Itaú prevê PIB de 5,5% e Selic vai a 6% para conter inflação

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O Departamento de Estudos Econômicos do Itaú Unibanco, acaba de fazer nova revisão de suas previsões para a economia em 2021 e 2022. O forte crescimento de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no 1º trimestre levou o banco, que já tinha elevado em maio a projeção do PIB de 3,8% para 4% e 5%, a prever um “cenário mais benigno em 2021, com o avanço da vacinação permitindo uma “volta à normalidade econômica ainda este ano”. Assim, aumentou no dia 10 de junho para 5,5%, mas manteve a previsão de 1,8% em 2022.

Outra revisão importante, para cima, infelizmente, foi na projeção de inflação. Em 28 de maio o Itaú já tinha elevado a previsão do IPCA, o indicador oficial da inflação, para 5,3% (ou seja, acima do limite máximo da meta de inflação do Banco Central). A meta de 2021 é de 3,75%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima (5,25%). Agora, depois do estouro da inflação em maio, quando a taxa de 12 meses chegou a 8,06%, o Itaú está prevendo inflação de 5,6%. E, para conter a inflação, a taxa básica de juros (Selic) deve fechar o ano em 6%. No fim do mês passado o banco esperava 5,50% ao ano.

As principais previsões do Itaú:

• A vacinação tem avançado e deve permitir uma volta à normalidade econômica ainda neste ano. O principal risco a considerar é o surgimento de variantes do vírus que afetem a eficácia das vacinas aqui aplicadas.

• Aumentamos a nossa projeção do crescimento do PIB neste ano de 5,0% para 5,5%, incorporando o resultado acima do esperado no 1T21. Para 2022, seguimos esperando desaceleração do crescimento, para +1,8%.

• Dados correntes melhores e a maior expectativa de crescimento nos levaram a revisar as projeções de déficit primário para 2,0% e 1,0% do PIB (ante 2,8% e 2,0%), e dívida bruta para 81,9% e 81,6% do PIB em 2021 e 2022 (ante 84,1% e 84,5%), respectivamente.

• A elevação da Selic e os preços de commodities mais altos, somados à melhora da atividade e seus efeitos positivos sobre as contas públicas, são forças importantes para apreciação da moeda. Revisamos a nossa projeção para R$ 4,75 por dólar no final de 2021 (ante 5,30) e R$ 5,10 por dólar no final de 2022 (ante 5,50).

• Elevamos a projeção de inflação em 2021 para 5,6% (ante 5,3%), incorporando os efeitos de uma recuperação mais intensa neste ano e preços de commodities agrícolas ainda em patamares elevados.

• O hiato menor (resultante do crescimento mais forte) pressiona a inflação. De forma a conter os riscos de propagação da inflação mais alta para 2022, o Copom deve elevar a taxa Selic para 6,00% a.a. ao final de 2021 (ante 5,50% a.a.). Projetamos inflação em 3,6% em 2022, próxima da meta, com o impacto da revisão de atividade sendo compensado pelos efeitos da Selic mais alta e do câmbio mais apreciado.



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