O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Para mercado, IPCA começa em baixa

Publicado em 15/01/2024 às 15:13

Alterado em 15/01/2024 às 15:13

A segunda pesquisa Focus de 2024 manteve a expectativa do mercado de forte redução da inflação no primeiro trimestre deste ano, comparado aos anos anteriores. De acordo com a divulgação feita hoje pelo Banco Central, o mercado espera alta de 0,40% no IPCA de janeiro (0,43% nas previsões dos últimos dias úteis), de 0,65% para fevereiro e de 0,31% (0,30% nas respostas dos últimos cinco dias uteis), acumulando 1,38% no pior dos cenários.

No ano passado, as altas foram de 0,53% em janeiro, 0,84% em fevereiro e 0,71% em março, acumulando 2,09%. As estimativas de 1,38% para o trimestre representam uma redução de 0,71 pontos percentuais. Com exceção de 2020, quando a inflação acumulada do primeiro trimestre ficou em 0,53%, já com efeito da pandemia, as estimativas para o início de 2024 são os menores dos últimos cinco anos.

As demais previsões do mercado apontam para um IPCA de 3,90% este ano (3,85% nas projeções dos últimos cinco dias úteis). Para 2025, o mercado espera IPCA de 3,50%, nível repetido para 2026 e 2027. O mercado reduziu a previsão do dólar em dezembro de R$ 5,00 para R$ 4,95. Já o dólar subiria R$ 0,05 em 3035 e 2026. Em função disso, a previsão da taxa Selic foi mantida em 9,00% em dezembro deste ano e em 8,50% para 2025, 2026 e 2027. Já a estimativa do PIB subiu de 1,59% para 1,60% para este ano e para 2,00% em 2025.

Haddad, Pacheco e o bom-senso

Depois de uma semana de pressão para que o presidente do Senado e do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) devolvesse a Medida Provisória elaborada pelo ministério da Fazenda em 29 de dezembro alterando a prorrogação da desoneração de encargos sociais para 17 setores, até 2027, e criando um calendário para a redução gradativa do incentivo, parece que o bom-senso baixou no lado do Legislativo e o presidente do Congresso deve acertar hoje com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, um esquema que agrade a gregos e troianos.

O sistema de desoneração foi criado em fins de 2017 com vigência até 31 de dezembro de 2023. A prorrogação sem redução escalonada transferiria o problema para 2027. Hadadd, como responsável pelo Tesouro Nacional, tem a obrigação de zelar pelo bo uso das finanças públicas. A oposição no Congresso, com apoio do mercado financeiro, encastelado na Faria Lima (SP) cobra cortes nos gastos. Mas essa rolagem eterna e sem condicionantes dos incentivos, cria uma despesa incontrolável.

Como a reforma tributária vai mudar a carga de tributos do país nos próximos cinco anos, Haddad quer que as medidas e benefícios fiscais dialoguem com o novo cenário adiante. Assim como as famílias tinham as rodinhas das bicicletas dos filhos, as empresas não podem ser amparadas “ad aeternum” pelo Tesouro. Como já ocorre há meio século com a Zona Franca de Manaus.

O Bolsa Família é um programa de amparo para emancipação familiar a partir do estudo e da capacitação laboral dos filhos. Por que o empresário seria diferente?

O estranho silêncio

Por falar em finanças publicas, é estranho o silêncio do Banco Central sobre o fato de que, devido às perdas de R$ 298 bilhões em 2022, depois de esgotadas as reservas de lucros do BC, o Tesouro Nacional terá de cobrir hoje um rombo de R$ 36,5 bilhões.

Como se vê, até a independência do Banco Central perante o Executivo é relativa.

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