Economia entrou no círculo virtuoso

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Os dados do Caged de maio, com a geração líquida de 280,7 mil postos de trabalho com carteira assinada, parecem indicar que a economia brasileira vai entrar neste 2º semestre em um círculo virtuoso, segundo os departamentos econômicos de bancos e consultorias. As analisar os dados do Caged de maio (que descontando os efeitos sazonais, indicaria a geração de 274 mil vagas, segundo o Bradesco, ou 277,4 mil postos (contra apenas 25,8 mil em abril, quando muitas cidades ampliaram as restrições para conter novas ondas de Covid-19, segundo a LCA Consultores), as duas instituições observam que média móvel trimestral subiu de 170 mil para 178 mil vagas criadas por mês. Em maio, salienta a LCA, as admissões cresceram 21,5%, enquanto o avanço dos desligamentos foi de apenas 2,2%.

Para o Bradesco, esse resultado corrobora a visão de aceleração da atividade econômica ao longo do segundo trimestre, diante da maior flexibilização das medidas de distanciamento social. Para os próximos meses, o Depec Bradesco considera que “os ganhos de mobilidade pelos avanços na imunização da população devem impulsionar o mercado de trabalho, inclusive o informal”.

Ao analisar o movimento do Caged por grandes setores, a LCA destaca que “ os dados de maio mostram criação líquida de empregos formais generalizada”. O setor de Serviços, o que mais emprega e o que mais foi afetado pela pandemia, teve boa recuperação, assim como o setor de Comércio, também dependente da circulação de pessoas. Outro destaque é a Agropecuária, que registrou 42,5 mil postos formais em maio.

Quando a economia cresce, tudo melhora

O crescimento da economia, ainda que não seja uma recuperação brilhante, capaz de anular as perdas da pandemia e ainda recuperação as pesadas perdas da recessão de 2015 e 2016, não apenas melhora o quadro do mercado de trabalho, mas impacta todos os indicadores econômicos. O Produto Interno Bruto, que é a reunião de bens e serviços, além de renda produzidos ao longo de cada ano, descontando o deflator implícito do próprio PIB, reflete os setores que lideram o crescimento.

Mas seus impactos não ficam apenas no aumento do emprego e da renda circulante. Quando os volumes de produção crescem, melhora a arrecadação. E a arrecadação vem batendo recordes. Não só pelo aumento da produção de diversos setores. Os dados de maio, divulgados nesta 6ª feira pelo IBGE, revelam que a indústria cresceu 1,4% sobre abril (com ajuste sazonal), interrompendo três meses seguidos de queda (perda acumulada de 4,7%). Frente a maio de 2020, o crescimento atingiu 24,0%, 9ª taxa positiva seguida, a 2ª mais alta da série histórica (o recorde de 34,7% ocorreu em abril). No ano, a indústria acumula alta de 13,1% e, a taxa em 12 meses é de 4,9%.

Apesar do resultado, o Departamento de Estudos Econômicos do Itaú manteve a previsão de que o PIB vai crescer 0,2% no 2º trimestre. Para o ano, já contando com a “aceleração do crescimento neste 3º trimestre” o Itaú espera avanço de 5,5% no PIB. Na próxima semana saem dados do varejo de junho. A LCA espera alta de 2,90% no varejo restrito sobre maio e de 4,20% no varejo ampliado, que engloba veículos, motos, autopeças e material de construção.

Com a alta combinada do dólar e dos preços internacionais, todos os setores altamente envolvidos na exportação ou que utilizam bens importados na cadeia de produção e consumo passaram a trabalhar com valores mais elevados.

O impacto disso é bom para a Receita Federal, mas é inegável que a maior arrecadação que cresceu 70%, descontada a inflação, sobre maio de 2020, pegou carona na escalada da inflação, estimulada pela alta do dólar e das commodities agrícolas e derivados de petróleo (que retomou forte alta desde dezembro de 2020). Dados da inflação dos produtos agrícolas este ano mostram alta de 11,24%, com alta acumulada de 53,29% em 12 meses. Já os combustíveis e a energia elétrica, que acumulam alta de 45,05% em 12 meses, subiram 22,05% de janeiro a junho deste ano.

Mas o impacto mais importante se dá nos parâmetros dos indicadores macroeconômicos, todos vinculados ao PIB. Quando o PIB, que funciona como denominador, aumenta a relação da dívida bruta com o PIB reduz (era de 85,6% no começo do ano e caminhava para 90, mas encolheu para a faixa de 84,5% em maio e tende a cair mais. Isso melhora a solvência do país e pode baixar o grau de risco do Brasil. O Itaú espera déficit primário de 1,1% do PIB neste ano e que o nível de endividamento siga recuando até atingir 82,1% do PIB ao final de 2021.

Inflação começa a ceder no atacado

Após a forte aceleração observada nos últimos meses, a inflação no atacado desacelerou em junho. O IGP-M avançou 0,60% em junho, contando com a deflação dos produtos agropecuários e a apreciação do câmbio registrada nas últimas semanas. Olhando à frente, a queda dos preços de commodities pode ser vetor baixista para inflação nos próximos meses.

O IBGE vai divulgar o resultado do IPCA cheio de junho na 5ª feira, 8 de julho. A expectativa do Bradesco é de uma alta de 0,58%, após 0,83% em maio. A LCA prevê 0,63% de alta, o que elevaria a taxa em 12 meses para 8,45%. Há expectativa de que o movimento baixista dos alimentos e dos combustíveis neutralize parte do impacto do forte aumento das tarifas de energia elétrica, com o reajuste de 52% na Bandeira vermelha 2.

Aceleração dos preços de energia pressionou inflação em São Paulo no último mês. O IPC-Fipe subiu 0,81% em junho, acelerando em relação a maio (0,41%). Esse aumento foi explicado pelos preços de Habitação, principalmente energia elétrica, incorporando os reajustes de bandeira tarifária.