Itaú já espera crescimento de 5% no PIB de 2021

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Com base no crescimento de mais de 1% no Índice de Atividade Regional do IBC-Br do 1º trimestre, o indicador do Banco Central que procura antecipar o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), que o IBGE divulga na 3ª feira, 1º de junho, no levantamento trimestral das Contas Nacionais, o Departamento de Estudos Econômicos do Itaú revisou de -0,1% para + 0,6% a taxa de crescimento do PIB no 1º trimestre e elevou de 4% para 5% a previsão de alta do PIB em 2021.

Esta é a segunda revisão positiva do Itaú, que no início de maio aumentou de 3,8% para 4% a expectativa do Produto Interno Bruto deste ano. Para 2021, o índice de crescimento foi mantido em 1,8%. O Banco Safra também alterou para o terreno positivo a previsão do PIB do 1º trimestre, com crescimento de 0,3% de janeiro a março, alterando a previsão anterior de queda de 0,6%. Para o ano de 2021, o Safra subiu de 3% para 3,4% a taxa de crescimento da economia e também aposta em alta de 1,8% em 2022.


Razões do crescimento
Na visão do Itaú, “a atividade econômica continuou se expandindo no 1º trimestre de 2021, como esperávamos. A normalização na taxa de poupança das famílias, o crescimento expressivo da economia global com alta de preços de commodities, e o ciclo de estoques no setor industrial vêm sustentando a retomada da atividade econômica”.

Para justificar o otimismo para o PIB anual, o Itaú explica que “após queda em março, a mobilidade e o consumo de serviços vêm se recuperando de forma mais rápida do que esperávamos. Por esse motivo, realizamos uma revisão significativa da nossa projeção para o PIB do 2º trimestre de 2021, de -0,1% para +0,6% ante o trimestre anterior com ajuste sazonal.

Mas o banco adverte que “há risco de novos recrudescimentos da pandemia”, mas avalia que “o impacto econômico seria moderado, como verificado na segunda onda. Além disso, o avanço da vacinação deverá reduzir os riscos relacionados à dinâmica do vírus no segundo semestre do ano”.

Desemprego em recuperação

O IBGE divulgou hoje, 5ª feira, os números do desemprego em março, no dia seguinte ao Cageg, do Ministério da Economia, divulgar a criação líquida de 120 mil postos de trabalho com carteira assinada, com destaque para comércio e serviços, com taxa de desemprego recorde de 14,7% no trimestre janeiro-fevereiro-março (14,8 milhões de pessoas). Em igual período do ano passado o índice era de 12,2% (aumento de quase 2 milhões de pessoas). Já o contingente de desalentados (que desistiu de procurar emprego, por não há vagas para sua qualificação) subiu para o nível recorde de 6 milhões de pessoas e o total de pessoas com a capacidade de trabalho subutilizadas atingiu nível recorde de 33,2 milhões de pessoas (29,7%). No mesmo período de 2020, o total dos parcialmente ocupados era de 27,6 milhões de pessoas (aumento de 5,6 milhões em um ano) e o percentual era de 20,2%.

Segundo cálculos do Depec do Bradesco “descontados os efeitos sazonais, foram geradas 35 mil vagas no Caged, o que levou a média móvel trimestral de 235 mil para 166 mil vagas criadas por mês”. O Bradesco espera que nos próximos meses, “a maior flexibilização das restrições à mobilidade deve impulsionar o mercado de trabalho, inclusive o informal”. Mas, pondera que o cenário “dependerá do controle da pandemia e de avanços na vacinação”.

Na análise do Depec Itaú, que criou um índice próprio (IDAT-Emprego), combinando os dois indicadores (que considera imprecisos na atual situação do mercado), a taxa de 14,7% do IBGE, com ajuste sazonal, ficou virtualmente estável em 14,5%. No entanto, a taxa de desemprego ajustada pelo IDAT-Emprego recuou ligeiramente de 14,2% para 14,1%. O Itaú projeta
“que a taxa de desemprego continue recuando à frente, à medida que a atividade econômica se recupera”.

A dívida não assusta tanto

Depois de ter feito análise recente sobre a trajetória da dívida pública interna, o Departamento Econômico do Bradesco comentou a atualização, feita pelo Tesouro Nacional para o Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida pública de 2021. Ela deve encerrar o ano com estoque entre R$ 5,5 trilhões e 5,8 trilhões, segundo o novo plano.

Houve aumento da previsão de prazo médio da Dívida Pública Federal (DPF), que deverá ficar entre 3,4 e 3,8 anos, assim como redução do percentual que vence em 12 meses. A melhora da arrecadação e a baixa taxa de juros reais ao longo deste ano (em termos reais, descontada a inflação do IPCA) a fatia da dívida reajustada pela Selic está com juros reais negativos (compensando a parte atrelada à inflação de IGP-DI e IGP-M), que estão variando muito acima do IPCA.

Por isso mesmo, foi importante nota no PAF que houve na composição da dívida mobiliária, aumento dos limites da parcela atrelada à taxa Selic e a índices de preços, enquanto reduziu a previsão da parcela de títulos prefixados, ajustando os limites à tendência de emissão em mercado dos últimos meses.

O cerco às companhias de petróleo chegou

Iniciativas da sociedade ou dos próprios acionistas controladores estão forçando as grandes “majors” do petróleo e mudar o mix da produção de energia em direção a fontes menos poluidores e menos danosas ao aquecimento global. Foi assim com a anglo-holandesa Shell, processada na Holanda, depois que mudou sua sede antes em Londres, em função do Brexit, e da Exxon, por iniciativa de grandes acionistas, movimento segundo pela também americana Chevron. A britânica BP não deve ficar atrás, assim como a franco-belga Total e a norueguesa Equinor.

E a Petrobras, quais serão os passos da companhia sob a gestão do general Joaquim Luna e Silva, que mal esquentou a cadeira e conseguiu assimilar todos os desafios da companhia em pouco menos de dois meses no cargo?

A Petrobras tem sido vítima de enormes descompassos de gestão. Quando veio a primeira crise do petróleo, em 1973, produzia apenas 15% das necessidades brasileiras de petróleo. Descobriu petróleo na Bacia de Campos em agosto de 1974, mas só começou efetivamente a produzir no fim de 1979, justamente quando veio o 2º choque do petróleo (na guerra Irã-Iraque).

Nos anos 80 em diante, o aumento da produção poupou o país de bilhões de dólares, com importância tão grande quanto as receitas do agronegócio para a geração de superávits na balança comercial e dar folga à gestão da dívida externa.

O conto do “bilhete premiado”

O boom das commodities facilitou ainda mais a balança comercial, já com a forte participação do minério de ferro e do próprio petróleo, que passou a ser exportado depois da descoberta do pré-sal, em fins de 2007.

Mas aí, os governos Dilma e Lula, sustentando que o país tinha tirado um “bilhete premiado” que iria “bancar a educação de qualidade do futuro”, sentaram em cima das jazidas. Suspenderam os leilões e os contratos de partilha.

O pré-sal, seguiu em frente com a liderança da Petrobras, inclusive com parcerias, já garante mais de 70% da produção de petróleo do país. Com o baixo custo de extração (devido a ganhos de tecnologia acumulados em cinco décadas de exploração em alto mar) resistiu ao tombo das cotações em 2020.

Mas, justo agora que o país tem custos competitivos para explorar suas riquezas, o 1º mundo parte para uma cruzada de substituição de fontes de energia de origem fóssil – em especial o carvão mineral) por energia renovável. O que pode privar o Brasil de tirar partido do “bilhete premiado”.