Por que a Selic pode subir mais

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JB
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É consenso do mercado, referendado na Pesquisa Focus, encerrada 6ª feira e divulgada hoje pelo Banco Central, que a taxa Selic, o piso dos juros no Brasil, vai subir mais meio ponto para 13,75% ao ano nesta 4ª feira, após dois dias de reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central para avaliar a conjuntura nacional e internacional.

A pesquisa prevê que o IPCA, que estava em 11,89% na taxa de 12 meses de junho, feche o ano em 7,15% (7,11% nas projeções dos últimos dias úteis, que ainda não captaram a nova baixa da gasolina) e que o PIB suba 1,97% (1,94% nos ajustes de 5 dias úteis). Mas ainda não seria o fim do atual ciclo de alta, que começou em março de 2021, quando a Selic subiu de 2% para 2,75% até os atuais 13,25% ao ano.

Diante das pressões ainda disseminadas de alta nos preços que ficaram de fora das canetadas de redução de impostos e preços (combustíveis e energia elétrica, sobretudo) e das incertezas internacionais, uma parte do mercado espera que o Copom deixe a porta aberta para um ajuste final de 0,25 p.p. em 21 de setembro, para 14% ao ano. Muita gente não crê, pois o país estaria a 13 dias do 1º turno. Outros julgam que seria o atestado da independência do Banco Central, que Lula quer anular (depende de votação no Congresso) se for eleito.

A visão do Santander - O Santander chamou a atenção para o fato, de que apesar dos sinais de que “o fim do aperto monetário pode estar próximo, é necessário um período maior com a Selic, a taxa básica de juros, elevada para que a inflação volte ao centro da meta à frente (3,25% em 2023, e 3,00% em 2024) e as expectativas de inflação (5,33% em 2023 e 3,30% em 2024) tenham convergência para o centro da meta do governo”. Ou seja, o Santander, além de esperar 14%, acredita que a Selic ficará inalterada durante todo o 1º semestre de 2023 para baixar a fervura da inflação, que promete repique com o fim da baixa dos impostos, em 31 de dezembro.

A visão do Itaú - Já o Departamento de Estudos Econômicos do Itaú acredita que o comitê aumentará a taxa Selic em 0,50 p.p. para 13,75% a.a, em “movimento consistente com a comunicação presente na ata da reunião de junho, de um novo ajuste de igual ou menor magnitude para a próxima reunião, notando que a crescente incerteza da conjuntura, aliada ao estágio avançado do ciclo e seus impactos ainda a serem observados, demandariam cautela adicional em sua atuação”.

O Itaú espera que o Copom sinalize que o cenário mais provável é o de encerramento do ciclo, mas deixando a porta aberta a uma eventual alta final na reunião de setembro, em caso de deterioração adicional do cenário de inflação ou das expectativas de mercado. Esse “ajuste adicional seria implementado em menor ritmo (0,25 p.p)”. O banco destaca que as incertezas para as projeções de inflação, sobretudo de curto prazo, estão maiores que o usual, em meio a medidas recentemente adotadas de redução de impostos. Assim, diz o banco, ”será especialmente importante acompanhar a evolução das expectativas de inflação até a decisão do Copom (...) Uma nova piora substantiva nas projeções para o horizonte relevante de política monetária pode levar o comitê a sinalizar esta alta adicional para setembro”.

Para onde vai a inflação

O mercado, conforme a Pesquisa Focus, está esperando deflação de 0,65% no IPCA de julho, que será divulgado em 9 de agosto, queda de 0,11% no IPCA de agosto (que será divulgado em 9 de setembro) e alta de 0,56% no IPCA de setembro, que será conhecido em 11 de outubro, depois do 1º turno.

A LCA Consultores está prevendo queda de apenas 0,01% na inflação de julho. Mas a média do mercado está esperando redução da taxa de inflação, que estava em 11,89%, nos 12 meses terminados em junho, para a faixa de 7% em dezembro. A Genial Investimentos está prevendo IPCA de 6,9% em dezembro.

Mas todos preveem algum repique na inflação no ano que vem (comparada aos níveis do 2º semestre deste ano, estimada em torno de 3% a 4%). A mediana do mercado, na pesquisa Focus, previu 5,33% (5,32% nos últimos 5 dias úteis). A Genial prevê 5,4%, com a Selic fechando o ano em 10,5% (o mercado prevê a Selic em 11% em dezembro de 2023.

Paradoxo no mercado de trabalho

Todas as análises dos resultados do Caged de junho (quando foram criadas praticamente 275 mil vagas) e da PNAD Contínua do trimestre abril-maio-e junho, quando a taxa de desemprego recuou cerca de 2 p.p. entre janeiro (11,2%) e junho (9,3%), apontaram que o ritmo de recuperação do mercado de trabalho deve sustentar a expectativa de crescimento do consumo das famílias no 2º trimestre, como assinalou o Bradesco ao lembrar que no 2º trimestre houve a criação de 4,6 milhões de postos de trabalho, melhor desempenho da série histórica da PNAD Contínua, levando a ocupação a 98,3 milhões de pessoas.

O aumento da ocupação e algum avanço do nível de rendimento contribuiu para a expansão da massa de rendimento em termos reais, dando suporte para o consumo ao longo de todo o 1º semestre. Mas, as ruas do país mostram um cenário que não parece retratado nas estatísticas da PNAD Contínua. A população de rua não para de crescer, assim como o contingente na miséria que passam fome (33 milhões) e os 63 milhões com insegurança alimentar.

Mercado ainda muito ocioso

A LCA Consultores cruzou os diversos indicadores divulgados pelo IBGE e encontrou na série com ajuste sazonal um resultado ainda menor para a taxa de desemprego, que recuou para 8,7% em junho, ante 9,6% em maio. A população ocupada cresceu 0,9%, enquanto a força de trabalho ficou praticamente estável em +0,02%.

Mas ao relacionar a Força de Trabalho com a População em Idade de Trabalhar para encontrar a taxa de atividade, esta permaneceu 0,8 ponto percentual abaixo do patamar de fevereiro de 2020. A LCA lembra que a taxa de atividade é um dos poucos indicadores do mercado de trabalho que não retornou ao patamar pré-pandemia. Em junho, ela teve aumento de 0,06 ponto percentual em relação ao mês anterior, para 62,6%. A população ocupada cresceu de forma disseminada, com destaque para o setor privado com e sem carteira assinada.

A variação interanual do rendimento médio habitual da PNAD Contínua mostra perda salarial observada desde o início de 2021 com certa recuperação na margem, mas ainda em terreno negativo: -5%. A alta inflação foi um entrave adicional a uma retomada mais pujante do rendimento médio real. Os rendimentos médios real efetivo (R$ 2.661) e habitual (R$ 2.652), registraram altas de 1,8% e 0,8%, respectivamente, quando comparados ao mês anterior, mas ainda mostram quedas quando comparados a patamares pré-pandemia.

A LCA assina que “apesar da boa recuperação, o cenário do mercado de trabalho brasileiro continua ocioso, como revelado pelas taxas alternativas de desemprego. Adicionando-se os subocupados (aqueles que têm uma jornada de trabalho inferior a 40 horas semanais, mas gostariam de trabalhar por um período maior) aos desocupados, a taxa de desocupação com ajuste sazonal sai de 8,7% para 14,8%”, um aumento de 70% não captado nas pesquisas.

BB DTVM vira BB Asset Manegement

A partir de hoje, a BB DTVM, gestora de fundos de investimento do Banco do Brasil - cujo maior cliente é a Previ, a Caixa dos Funcionários do próprio banco, que lhe assegura o 2ª lugar na gestão de recursos no país, só perdendo para o Itaú -, passa a se chamar BB Asset Management ou BB Asset.

Aroldo Medeiros, presidente da BB Asset Management diz que a “mudança da marca está alinhada à sua evolução. A BB Asset vem se modernizando nos últimos anos: reforçou sua área de tecnologia, montou equipes focadas na gestão de fundos de renda fixa ativos e dedicados a estratégias de crédito privado, além de trabalhar na estruturação de equipes especializadas em estratégias com busca por alto potencial de retorno (high alfa) e em modelos quantitativos”. Nessa linha, a gestora lançou fundos inovadores e pioneiros no mercado, como as estratégias de ações Agro, Biotecnologia, Bolsas Globais. No segmento multimercado, podem ser mencionados os BB Multimercado Carbono e Criptoativos. O FIAGRO registrou mais de R$ 400 milhões de captação e o BB Renda Fixa Ativa Plus tem patrimônio de mais de R$ 4 bilhões. É da BB Asset o maior fundo multimercado do país: o BB Multimercado Juros e Moedas, com patrimônio superior a R$ 20 bilhões.

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