Até Genial prevê corte de 0,50%
Os mercados financeiros estão atentos à decisão do Federal Reserve, que deve promover o último reajuste de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, que subiria à faixa de 5,25-5,50% ao ano, bem como da reunião, amanhã, do Banco Central Europeu (BCE). As atenções do mercado estão mais na fala do presidente do Fed, Jerome Powel, após a reunião do Federal Open Market Committee (FOMC), que deve deixar uma porta aberta para a eventual necessidade de aumentos futuros. Os BCs nunca baixam a guarda.
A LCA Consultores acredita que o processo de desinflação mundial está levando ao encerramento da temporada de alta dos juros pelos bancos centrais, com pouco suave da economia. No Brasil, que leva em conta o diferencial de juros entre a taxa Selic e os “fed funds”, para evitar a gangorra especulativa de capitais estrangeiros (e de brasileiros no exterior) para ganhos de arbitragem em juros e taxas de câmbio, a estabilização dá mais segurança ao Comitê de Política Monetária para iniciar o ciclo de baixa da Selic.
Embora considere que a desinflação vem sendo claramente mais rápida entre os bens comercializáveis, e começa a chegar aos componentes não-comercializáveis da inflação, a LCA continua, por ora, a avaliar que o ritmo de redução da taxa básica Selic será cauteloso. Ela projeta corte de 0,25 p.p. na reunião de 2 de agosto, seguido por reduções de 50 pontos-base nas reuniões subsequentes – o que levará a Selic a encerrar 2023 em 12% ao ano.
Uma das mais renitentes gestoras de recursos à possibilidade de redução da Selic este ano (até abril, ela previa a possibilidade de alta dos juros, assim como o Santander) a Genial Investimentos mudou radicalmente de posição e “após a divulgação do IPCA-15 do mês de julho, que apresentou deflação de -0,07%, menor que as expectativas dos analistas que apontavam para uma deflação de -0,03% e com uma composição bastante positiva” avalia que “a probabilidade de o Copom iniciar o processo de queda da Selic com redução de 0,50 pontos de porcentagem aumentou significativamente”.
O Santander esperava alta de 0,09% no IPCA-15 e baixa de apenas 0,25 ponto percentual na Selic, de 13,75% para 13,50%. Entretanto, deve estar mudando as previsões após a queda de 0,07% no IPCA-15 de julho. A Genial explicitou os motivos da sua mudança de posição.
“Além de a média móvel trimestral dessazonalizada e anualizada do índice cheio ter estabilizado a partir de fevereiro e entrado em trajetória de queda a partir de maio de 2023, desde abril a média dos núcleos e a inflação de serviços, cujas médias móveis trimestrais dessazonalizadas e anualizadas estavam na casa de 6,5% a 8,0% ao ano, respectivamente, entraram em desaceleração”
Inflação em outro patamar
Segundo a Genial, “a média dos núcleos, que estava em 6,5% em abril, caiu para 4,0% em julho e a inflação de serviços desacelerou de níveis próximos a 8,0% em março para 5,5% em julho. Ainda que os índices continuem muito acima das metas para a inflação, a queda dos núcleos e dos preços dos serviços começam a mostrar os efeitos da política monetária contracionista e justificam o início do processo de queda da Selic na reunião da próxima semana do Copom”. [discordo que a queda da inflação decorra da política monetária; a queda dos alimentos veio da supersafra e os outros preços foram influenciados pela nova política de reajuste de combustíveis da Petrobras].
“Neste contexto, dado o elevado diferencial entre a taxa Selic e a taxa neutra de juros, não seria surpresa se o Copom iniciasse o processo com uma queda de 0,5 pontos de porcentagem e não de 0,25 p.p. como prevíamos”, diz a Genial. O Itaú também está cauteloso, prevendo, por enquanto, queda de 0,25.
Contas externas sob controle
O Banco Central divulgou hoje o balanço de pagamentos de junho. A conta corrente foi deficitária em US$ 843 milhões no mês (o mercado esperava superávit de US$ 1 bilhão). O resultado a menor veio do saldo de quase US$ 1 bilhão a menos na balança comercial (US$ 8,6 bilhões) e na saída de juros (US$ 2,3 bilhões, contra previsão de US$ 1,6 bilhão) Tudo foi coberto com o fluxo de investimento estrangeiro, com entrada de US$ 1,9 bilhão em junho de Investimento Direto no País (IDP).
A operação padrão dos funcionários do Banco Central pode levar à revisão dos dados, pois a prévia do balanço de pagamentos até o dia 21.06 indicava entrada de US$ 4,8 bilhões.
O Itaú está prevendo déficit em conta corrente de US$ 35 bilhões este ano (1,7% do PIB), com melhora devido ao bom desempenho da balança comercial, menor saída de lucros e dividendos nos próximos meses e perda de força nos gastos de transportes. Para 2024, o Itaú projeta déficit de conta corrente em US$ 33 bilhões ou 1,5% do PIB.