Mercado prevê inflação acima de 4% e Selic acima de 4,5%

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Enquanto o Comitê de Política Monetária do Banco Central está debruçado, desde a tarde de hoje, para examinar os dados da conjuntura, que incluem dados de inflação, atividades econômicas e emprego, para decidir amanhã, 17 de março, sobre o rumo da escalada da taxa Selic (atualmente em 2% ao ano) os departamentos de análises econômicas das principais instituições financeiras estão ajustando seus cenários.

A Anbima, que reúne bancos, corretoras e gestores de fundos de investimento, anunciou há pouco suas projeções revisadas para 2021: a inflação, medida pelo IPCA, foi elevada de 3,41% para 4,4%. Em função do aumento da inflação, as projeções da taxa Selic aumentaram de 3% para 4,5% até o final do ano. E a alta começaria amanhã, com 0,50 pontos básicos, para 2,50% ao ano. Mas há instituições, como o Banco Fibra, esperando Selic de 6% no fim do ano. Para essa alta ser cumprida, após aumento de 0,50%, haveria nova alta em maio de 0,75%.

Há o consenso de que a desvalorização segue forte, apesar de novas intervenções do Banco Central. A moeda segue bem instável e muito sensível a movimentos do dólar no mercado internacional. Isso é resultado da combinação do risco fiscal com juros excessivamente baixos no Brasil.

Altas eminentes da Selic podem acomodar isso. Nossa divisa estaria bem distante das estimativas de valor justo com base em fundamentos como os termos de troca (razão entre os preços de exportações e importações), reservas internacionais e o resto do balanço de pagamentos. Vamos ver se o Copom ataca isso, que é uma das pontas das pressões inflacionárias sobre alimentos e combustíveis.

PIB vai esfriar até 2º trimestre

Com juros e inflação em alta e o forte avanço da Covid, em meio à lentidão das vacinas, a Anbima reduziu as projeções de crescimento do PIB, de 3,5% para 3,2% este ano. O Safra reduzira de 4% para 3,5%, com queda na projeção para 2022, de 2,5% para 2,0%.

O crescimento de 1,04% no IBC-BR de janeiro, revelado ontem pelo Banco Central não chegou a animar o mercado. Há previsões de queda do PIB neste 1º trimestre (-0,5% segundo o Bradesco) e até o 2º semestre, com o avanço das restrições de circulação, devido ao agravamento da pandemia. Safra, que esperava avanço de 0,3% no 2º trimestre, previu no domingo, 14 de março, que da 0,7% no período de abril a junho.

Os dados do Caged, com a criação de 260 mil vagas com carteira assinada em janeiro, foram animadores (bateram o recorde para o mês, desde 2010), mas não foram suficientes para sacramentar uma recuperação do emprego no ritmo que o país precisa.

Thomas Jefferson: exemplo de liderança

Numa época rarefeita de lideranças, o professor Tarcísio Padilha Junior, relembra Thomas Jefferson, considerado um dos melhores presidentes dos Estados Unidos. Terceiro presidente, foi o principal autor da Declaração de Independência. Até o presente, Jefferson é o único presidente que, em dois mandatos completos no cargo, jamais vetou um projeto de lei do Congresso.

O presidente Kennedy o tinha como exemplo e deixou isso claro. Ao receber 49 vencedores do Prêmio Nobel, declarou: “acredito ser a mais extraordinária reunião de talento e conhecimento humano reunida na Casa Branca – com possível exceção de quando Thomas Jefferson jantava aqui sozinho."
Filósofo e político, Jefferson foi um homem do Iluminismo, conheceu grandes líderes intelectuais da Grã-Bretanha e França de seu tempo. Apoiava a separação entre Igreja e Estado e foi o autor do Estatuto da Virgínia para Liberdade Religiosa. Horticultor, arquiteto, arqueólogo, paleontólogo, músico, inventor, foi também fundador da Universidade da Virgínia.

De coveiro a Jair do Caixão

Já que estamos no terreno da língua inglesa, em 20 de abril de 2020, uma semana após a demissão do seu 1º ministro da Saúde, o médico Luiz Henrique Mandetta, quando os repórteres lhe pediram um comentário sobre as 2.745 mortes pela Covid-19 o presidente Jair Bolsonaro disse “não sou coveiro”.

Agora que está nomeando o 4º ministro, o cardiologista Marcello Queiroga e o número de mortos multiplicou por mais de 100, chegando ontem a quase 280 mil óbitos, o presidente da República, que é o real comandante do Ministério da Saúde (como ficou claro na gestão do 3º ministro, o general Eduardo Pazuello, que resumiu o esquema “um manda e o outro obedece”) e rejeitou os planos da médica Ludmila Hajjar para enfrentamento da pandemia pode ser chamado de Jair do Caixão.

Para não ficar pesado, lembro que o diretor de cinema José Mojica Marins, que morreu em fevereiro do ano passado, era chamado carinhosamente de “Coffin Joe”, numa referência ao seu mais famoso personagem, o “Zé do Caixão”.

Já que não quer ser coveiro, com a marcha desenfreada da Covid-19, que desdenhava há um ano, chamando de “gripezinha” e se abstendo de coordenar, pela União, as ações de enfrentamento do novo coronavírus, a recusa de usar máscaras “coisa de maricas” e o desprezo pela busca de vacinas, o deboche em relação à CoronaVac do Butantan, que chamou de “vaChina” e “vacina chinesa do Dória”, que acabou sendo a única vacina confiável disponível até aqui no país (a da AztraZeneca, que será envasada pela Fiocruz está sob desconfiança em vários países europeu), o presidente Jair Bolsonaro pode ser chamado de “Coffin Jair” pelas 300 mil mortes acumuladas.