial, o mês de dezembro poderá ser mais favorável para o setor e compensar alguns desses resultados”.

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