Com dados de serviços, Itaú prevê PIB de -4,1% em 2020

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Com a pequena queda de 0,2% no volume de vendas em dezembro, frente a novembro, o setor de serviços restrito medido pelo IBGE (que exclui comércio, atividades financeiras e de seguros e atividades imobiliárias) fechou 2020 com retração de 7,8% frente a 2019. O Departamento Econômico do Itaú esperava queda de 8%. Com os números de queda de 4,5% na indústria em 2020, alta de 1,2% no comércio e queda de 7,8% em serviços, o Itaú está prevendo alta de 3% no PIB do 4º trimestre, mantendo a previsão de queda anual de 4,1%.

Os departamentos econômicos do Itaú e do Bradesco, assim como os principais economistas e empresários estão esperando a definição sobre o retorno do Auxílio Emergencial para definir com mais precisão o cenário da economia no início de 2021.

Ao analisar a surpreendente queda de 6,1% no volume de vendas do comércio em dezembro, o Bradesco assinala que “os dados parecem refletir, em certa medida, a maior cautela dos consumidores com o fim do auxílio emergencial, o aumento das restrições à atividade em algumas localidades do país, já no fim do ano, e a saturação do consumo de algumas categorias, com migração de parte dos gastos para serviços”.

Já o Itaú viu queda maior nas “vendas no varejo sensíveis ao crédito, bem como as de renda” e Espera “uma desaceleração nos gastos com bens, à medida que o governo reduz as transferências de dinheiro para a população”, mas observa que os “dados diários de janeiro ainda sinalizam aumentos nas vendas do varejo”. Entretanto, o Itaú espera “ declínios para fevereiro e março”.

A dependência do Auxílio Emergencial ...

Numa visão macro, o Bradesco considera que “para este começo de ano (...) a incerteza relacionada à pandemia e o fim do auxílio emergencial ainda deverão ter impactos negativos sobre o comércio, o que tende a ser parcialmente compensado pela utilização de poupança das famílias acumulada nos últimos meses”.

Nas classes mais pobres, cujos componentes perderam emprego ou as possibilidades de renda na economia informal, é evidente que só o retorno do Auxílio Emergencial pode exercer a função de uma poupança inexistente.

... e a Independência do Banco Central

No entanto, a nova presidência da Câmara, comandada por Arthur Lira (PP-AL), em vez de se debruçar sobre a discussão para aprovação do Orçamento Geral da União para 2021 e da PEC Emergencial (que liberaria o governo do cumprimento do teto dos gastos), preferiu dar prioridade à aprovação da Independência do Banco Central e de seus diretores, cujos mandatos não devem coincidir com o do presidente da República.

Isso pode agradar o mercado financeiro, mas não desata o grande nó da economia, que foi causado pelo gigantesco aumento da exclusão social com a Covid-19.

Nada mais urgente que o avanço da vacinação e a aprovação de qualquer auxílio emergencial.

Independência deve tirar status de ministro de Campos Neto

Essa questão da independência do Banco Central parecia urgente na Constituinte (1987-88), mas foi deixada de lado, assim como a regulamentação dos juros de 12% reais (supostamente acima da inflação e/ou da correção monetária). Ela atravessou os governos Collor e Itamar Franco e perdeu um pouco a urgência quando foi lançado o Plano Real, em julho de 1994.

Quando Lula foi eleito, em 2002 e o mercado, temeroso de o PT cumprir promessas de calote nas dívidas interna e externa, levou o dólar a R$ 4,00, o cenário pressionou o novo governo a ter um nome ortodoxo no Banco Central. Lula convidou o ex-presidente mundial do Bank of Boston (vendido no ano anterior), Henrique Meirelles, que se elegera o deputado federal mais votado em 2002 (PSDB-GO), para dirigir o BC.

Meirelles fez boa dupla com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci e, sem medidas radicais do novo governo, o dólar foi baixando. Mas não bastou para “acalmar o mercado”. Para evitar processos contra Meirelles e diretores, o governo concedeu ao presidente do Banco Central o “status” de ministro.

Com a independência, ou seja, a impossibilidade de ser demitido “ad nutum” - o que é prerrogativa do presidente da República em relação a qualquer ministro ou alto funcionário do governo (salvo nas autarquias e agências reguladoras onde exista mandato para o cargo) -, o presidente do Banco Central ganha estabilidade, junto com os diretores. E não precisa do “status” de ministro.

Centrão já está de olho numa vaga de ministro

Esperto, o Centrão, que forma o bloco de oito partidos que fecharam com 267 dos 302 votos que elegeram a chapa liderada por Arthur Lira foi pragmático ao dar prioridade à aprovação da independência do BC. Muitas promessas foram feitas e a conta está sendo cobrada.

Se o presidente do BC, Roberto Campos Neto, não precisará do status de “ministro”, vai tentar cavar uma nova pasta junto ao presidente Jair Bolsonaro, sem aumentar a atual cota de 23 Ministérios. Simples assim.