Copom sobe Selic 37,5% para 2,75%; em maio tem mais 0,75%

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Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Credit...Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária do Banco Central deu um cavalo de pau nas taxas de juros, promovendo o primeiro e o maior aumento (37,5%) na taxa Selic desde 2015, e surpreendeu o mercado elevando em 0,75 pontos percentuais (de 2% para 2,75% ao ano) o piso do mercado financeiro, que esperava alta de 0,50 p.p. e foi surpreendido pela medida. E o Copom, preocupado com a escalada dupla do dólar e da inflação, já adiantou que haverá novo reajuste de 0,75 p.p. na taxa Selic na reunião de 4 e 5 de maio, quando a taxa chegaria a 3,50%.

Para o economista Manuel Jeremias Leite Caldas, que defendeu aqui no JB um aumento radical, um “cavalo de pau” de 1% a 2% nos juros para quebrar a curva do dólar e esfriar as pressões inflacionárias nas commodities agrícolas e minerais, que já estão em alta no exterior, “o Copom não teve coragem suficiente para ser mais radical”. Ele definiu a alta como “um acavalo de pau de fusquinha”. Ele espera que haja ainda este mês forte acomodação do dólar.

Copom teme estouro da meta de inflação

No comunicado sobre a decisão, o Copom disse que “ decidiu iniciar um processo de normalização parcial, reduzindo o grau extraordinário do estímulo monetário” (...) com “uma estratégia de ajuste mais célere do grau de estímulo” para (...) ”reduzir a probabilidade de não cumprimento da meta para a inflação deste ano [de 3,75%], assim como manter a ancoragem das expectativas para horizontes mais longos.

A meta de inflação de 2020 é de 3,50% e o Copom acredita que “essa estratégia é compatível com o cumprimento da meta em 2022, mesmo em um cenário de aumento temporário do isolamento social”.

Auditores brecam balanço da Eletrobrás

E o presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Junior, demissionário da empresa desde 24 de janeiro, quando recebeu, e aceitou, convite de grupo de acionistas privados que detêm o controle da privatizada BR Distribuidora (entre os quais se destacam o Opportunity, de Daniel Dantas, e o Fundo Verde, de Luís Stuhlbergern, não conseguiu coroar sua gestão na estatal de energia com a limpeza plena das provisões em balanço.

A PricewaterhouseCoopers Auditores Independentes e o Conselho Fiscal não concordaram com a manobra. Assim, o balanço que seria apresentado na noite de 2ª feira, 15 de março e comentado ontem em entrevista coletiva de despedida de Wilson Ferreira Junior, foi transferido para 6ª feira, dia 19.

Wilson Ferreira Junior assumiu a Eletrobrás no governo Temer, vindo de uma gestão elogiada à frente da CPFL Energia, uma das maiores empresas privadas de energia elétrica do Brasil. Um de seus planos frustrados era fazer aumento de capital que diluísse o controle acionário da União na companhia que é a maior geradora de energia elétrica do país (36%).

Algo como foi feito na transferência do controle da BR Distribuidora da Petrobras para a iniciativa privada: numa chamada de aumento de capital a Petrobras pediu mesa na BR e acionistas privados ampliaram a posição e tomaram o controle. Na Eletrobrás, a União pediria mesa e acionistas privados assumiriam maiores posições.

CVM deve ficar atenta

Com o balanço limpo de provisões (e ainda havia muitas contas cruzadas da Eletrobrás com a Petrobras, com interveniência da União, que assumiu a responsabilidade por zerar dívidas de distribuidoras de energia privatizadas no Norte e Nordeste e que deviam contas de combustível à Petrobras), os lucros decorrentes de reversão de provisões seriam muito grandes.

É importante que a Comissão de Valores Mobiliários, que está examinando vários casos suspeitos envolvendo a troca de guarda na Petrobras e a possível utilização de “inside information” da reunião ministerial, com o presidente Jair Bolsonaro, que selou a troca de Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna, para especulações pesadas no mercado de opções, mire o foco também nas últimas movimentações em torno dos papéis da Eletrobrás.

Onde tem faísca pode sair um curto circuito ou um apagão.

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