Gasolina dá deflação em julho e agosto

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A Petrobras anunciou ontem queda de 4,94% no preço da gasolina, válido a partir de hoje (20 de julho). O preço do litro para as distribuidoras sem tributos baixou em média R$0,20/litro. O diesel ficou inalterado. Como a gasolina tem peso direto relevante no IPCA, o impacto no indicador oficial da inflação, calculado por bancos e consultorias, já vai se manifestar nos índices de julho (divulgado em 9 de agosto) e de agosto (9 de setembro), podendo influir na campanha eleitoral, se for capaz de anular os outros aumentos e gerar deflação.

Segundo a LCA Consultores, a alteração terá seu 1º impacto no IPCA de julho, quando a gasolina cairia 14,08% (já computando os impactos das reduções de impostos (ICMS e PIS/Cofins) aprovadas na PEC das bondades eleitorais. No IPCA-15 de agosto, a baixa seria de 12,51%. Isso faria o IPCA de julho ter deflação de 0,79% na projeção da consultoria. A Genial Investimentos estima uma deflação de 0,50% em julho e o Itaú calcula uma deflação de 0,20%.

Para agosto, a LCA prevê queda de 4,51% da gasolina no IPCA cheio, levando o índice mensal da inflação a registrar variação positiva de 0,26%. Já a Genial estima estabilidade e o Itaú calcula que o IPCA de agosto vai ter redução de 0,04 pontos base. Como o índice no ano passado foi acima de 1%, a inflação em 12 meses teria queda expressiva. A LCA ainda prevê efeito de baixa da gasolina no IPCA-15 de setembro (-0,53% no item), indicador que será divulgado na véspera da votação do primeiro turno (2 de outubro).

O que ainda pesa na inflação

A redução no preço da gasolina, acompanhando a baixa do barril de petróleo no mercado internacional (baixa que só não foi maior porque o real se desvalorizou nos últimos 45 dias) vai ajudar a neutralizar parte dos outros aumentos. Na terça-feira (26/07) o IBGE divulga o IPCA-15 de julho, que mostrará as pressões baixistas e altistas da inflação. A LCA projeta alta de +0,16% no IPCA-15, bem abaixo da parcial de junho (+0,69%).

Em Habitação haveria queda de 0,44% (+0,64% em junho), por desaceleração em aluguel residencial, taxa de água e esgoto e gás encanado, e também a queda de energia elétrica residencial, devido aos efeitos do alívio tributário esperado para ser maior no IPCA de julho. Em Transportes, a LCA vê a queda da gasolina provocando deflação de 1,04% (após alta de 0,87% em junho), com influência no etanol. No grupo Comunicação, haveria deflação de 1,04%, ap[os alta de 0,36% em junho.

Haverá desaceleração em Artigos de residência (de +0,94% em junho para +0,46% em julho), pela desaceleração de Móveis e utensílios e também pela queda de Eletrodomésticos e equipamentos. Vestuário reduziria dos 1,77% em junho para +0,96% em julho, passado o impacto da entrada da coleção inverno. Em Saúde e cuidados pessoais passe haveria baixo dos 1,27% de junho para 0,74% em julho, com diluição da alta sazonal de Produtos farmacêuticos, e alta moderada (daqui por diante) dos Planos de saúde, mais intenso em junho.

BC rola 100% dos swaps cambiais

Para ajudar a neutralizar um fator de pressão nos produtos transacionados com o exterior, o Banco Central deu início hoje à rolagem dos contratos de swap cambial com vencimento em 1° de setembro de 2022, no montante de US$ 15,1 bilhões (301.310 contratos).

Para aliviar a pressão durante o período eleitoral, serão ofertados 15 mil contratos com vencimentos em 02/01/2023 e 02/05/2023. O estoque atual de swap cambial é de cerca de US$ 100 bilhões.

Na gangorra dos PIBs, Brasil fica mal

A LCA Consultores fez nova revisão do crescimento da economia mundial e do Brasil. Para a consultoria, “o esfriamento econômico global será de intensidade e duração moderadas, de modo que o ambiente internacional seguirá desfavorável aos emergentes no curto prazo, mas tenderá a ficar gradativamente menos desfavorável até o final deste ano; e apresentará alguma melhora ao longo de 2023“.

Apesar do quadro internacional desafiador, a LCA elevou novamente para cima a previsão do crescimento do PIB do Brasil para 2022 (de 1,6% para 2,1%) “em função das iniciativas oficiais para conter a inflação e elevar a transferência de recursos para a população, que deverão dar impulso temporário ao consumo”. A economia mundial deve crescer 2,9% este ano (o crescimento da China foi revisto de 3,8% para 3,2% e o dos Estados Unidos, caiu de 1,8% para 1,5%).

Mas a consultoria reitera que “esse reforço de iniciativas pré-eleitorais tende a tornar o cenário doméstico para 2023 mais desafiador; e provavelmente exigirá não apenas um freio de arrumação mais incisivo na seara fiscal, como também a manutenção de condições monetárias restritivas por um período mais prolongado. Ela reduziu a previsão do crescimento do PIB em 2023 para apenas 0,5%. Isso em meio a um crescimento de 3% do PIB mundial, com alta de 4,8% para a China e de 1,2% para os EUA.

Ademais, o conjunto de iniciativas recentes (adotado através de mudanças constitucionais abruptas), aumenta a percepção de risco de longo prazo – ao enfraquecer a credibilidade dos trâmites legislativos, elidir diversas regras fiscais e driblar salvaguardas republicanas erigidas pela legislação eleitoral.

Risco de cenário adverso

A Consultoria também rebaixou “o crescimento projetado para o PIB – tanto para o horizonte de médio prazo, de 2023 até 2025, como, em menor medida, para prazos mais longos. Ademais, preservamos em 30% a probabilidade de um cenário alternativo adverso, em que a economia brasileira atravessaria uma recessão em 2023, registraria retomada lenta e irregular nos anos seguintes e teria um crescimento de longo prazo ainda menor em relação ao que projetamos em nosso cenário base”.

Para a LCA, “essa situação fiscal relativamente confortável tenderá a se inverter em 2023, quando a economia e a inflação deverão desacelerar, restringindo o aumento da arrecadação; e as pressões por reajustes na remuneração dos servidores públicos se ampliarão. Ao lado disso, embora algumas das recentes reduções de impostos e elevações de transferências de recursos tenham vigência prevista só até o encerramento de 2022, será politicamente custoso, e portanto difícil, resistir à pressão pelo prolongamento de sua vigência – o que também poderá pesar sobre a arrecadação e as contas públicas”, adverte, prevendo um ano difícil para o Executivo eleito em 2023.

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