Inflação em alta: IPCA passa de 4,5% em janeiro e de 6% em maio

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A Pesquisa Focus, fechada 6ª feira junto a 100 instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisas, e divulgada desta 2ª feira, 25 de janeiro, pelo Banco Central trouxe pequenas alterações nas projeções para o IPCA (a inflação oficial) de 2021 – de 3,43% para 3,50% (ainda dentro da meta do BC, de 3,75%). O Itaú espera 3,60% para 2021 e o Bradesco, 3,90%.

Mas, as projeções de curto prazo indicam que a inflação ascendente dos alimentos e os impactos do dólar sobre energia elétrica e combustíveis, além dos reajustes de preços administrados (planos de saúde e escolas) vão elevar o acumulado do IPCA em 12 meses para patamar acima de 4,6% já em janeiro, ficando acima de 5% de fevereiro até maio e andará acima dos 6% até meados de setembro.

Taxa de juros sobe com inflação

Na visão do Itaú, isso implicará o início de reajustes da taxa Selic a partir da reunião do Copom em maio (4 e 5), com uma leve alta de 0,25 pontos percentuais para 2,25% ao ano. Mas o desgaste político causado pela pressão da escalada da inflação, junto com o aumento do desemprego devido à perda de renda das famílias que recebiam o Auxílio Emergencial (reduzido em 50% desde setembro e extinto em janeiro), vão deixar a área econômica do governo e o Copom em sinuca de bico.

O Itaú aposta que a Selic fecha em 3,50% em 2021 e fica assim até o final de 2022. Já o Bradesco acredita em escalada: 4% este ano e salto para 5,25% em 2022 e 2023.

PIB rateia no 1º trimestre

A questão é que o quadro econômico tende a ser bem desfavorável neste começo de 2021. A economia já perdera tração no final do ano (as vendas do comércio em novembro foram fracas e o resultado do Natal será conhecido em 10 de fevereiro) e com a escalada das despesas sobre o orçamento das famílias, tende a crescer a insatisfação da classe média e das camadas mais pobres com o governo Bolsonaro. Por ora, a queda dos índices de popularidade já reflete o desconforto com o fim do Auxílio Emergencial.

A má gestão da crise da Covid-19, em especial a contratação de vacinas (que o governo federal não costurou adequadamente, tendo a vacinação sido iniciada pela CoronaVac chinesa, negociada em contrato pelo governo Dória e o Butantan) vão desgastar mais o governo. E a base de comparação dos dados econômicos (tendo o 1º trimestre de 2020 ainda em crescimento, pois a pandemia só foi declarada em 16 de março) vai mostrar números negativos.

O Departamento Econômico do Itaú está projetando queda de 1,1% para o 1º trimestre em relação ao 4º trimestre de 2020. O ano de 2020 fecharia com queda de 4,1% no PIB, com recuperação de 4,0% este ano. Como o 2º trimestre do ano passado teve queda de 10,9%, o Itaú espera alta de 11,3% no trimestre de abril a junho deste ano.

Só que a reação da produção e consumo vai coincidir com a mais forte pressão inflacionária (em termos de base de comparação anual), com declínio a partir de julho-agosto, porque foi o período em que o aumento da demanda causada pelo AE pressionou os preços dos alimentos, que estavam sendo exportados, sob estímulo da alta do dólar, que chegou a superar os 42% no período. Será um longo período de desgaste do governo Bolsonaro. Subir juros geraria mais desgaste.

O milagre da multiplicação da vacina

Vacinas faltam no Brasil, nas Américas e na Europa, repetindo o quadro de disputas frenéticas (nas quais a ética foi deixada de lado) entre países por respiradores e EPIs. Mas vejam o que o governo do Biden já está fazendo nos Estados Unidos junto à Pfizer/BioNTech (que produziram uma das duas vacinas autorizadas para uso de emergência no país), para extrair mais ingredientes de cada seringa e ampliar o número de vacinados.

As vacinas são entregues com cinco doses para cada ampola. Mas, se forem administradas com seringas especiais, chamadas seringas de baixo espaço morto, que minimizam a quantidade de vacina deixada na seringa após o uso, seria possível que os profissionais de saúde, devidamente treinados, possam extrair a sexta dose de maneira confiável. Isso daria um aumento de 20% nas pessoas atingidas pelo mesmo volume de Ingredientes Farmacêuticos Ativos (IFAs).

Quem já vacinou pessoalmente cães, gatos ou cavalos (não sou chegado a gatos) percebe que sempre sobre algum resíduo. Num momento de escassez mundial é quase obrigação dos governos se esforçarem pelo “milagre da multiplicação das vacinas”. O Brasil fez isso quando houve surto de febre amarela, diminuindo a dose dos mais velhos (com menos perspectiva de vida que a duração da imunidade das doses originais).

Essa é uma medida de sobrevivência racional. Mas os laboratórios não gostam. Sobras já pagas e descartadas, forçariam a consumo 20% maior dos IFAs e gerariam mais lucros.