Governo nota 10% em inflação e juros; 3% em gestão

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A última Pesquisa Focus, divulgada nesta 2ª feira pelo Banco Central, com as avaliações da economia feita por uma centena de instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa até 6ª feira, 19 de novembro, deu nota 10 ao governo Bolsonaro: 10,12% como a nova projeção na mediana da inflação do mercado prevista para 2021 (10,16% nas respostas dos últimos cinco dias úteis). O Itaú prevê 10,1% de inflação do IPCA.

Com a escalada da inflação para dois dígitos, o mercado espera forte alta dos juros, que fechariam em 9,25% ao ano em 2021 e suba para 11,25% em março de 2022, permanecendo neste patamar até dezembro de 2022. O Itaú projeta a Selic em 11,75% em março, com novas altas de 1,50 pontos percentuais em 8 de dezembro e 2 de fevereiro e um arremate de 1 p.p. em 16 de março.

Na linha inversa, enquanto a inflação e os juros aumentam, o PIB desacelera. Na visão do mercado, o PIB de 2021 encolherá o crescimento para 4,80% (4,78% nas previsões dos últimos dias úteis) e o de 2022 irá desacelerar para 0,70% (o Itaú reviu para 4,7% a projeção de 2021, que era de 5,0%, e manteve a queda de 0,5% em 2022). Na Focus, o mercado está prevendo o modesto crescimento de 2% para o PIB de 2023 e de 2024. Há dois anos, era consenso no mercado de que o PIB cresceria de 2,5% a 3,5% a.a. de 2023 em diante.

 

Na revisão do Itaú só PIB do Brasil desacelera

O Departamento de Estudos Econômicos do Itaú divulgou hoje novas projeções para a economia mundial e dos principais países. O crescimento mundial foi mantido em 6% este ano e o de 2022 foi mantido em 3,9%.

A economia dos Estados Unidos desacelera este ano dos 5,9% estimados em 25 de outubro para 5,5% e a previsão de alta de 4,3% foi mantida em 2022.

Na Zona do Euro, a previsão deste ano aumentou de 4,9% para 5,2%, com desaceleração em 2022 de 4,8% para 4,5%.

Na China, o PIB aumenta este ano de 7,7% (previstos em outubro) para 7,8%, ficando inalterada a taxa esperada para 2022: 5,1%.

Até na América Latina o Brasil vai mal. O PIB da vizinha Argentina foi revisto de 7,8% para 8,5%% este ano e mantido em 1,4% no ano que vem.

A previsão para o PIB do México ficou estável este ano em 6,4% e recuou de 2,6% para 1,1% em 2022 (melhor do que o Brasil).

Na Colômbia, o PIB deve acelerar de 8,1% para 9,5% este ano e de 2,7% para 3,7% em 2022.

No Chile, a última revisão do PIB aponta para alta de 12% este ano (10,8% em outubro), com expansão de 1,8% em 2022 (era de 1,9% em outubro).

 

Campos descobre o óbvio

Quando seu avô, Roberto de Oliveira Campos era ministro do Planejamento e inventou com o ministro da Fazenda, Octávio Gouvêa de Bulhões, a correção monetária generalizada em meados de 1064, para recuperar o crédito público e proteger o Erário contra os devedores contumazes (havia apenas a correção do ativo imobilizado – coluna 12 do IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas), o atual presidente do Banco Central nem era nascido. Em 1969, quando veio ao mundo, a correção monetária já se generalizara no Sistema Financeiro da Habitação, no mercado financeiro e em várias práticas comerciais.

Por isso chega a ser cômica, se não fosse trágica, sua palestra da última 6ª feira quando Roberto Campos Neto alegou que “os países com memória inflacionária têm risco de indexação maior. Assim, as economias emergentes foram mais céleres na elevação de juros, pois inflação global foi amplificada por elementos internos e tem se disseminado”. Qualquer economista com formação razoável no Brasil tem isso como Beabá. Como presidente do Banco Central, responsável pela proteção da moeda, deveria ter sido muito mais proativo “no processo de aperto monetário para ganhar credibilidade e evitar que a memória brasileira de indexação afete os preços ao longo da cadeia”. Como não segurou o dólar desde o ano passado, a inflação está sempre correndo à frente dos esforços do BC no aumento (atrasado) dos juros.

E não serve de consolo sua observação de que “o BC tem observado a inércia, mas não tem visto aumento”, dos patamares da inflação. O consumidor tem visão diversa. Vê a inflação escalar patamares semanais sob a inércia do BC e do ministro da Economia, Paulo Guedes.

 

Sucesso na largada

O Park Jacarepaguá, o 5º shopping inaugurado pelo Grupo Multiplan, na última 5ª feira, teve o primeiro fim de semana de sucesso absoluto. Segundo o vice-presidente institucional da Multiplan, Vander Giordano, a filial Jacarepaguá da C&A bateu o recorde de vendas entre as lojas brasileiras do grupo holandês.

Encravado numa região de influência de quase 800 mil habitantes, o shopping gera 4 mil empregos diretos e mais de 5 mil indiretos. Ele surgiu onde antes foi a fábrica da Antártica, incorporada pela Brahma, na criação da Ambev, em 2000, confirmando o poder de geração de emprego da economia terciária em comparação com a indústria, cada vez mais automatizada.

Depois de inaugurar o 1º shopping em Minas Gerais, em 1979, e o 2º em Belo Horizonte no ano seguinte, a Multiplan chegou ao Rio em 1981, quando construiu o BarraShopping. Em 1999, criou em anexo, o New York City Center. Em 2012, inaugurou o ParkShopping Campo Grande, vizinho a Jacarepaguá, e o luxuoso Village Mall, também na Barra da Tijuca.

 

Liberdade econômica para o Rio

A Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, comandada pelo vereador Carlos Caiado. põe em votação esta 5ª feira o projeto de Lei que traz para a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro o modelo de desburocratização e maior liberdade para os pequenos negócios. Entre os setores mais beneficiados, os das indústrias gráficas e de confecções, fortes geradoras de emprego e renda.

 

Perguntar não ofende

Do presidente do Rio Indústrias, Sérgio Duarte, em provocação ao secretário de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro, Nélson Rocha, em almoço no Assador Rio’s, no qual, entidade que defende a retomada da indústria no estado, homenageou personalidades da política, da administração do do meio empresarial do Rio de Janeiro.

- É inadmissível que quase toda água mineral servida em almoços e jantares no Rio de Janeiro venham ou de Minas Gerais ou de São Paulo. Temos de estimular nossas fontes produtoras.

Ele lembrou ao secretário de Fazenda que é preciso usar os impostos como outros estados estão fazendo (ignorando a trégua entre os secretários de Fazenda) para atrair ou incentivar indústrias. O RJ é o 2º PIB do país e o 2º estado consumidor, mas quando entra na escala de recolhedor de impostos entra em 6º ou 7º lugar, porque muitas indústrias deixaram de produzir aqui, pela forte incidência dos impostos. Com menos volume, a arrecadação é menor do que seria se fosse mais suave, porém com uma base maior de produção.

 

O caso da indústria farmacêutica

O Rio já foi o berço principal da indústria farmacêutica e hoje perde espaço para Goiás e até para o vizinho Espírito Santo, que dá incentivos (via menor taxação 8,5%) na importação de insumos pelo porto de Vitória. O Rio de Janeiro cobra 18% mais um adicional de 2%.

A ameaça já nem mais recai sobre a indústria, mas vem da taxação sobre os centros de distribuição, que podem fugir para o ES ou Juiz de Fora (MG).

 

Rio, uma questão estratégica

Na ausência do governador Cláudio Castro, representado pelo secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, e do prefeito Eduardo Pes, representado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação, Chicão Bulhões, tanto Sérgio Duarte, que parece claramente liderar um movimento para romper a inércia da Firjan, para a qual foi reeleito, para o 9º mandato de quatro anos, em agosto do ano passado, o empresário Eduardo Eugênio de Gouvea Vieira, quanto o presidente da Assembleia Legislativa, deputado André Siciliano (PT-RJ) defenderam uma nova integração entre as forças econômicas e políticas do Estado do Rio de Janeiro, ignorando a Firjan e Eduardo Eugênio.

Eduardo Eugênio foi eleito para a Firjan, em 1995, após a reforma dos estatutos promovida em 1994 pelo ex-presidente Artur João Donato, que unificou sob as asas da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, todas as representações empresariais e sindicais patronais da indústria fluminense. Mas Donato, que se eternizaram no cargo por 15 anos (seu antecessor, Mário Leão Ludolf, ficou mais de duas décadas), não só construiu a moderna nova sede na Rua Santa Luzia, esquina de Graça Aranha, como reformou os estatutos permitindo apenas uma reeleição. Em 2000, entretanto, Eduardo Eugênio mudou os estatutos e conseguiu um 3º mandato, sucessivamente renovado. Em 17 de agosto de 2020, em plena pandemia, venceu a chapa encabeçada pela presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Ângela Fontes, dona de indústria de embalagens, por 58 votos a 42 e uma abstenção. Já são 26 anos, com vigência, até 2024, à frente da Firjan.

Muitos empresários querem se preparar, desde já para criar uma alternativa para a renovação e a retomada da indústria fluminense. Desde que sua família vendeu o grupo Ipiranga e se afastou da Petroquímica, que tinha tudo passa assumir um papel chave no Estado, através do Comperj, o complexo petroquímico que a Petrobras iria construir em Itaboraí e foi atropelado pela queda dos preços do petróleo em 2008/09 e depois pela Lava-Jato, a Firjan nunca se empenhou para valer para explorar as potencialidades que o petróleo e o gás das bacias de Campos e Santos oferecem no litoral do estado.

 

A Rota 4 B do Gás

Sérgio Duarte defendeu o empenho das classes empresariais, das forças políticas e do governo do Estado na criação de incentivos para que o Rio de Janeiro, através do Porto de Itaguaí e pelo assentamento paralelo de sua tubulação, na faixa de domínio do Arco Metropolitano, que corta toda a Baixada Fluminense, desde Itaguaí, leve o gás da Bacia de Santos para a central do Comperj, onde o gás natural poderia ter aproveitamento mais nobre na petroquímica.

Ele pediu o empenho do secretário Miccione para que São Paulo não abocanhe o gás através do terminal de São Sebastião, de onde seria enviado ao complexo petroquímico de Paulínia (SP), onde estão a maior refinaria da Petrobras e a Braskem, controlada pelo grupo Odebrecht e que tem a estatal com 47% das ações. Foi apoiado imediatamente pelo presidente da Alerj, André Siciliano, e pelo prefeito Washington Reis, de Duque de Caxias, onde a Petrobras opera indústrias petroquímicas à base de gás natural, junto à Reduc.

 

O Distrito Industrial de Santa Cruz

Outro pleito importante teve resposta no almoço: o secretário municipal Chicão Bulhões informou que o prefeito Eduardo Paes atendeu o pedido da Rio Indústria para reforçar as estradas de acesso da Avenida Brasil ao Distrito Industrial de Santa Cruz, um dos mais dinâmicos do município.

O Secretário disse que os indicadores recentes mostraram a criação de 50 mil empregos com carteira assinada no município e pediu aos empresários para que voltem a acreditam nas potencialidades da cidade e do Estado.

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