O OUTRO LADO DA MOEDA
A disrupção da moeda disruptiva
Publicado em 19/05/2021 às 18:52
Alterado em 20/05/2021 às 12:37
Gilberto Menezes Cortes CPDOC JB
O caro leitor que acompanha esta coluna já deve ter percebido que evito fazer prognósticos sobre ações. Para isso existem analistas que acompanham o segmento no qual esta ou aquela empresa está inserida, bem como indicações sobre o seu desempenho. Prefiro as análises fundamentalistas. Sobretudo as de cunho macroeconômico. Por isto, jamais dei força às especulações em torno de cripto-moedas. Mas não ia imaginar a disrupção da moeda disruptiva
Como conceito, as transações em blockchain seriam o mundo ideal. O processo de disrupção da presença hegemônica dos grandes bancos comerciais nas transações financeiras da economia, que se acentuaram no Brasil quando a criação do PIX, em fins do ano passado, colocou novos atores na intermediação financeira, mais ágeis e a custos mais baixos que os dos bancões.
A intermediação financeira é um meio, não pode virar um fim. E muito menos implicar em pesados pedágios para os agentes econômicos, pessoas ou empresas. Mas sabe que até gostei de ver a nova derrocada de hoje nas cotações das criptomoedas.
Jamais acreditei que um mercado que funciona sem transparência (salvo das cotações, que não se sabe bem como são formadas), com volumes de negócios inteiramente à margem de controles das emissões, dos seus detentores e da sua existência real – tudo fora do alcance das autoridades monetárias - possa ser confiável.
Numa rápida pesquisa na internet encontrei 5.336 diferentes criptomoedas. A imensa maioria é usada em operações de blockchain (de comprador para vendedor de um bem ou serviço). Umas 70 têm cotações relevantes. Mas o bitcoin é a maior movimentada. A Ethereum tem também presença expressiva, assim como a Litecoin, que liderou as baixas do dia, com 31%, e a THETA.
Em fins de 2016 o mercado de bitcoins passou por um tombo semelhante ao que foi gerado este mês desde que o dono da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, anunciou, dia 12 de maio, que não mais aceitaria as moedas virtuais em seus negócios. Em 2016, o mercado entrou num período de baixa que atravessou o ano de 2017. Há uma semana, a queda das cotações, de US$ 54,6 mil (R$ 289 mil) para US$ 49 mil (R$ 259 mil) – 10,25% gerou um princípio de pânico.
Um mercado que não se sustenta
Para mostrar a fragilidade deste mercado, duas das principais criptomoedas, - o bitcoin e o ethereum - registraram nesta quarta-feira a maior queda em um dia desde março de 2020, quando foi declarada a pandemia mundial da Covid-19, com a perda no valor de mercado das criptomoedas se aproximando de US$ 1 trilhão. O último motivador do tombo foi a proibição feita pela China às instituições financeiras e de pagamento para fornecer serviços de criptomoeda.
O bitcoin chegou a ser negociado a 30.066 dólares, o valor mais baixo desde o final de janeiro. Fechou hoje a US$ 39.641,4, com queda de 8,42%. Mas a Ethereum caiu 21,90%, cotado a US$ 2.632, mas chegou a cair a US$ 1.850.
Num indicador de como esse mercado é volátil e sujeito a previsões que são mais “chutômetros” do que baseadas em dados técnicos, veja a recente entrevista da presidente executiva da americana Ark Invest, Cathie Wood, à Bloomberg, na qual previu que o bitcoin alcançaria os US$ 500.000, mantendo-se em sua meta anterior, apesar da correção em curso. Bastou a fala de Elon Musk para derrubar o castelo de cartas?
Criptomoedas e a evasão fiscal
O Federal Reserve e a Securities Exchange Comission relutam em regulamentar as transações com bitcoins e outras moedas, porque elas podem facilitar evasão e elisão fiscal, acredita Wood. Para ela, quando há um tombo de cotações, aumentam as chances de um fundo de bitcoin negociado em bolsa ser aprovado pela SEC, sustenta a executiva.
Na Europa, nenhum país importante aprovou as negociações com criptmoedas. No momento, só Bermuda, Canadá e Brasil aprovaram a negociação do instrumento financeiro. Mas o Banco Central brasileiro ficou só na intenção favorável ao blockchain.