Copom anuncia juro alto por muito tempo;

Governo Bolsonaro demoniza a Petrobras

JB
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A íntegra da Ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central, divulgada hoje, para explicar as razões da alta de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, para 13,25% ao ano na semana passada, foi clara: há pressões inflacionárias externas e internas, mas em meio às crescentes incertezas fiscais (o Copom não mencionou quadro eleitoral) que exigirá novo aumento igual ou menor em 21 de julho, mas a taxa Selic deve continuar alta por muito tempo para tentar trazer à inflação à mate em 2023.

Isto posto e explicado, o Departamento Econômico do Bradesco, com visão conservadora, concluiu: “o BC voltou a reconhecer a deterioração do cenário externo, os riscos para a inflação e a evolução mais positiva da atividade econômica. No entanto, avalia que a recuperação ainda reflete, majoritariamente, o processo de normalização da economia após a pandemia”. O Bradesco acrescenta que “o comitê voltou a apontar que o ciclo de aperto monetário corrente foi bastante intenso e tempestivo e que, devido às defasagens de política monetária, parte considerável do efeito contracionista (e seu impacto sobre a inflação) ainda não foi observado”.

 

Próximos passos: Selic a 13,75%

“O Banco Central vê como apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando em território contracionista e sinalizou um novo ajuste, de igual ou menor magnitude na reunião de agosto, enfatizando que a perspectiva de manutenção da taxa Selic no nível do cenário de referência por um período suficientemente longo não asseguraria a convergência da inflação para ao redor da meta no horizonte relevante”.

Dado o novo direcionamento do comitê, reavaliaremos nossa projeção para Selic terminal deste ano em nossa próxima publicação de cenário. Preliminarmente, esperamos que o Copom encerre o ciclo em 13,75% a.a. Vale dizer que o Copom chegou a mencionar que no cenário de Selic fechando dezembro de 2022 em 13,25% a.a., a taxa cairia para 10,0% em 2023 e 7,50% em 2024. Com juro maior este ano (e as incertezas sobre a eficácia do pacote de redução temporária dos impostos sobre energia, telecomunicações e combustíveis), pode-se esperar a Selic entre 9% e 10% em 2023. O que é coerente com a projeções de baixo crescimento ou PIB negativo ano que vem.

 

Cortina de fumaça: Petrobras é a vilã

Não bastasse o vomitório de impropérios disparado pelo presidente Jair Bolsonaro e sua tropa de choque no Congresso desde que a Petrobras anunciou na manhã de 6ª feira, 17 de junho, que reajustaria a gasolina *5,18% e o diesel em 14,26% no sábado (Bolsonaro, já informado, aumentou o diapasão das críticas e, para se livrar da responsabilidade, propôs uma CPI da Petrobras. Isso forçou a demissão, ontem, do presidente Mauro Coelho, o que, teoricamente, poderia abrir caminho à efetivação de Paes de Andrade.

Mas Paes de Andrade tem deficiências no currículo para ser aprovado pelo Comitê de Pessoas da Petrobras. Mas, sabe-se como é, candidato com pistolão ou canhão, sempre tem chances.

De qualquer forma, dentro do teatro encenado desde 6ª feira, o ministro das Minas e Energia, Adolfo Sachsida, foi ao Congresso hoje e desembrulhou uma história de que a Petrobras tem completa autonomia para fixar preços (conforme o PPI). Uma forma de eximir o presidente Bolsonaro de responsabilidade, como se ele não fosse governo desde 1º de janeiro de 2019 e só agora, no calor da campanha eleitoral descobre isso.

Outro canastrão da mesma peça, o presidente da Câmara, Arthur Lira, recitou um longo monólogo com propostas de mudanças radicais nos trâmites da administração da Petrobras e dos critérios de reajuste de preço, defendendo um sistema de maior estabilidade (falta combinar com os russos).

Patético, pois tudo isso podia ser discutido desde o ano passado, como propôs a Oposição no Senado, mas o próprio governo brecou. Agora que os reveses vindos da guerra da Rússia na Ucrânia atingem as vidraças do Palácio do Planalto, o governo e sua base aliada resolve agir. Francamente! Só acredita nos bons propósitos quem quer.

 

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