Mercado vê PIB positivo no 1º trimestre e maior em 2021

.

CPDOC JB
Credit...CPDOC JB

Os números do IBC-Br, o Índice de Atividade do Banco Central, que busca antecipar as tendências do Produto Interno Bruto (PIB), calculado pelo IBGE, apesar da queda de 1,59% em março, descontados os efeitos sazonais, surpreenderam positivamente. O mercado esperava queda maior. Com a alta de 2,3% do IBC-Br no 1º trimestre, os departamentos econômicos das instituições financeiras refizeram os cálculos, alterando de negativo para positivo os números do PIB do período, que o IBGE divulga em 1º de junho.

Há uma semana o Departamento de Estudos Econômicos do Itaú, que era dos mais otimistas, tinha reduzido marginalmente a estimativa de crescimento do PIB no 1º trimestre de 0,5% para 0,4%, e aumentara a projeção do 2° trimestre de -0,5% para -0,1% (ante o trimestre anterior). Para o PIB de 2021, elevou a projeção de 3,8% para 4%. Mantendo o aumento do PIB de 2022 em 1,8%.

Depois da publicação do IBC-Br e de dados mais favoráveis que o próprio Depec Itaú identificou, o banco identificou sinais positivos nas vendas, nos serviços e no mercado de trabalho, e revisou novamente para cima as projeções. Para o 1º trimestre aposta agora numa variação positiva de 0,6%. O Bradesco, que vinha indicando taxa negativa, agora espera alta no 1º trimestre.

E os dados do Itaú do 2º trimestre, que tinham sido revisados para cima no dia 10 de maio (de -0,5% para -0,1%), podem caminhar para o terreno positivo. Pelo menos é o que indicam o IDAT (Índice de Atividades referente a empregos e salários de abril). Em abril, o IDAT-Emprego subiu 1,4% na variação anual (-0,2% na média móvel de 3 meses, vindo de -0,8% em março (-1,3% na mm3m). O Itaú observa que, apesar da melhora, “a população ocupada, ajustada pelo indicador, ainda encontra-se abaixo do nível pré-pandemia”.

O Indicador do Itaú aponta que “os principais setores da economia mostram recuperação no emprego, com destaque para a indústria de transformação, que apresenta um ritmo de crescimento superior ao pré-pandemia”. Melhora importante veio nos salários: “O IDAT-Salário variou 4,3% ao ano na média móvel de 3 meses em abril, vindo de 4,2% em março. O indicador mostra o ritmo de ajuste de salários próximo ao pré-pandemia”.

O Itaú até admite rever para cima sua projeção de alta de 4% do PIB este ano. “É importante mencionar que esse e outros indicadores disponíveis são consistentes com uma contração menor do que se esperava em decorrência do recrudescimento da pandemia, algo que gera viés de alta para a nossa expectativa atual de crescimento de 4,0% do PIB em 2021 (projeção que já se encontra significativamente acima do consenso de mercado)”, assinala.

Escalada da inflação achata salários

A questão é que o poder de compra dos salários está sendo achatado pela escalada da inflação. Ainda que tenha acusado desaceleração mensal, no indicador de 12 meses, o IPCA e o INPC saltaram, respectivamente para 6,76% e 7,59%. O que já corroeu o reajuste de 4,2% do salário mínimo.

Sobretudo porque os itens que mais sobem na inflação são os de maior peso na composição dos dois índices. Alimentação e Bebidas (20,99%), Transportes (20,80%) e os gastos com a Habitação (15,41%), que incluem água e esgoto, luz e gás natural ou GLP, todos subindo acima de dois dígitos, representam mais de 57% nos gastos das famílias com renda dentro do IPCA (até 40 salários mínimos) e mais de 65% no INPC (até cinco salários mínimos).

Parada da Covid esfriou inflação

Já o Departamento Econômico do Bradesco fez uma observação importante: a parada da economia entre o fim de março e abril, para combater a disseminação das novas cepas da Covid-19, ajudou a desacelerar a inflação. “A desaceleração da atividade econômica em março e abril favoreceu a descompressão da inflação ao consumidor. O IPCA avançou 0,31% no mês passado, acumulando elevação de 6,76% nos últimos 12 meses. O alívio em relação a março foi explicado, em grande medida, pelo recuo da inflação de transportes e pela moderação da inflação de serviços, diante das restrições à mobilidade ainda vigentes no período”, disse o Depec Bradesco.

Mas o banco observa que “”apesar de estarem em desaceleração, os preços de bens industriais continuaram pressionados, o que é compatível com o choque proveniente dos preços no atacado, refletindo repasses de custos de commodities e câmbio”.