Na pandemia, Bradesco volta a lucrar mais que Itaú em 2020

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Demorou, mas o Bradesco se saiu melhor na pandemia da Covid-19 e voltou a lucrar mais que o Itaú Unibanco, cuja fusão, em fins de 2008, tirou do banco da Cidade de Deus a condição de maior e mais lucrativa instituição financeira privada do país. Com o lucro líquido recorrente de R$ 6,801 bilhões no 4º trimestre de 2020 (aumento de 35,2% frente ao 3ª trimestre e de 2,3% frente a igual período do ano passado) o Bradesco botou vantagem de R$ 1,413 bilhão sobre o Itaú Unibanco, cujo lucro líquido recorrente ficou em R$ 5,388 bilhões. Mas, com os ganhos de R$ 3,293 bilhões da venda de fatia da XP Investimentos, o Itaú acumulou um lucro líquido extraordinário de R$ 7,592 bilhões (R$ 791 milhões acima do Bradesco).

Mas no tira-teima do ano de 2020, o Bradesco venceu nos dois critérios: seu lucro líquido recorrente de R$ 19.458 bilhões (apesar de cair 24,8% frente ao de 2019) superou o lucro recorrente de R$ 18,536 bilhões do Itaú Unibanco em 2020 (com redução de 34,6% frente a 2019) e o lucro líquido extraordinário de R$ 18.906 bilhões (já contabilizando a venda de fatia da XP). O resultado foi 28,8% menor que o de 2019.

Mas o mais extraordinário na disputa entre os dois gigantes é que o lucro total do Itaú Unibanco em 2019 – R$ 26,583 bilhões, fora R$ 696 milhões superior aos R$ 25,887 bilhões do Bradesco. Ano passado, o Bradesco inverteu a posição e, mesmo com a venda da fatia da XP, o Itaú fechou o ano com lucro de R$ 18,909 bilhões, inferior em R$ 549 milhões aos R$ 19,458 bilhões do Bradesco.

Corte de custos, a chave do Bradesco

Os dois bancos tiveram carteira de crédito com volumes semelhantes. A do Bradesco atingiu R$ 687 bilhões, com crescimento de 10,3%. Já o Itaú teve saldo final de R$ 652,2 bilhões (expansão de 17,2%). Mas os ganhos do Bradesco foram concentrados na redução dos custos operacionais, que ficaram em R$ 46,4 bilhões (redução de 5,3%), enquanto os custos operacionais do Itaú ficaram em R$ 57 bilhões (redução de 1,4%).

Outra grande diferença foi o volume de Provisões para Devedores Duvidosos acumulados pelos dois gigantes: O Bradesco reservou no ano de 2020 R$ 45,3 bilhões. Já o Itaú Unibanco teve de destacar R$ 52,1 bilhões. Note-se que a carteira do crédito do Itaú é um pouco menor que a do Bradesco. A diferença é que a do Itaú está mais concentrada em pessoas físicas e micro e pequenos empreendedores, de maior risco.

O Itaú divide suas operações em três unidades. O banco de varejo teve lucro recorrente de R$ 1,660 bilhão no 4º trimestre, queda de 54,4% frente a igual período de 2019. O banco de atacado, que gere operações com grandes empresas, banco de investimento e concentra as operações das filiais da América Latina, lucrou R$ 2,274 bilhões, um aumento de 13,9% sobre o 4º período do ano anterior. E o banco corporativo e de mercado, que faz operações de tesouraria e de funding do grupo, teve ganho de R$ 1,455 bilhão, uma redução de 12,1% frente ao 4º trimestre de 2019.

O Itaú fechou 2020 com ativos de R$ 2,112 trilhões, com vantagem sobre os R$ 1,644 trilhão do Bradesco. Mas os dois bancos travam uma briga de foice para ver quem capta mais recursos de clientes próprios (depósitos à vista, a prazo ou de poupança) e gestão de recursos (fundos de investimento, de pensão e carteiras administradas. O Itaú fechou o ano passado com um total de R$ 2,492 trilhões. O Bradesco reportou um pouco mais: R$ 2,508 trilhões. A diferença foi decorrente dos ativos dos fundos de previdência privada da Bradesco Seguros, a maior seguradora do país.

Santander garante lucro no Brasil (30%) e nas Américas (60%)

E o 3º banco privado do país, o espanhol Santander, parece retomar as rotas de Cristóvão Colombo para atrair das Américas grandes riquezas em ouro e prata para a coroa espanhola. No ano de 2020, a filial brasileira que tem uma rede de pouco mais de 2,7 mil agências, teve lucro de R$ 13,849 bilhões, uma queda de 4,8%.

 

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Em termos globais, o Santander teve redução no lucro em 2020, que encolheu 29% em euros, de 7,207 bilhões de euros em 2019 para 5,081 bilhões de euros em 2020. Mas o Brasil voltou a garantir a maior fatia do lucro do banco de Ana Botin, com 30% do resultado global. Considerando o México, que contribuiu com 11% do lucro global, os Estados Unidos (10%), o Chile (6%) e a Argentina (3%), as Américas como um todo garantiram 60% dos ganhos do conglomerado no mundo.

A Espanha, sede da matriz do banco, ficou com apenas 7% dos lucros. Foi superada pelos 15% da fatia do Santander Credit Finance (a financeira de atuação na União Europeia) e pelos 8% da filial do Reino Unido. Portugal defendeu 5% dos ganhos e a filial da Polônia, 2%. No total, a Europa, com 40%, dos lucros, se curvou diante do Brasil e das Américas, agradecida por proporcionar tão elevadas margens de lucros nas arbitragens de juros.



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