CA quer blindar Petrobras de Lula e Bolsonaro

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A interpretação corrente sobre a reunião de ontem do Conselho de Administração da Petrobras, que aprovou a Diretriz de Formação de Preços no Mercado Interno (Diretriz), deu ao Conselho de Administração a palavra final sobre a política de preços, que influi na geração de lucros da companhia, foi de que o governo, através de seus representantes no CA, poderá influir numa decisão que antes era exclusiva da Diretoria Executiva.

Mas um dos integrantes do Conselho de Administração da Petrobras, que participou da reunião, garantiu a esta coluna que o espírito da decisão do Conselho de criar uma “camada adicional de supervisão da execução das políticas de preço pelo Conselho de Administração e Conselho Fiscal, a partir do reporte trimestral da Diretoria Executiva, formalizando prática já existente”, tinha como intenção evitar que tanto Lula quanto Bolsonaro, que pontuam as pesquisas eleitorais, possam intervir desde já (no caso do atual presidente) ou no começo de 2023 (se Lula for eleito), na política de preços da estatal.

Na prática, segundo repisou, o Conselho de Administração passará a ser mais uma instância comprometida com os princípios de governança a serem cumpridos pela Diretoria Executiva e com a Política de Paridade de Preços Internacionais (atrelando os preços dos derivados de petróleo no mercado internacional aos do mercado interno, atualizados pela taxa de câmbio). A periodicidade dos reajustes (trimestrais para o gás natural) e variável para os demais combustíveis, continuará sendo decidido pela Diretoria.

A diretriz, entretanto, depende da possibilidade de o governo ampliar sua influência no Conselho de Administração. Dois nomes rejeitados pelo Comitê de Elegibilidades (Celeg) da companhia, por notórios conflitos de interesses - o secretário-executivo da Casa Civil, Jônathas Nery de Castro, e o procurador Geral da Fazenda Nacional, Ricardo Soriano de Alencar, tiveram os nomes reapresentados pelo Ministério das Minas e Energia, que pretende controlar com rédea curta a empresa sob controle estatal.

Os membros do CA, consideram que há enormes riscos de ações de acionistas minoritários, no Brasil (junto à Comissão de Valores Mobiliários) e no exterior (junto à Securities Exchange Commission, dos Estados Unidos) se a empresa abdicar dos princípios de governança para ceder aos caprichos eleirorais e populistas dos governos.

 

CA decide hoje sobre Dividendos

O Conselho de Administração volta a se reunir nesta 5ª feira para examinar a solicitação do governo, feita em junho, de que as principais estatais controladas pela União antecipassem a distribuição de dividendos para o acionista controlador de modo a que a União possa bancar os gastos de mais de R$ 42 bilhões do pacote de bondades eleitorais, para turbinar as chances de reeleição do presidente Jair Bolsonaro. A questão pode dividir os conselheiros.

O Banco do Brasil, que vem recompondo os índices de liquidez desde 2015, já avisou que não pode atender aos pedidos. Mas a Caixa Econômica Federal, que é uma empresa de capital fechado, já disse sim, assim como o BNDES, que não tem ações negociadas.
A Petrobras, que divulgará os resultados financeiros do 2º trimestre depois do fechamento dos mercados no Brasil e nos Estados Unidos (por volta das 20 horas), segundo as estimativas dos analistas, deve lucrar um pouco menos que os R$ 44,5 bilhões do 1º trimestre. Do lucro do ano passado, a companhia distribuiu R$ 101,3 bilhões aos acionistas, incluindo a União

 

A escalada do Fed

Os mercados financeiros de todo o mundo respiraram aliviados quando o Federal Open Market Committee decidiu, de forma unânime, por um aumento de apenas 0,75 pontos percentuais na taxa dos “fed funds”, que passaram a 2,50%. Se o Fomc, o colegiado de 12 membros que decide a política monetária do Federal Reserve, adotasse alta de 1%, temia-se muita reversão de operações futuras nos mercados de ações, moedas, commodities e títulos de renda fixa.

Jerome Powell lembrou que a reversão de alguns preços de commodities aliviou a pressão inflacionária, mas o Fed ficará atento com os próximos desdobramentos. Para o Brasil, que só terá reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central na próxima semana (2 e 3 de agosto), haverá tempo para o Copom e os investidores reavaliarem as posições.

O economista Otaviano Canuto, que foi diretor do Fundo Monetário Internacional e acompanha diretamente a economia dos Estados Unidos acompanhou o discurso de Powell e considera que as próximas duas reuniões do Fomc terão dois aumentos de 0,5 p.p este ano, que terminaria com piso de juros de 3,25 a 3,5%. E ele espera mais duas altas de 0,25 p.p. no começo de 2023.

No longo prazo, levando em conta o retorno da inflação a 2%, Canuto prevê que a taxa nominal neutra seria 3%. Como Powell observou que por algum tempo a economia americana terá de andar a um ritmo abaixo do potencial, os juros do Fed terão que ir acima do nível neutro, para o que os 4% nominais do início de 2023 poderiam o ponto de pausa. Tudo isso dependeria do comportamento da inflação nos próximos meses.

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