O erro estava nos números do Caged

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Durante a segunda metade de 2020, quando começou a haver recuperação dos empregos perdidos nos meses mais duros do impacto da pandemia da Covid-19 decretada em meados de março, no mercado de trabalho (houve 265,6 mil demissões líquidas – descontadas as admissões- em março, 957,6 mil em abril e 359,4 mil em maio) e ao longo de 2021, o ministro da Economia, Paulo Guedes, não se cansava de usar as estatísticas do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados com carteira assinada) para louvar “a retomava em V da economia”.

Quando confrontado com os dados, ainda bem negativos e com recuperação mais lenta, exibidas nas pesquisas das médias móveis trimestrais da PNAD Contínua do IBGE, o ministro Paulo Guedes aproveitava para fustigar o IBGE (cujos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio guardam um mês de defasagem em relação aos dados do Caged), dizendo que Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, subordinado a seu ministério, estava com dados e metodologia atrasados (em parte porque as pesquisas mensais de campo só voltaram a ser feitas a partir de maio deste ano).

Mas agora a casa caiu. O Ministério do Trabalho e Previdência, pasta recriada em fins de julho para abrigar o ex-ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni (que já fora removido da Casa Civil no ano passado), divulgou nesta 4ª feira uma notícia bomba. Os dados do Caged é que estavam demasiadamente inflados, oferecendo um quadro melhor do que a real na criação líquida de empregos com carteira assinada: em vez da criação de 142.690 empregos líquidos no ano passado, houve, de fato, a criação de apenas 75.883 vagas.

Essa redução de 46,82% - quase pela metade – mostra que a economia não recuperou as perdas de vagas no período mais crítico da pandemia. É que em janeiro e fevereiro (antes de os reflexos da pandemia chegarem ao Brasil) o país tinha acumulado a criação de 342.183 vagas líquidas. Antes da revisão, portanto, na pós-pandemia, o país tinha perdido bem mais empregos (200 mil). Com o novo número, revisto para baixo, a perda líquida de 2020 ficou em 266 mil empregos.

O erro foi da pasta de Guedes

Paulo Guedes costuma terceirizar para outros ministérios e autarquias falhas da política econômica que são de sua responsabilidade. No caso do Caged, não pode atribuir falhas à equipe de Onyx Lorenzoni. Em primeiro lugar porque os dados, até o fim do 1º semestre deste ano, eram levantados pela equipe escolhida por Paulo Guedes, que tinha atraído as pastas do Trabalho e da Previdência para a Economia, assim como as pastas da Fazenda, Planejamento e Indústria, Comércio, Serviços e Comércio Exterior. E a equipe técnica do novo Ministério do Trabalho e Previdência foi recrutado pelo ex-secretário de Trabalho e Emprego de Paulo Guedes, Bruno Bianco, novo secretário executivo que nem esquentou a cadeira pois foi nomeado para comandar a Advocacia Geral da União (AGU).

Mas Guedes, que costuma usar números para oferecer uma narrativa favorável, derrapou ontem ao vincular o quadro do desemprego “à queda de 4,5% no PIB”. Se o IBGE não fez revisão do número, Guedes se enganou, pois a queda oficial foi de 4,1%. Oficialmente, o Ministério do Trabalho e Previdência, que divulgou a correção (falta mostrar a nova série completa de 2020), atribuiu o fato à prestação de dados com atraso pelas empresas. Seis meses parece ser um prazo muito largo para a correção do erro.

Vale lembrar que o governo, além de inflar a criação de empregos (e sobretudo, a perda de empregos), tentou escamotear para baixo os números de vítimas da Covid, mas foi impedido pelo pool dos meios de comunicação.

Quem lucra mais: Itaú ou Bradesco?

O Itaú divulgou ontem seu lucro líquido recorrente do 3º trimestre – R$ 6,779 bilhões, com retorno de 0,5% sobre o patrimônio líquido médio. Mas o Itaú controla a Corpbanca, que opera no Chile, Peru e Colômbia, além de ter filiais na Argentina, Paraguai e Uruguai. Tirando os R$ 334 milhões de ganhos nestes países, o lucro no Brasil cai para R$ 6,445 bilhões. Mas há ainda um outro conceito: o lucro contábil, que foi de R$ 5,780 bilhões.

O Itaú segrega em três suas operações no Brasil. O banco de Varejo lucrou R$ 2.369 bilhões, com queda de 2,7% frente ao 2º trimestre, mas avanço de 12,5% frente ao mesmo período de 2020. O banco do Atacado lucrou R$ 2,743 bilhões, um avanço de 8,5% no trimestre e de 39,8% frente ao 3º trimestre de 2020. Por fim, as atividades de Mercado e Corporativas tiveram ganhos de R$ 1,667 bilhão, com aumento de 5,5% no trimestre.

No acumulado dos primeiros nove meses, o Itaú-Unibanco, que engloba as operações da América Latina, lucrou R$ 19,720 bilhões. O lucro contábil foi de R$ 18,754 bilhões, um aumento de 65,7% sobre os R$ 11,318 bilhões de janeiro a setembro de 2020.

O Bradesco divulga os resultados nesta 5ª feira, após o fechamento das Bolsas (B3 e Nova Iorque, onde tem ações negociadas). Nos últimos meses, o Bradesco reduziu a diferença de lucros que o Itaú passou a ter desde que incorporou o Unibanco, em fins de 2008, numa fusão em que ficou com posição majoritária. Chegou a ter ganhos maior que os do Itaú, excluindo a América Latina.

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