Economia esfria no 4º trimestre e Copom pode mudar política

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Com o resultado até certo ponto surpreendente do desempenho do setor de serviços em novembro (alta de 2,6% no volume sobre outubro, sem efeitos sazonais), resultando numa queda menor da receita real do setor no acumulado do ano (-4,8%), bem melhor do que as expectativas do mercado (-6,4%) e do Itaú (-6,2%), com avanço em todos os 5 principais componentes, e desempenho acima do esperado em transportes e serviços profissionais, administrativos e complementares, os bancos estão refazendo as projeções do PIB de 2020 e 2021. Há expectativa de que o Copom mude a política no próximo dia 20, quando começaria a vacinação no Brasil.

O Departamento de Estudos Econômicos do Itaú reviu de 2,9% para 3,0% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto no 4º trimestre. Ainda assim, uma redução de ritmo, depois do aumento de 7,7% no 3º trimestre. Apesar do melhor desempenho neste trimestre, o Itaú manteve a previsão de queda de 4,1% do PIB em 2020. Para 2021, o Itaú espera crescimento de 4%.

Para o Itaú, é preciso observar os efeitos da vacinação sobre os serviços oferecidos às famílias, o componente mais importante para o rastreamento do PIB. O setor, com atividades que envolvem interação social, vem se recuperando de níveis muito baixos, mas o Itaú adverte que “a recuperação provavelmente será interrompida em dezembro, à medida que a aceleração nos casos de coronavírus e mortes aumentou o isolamento social. Para o banco, a recuperação no setor de serviços provavelmente ganhará mais tração somente após o Brasil iniciar a vacinação, que pode se iniciar dia 20 de janeiro.

Bradesco também vê PIB do 4º trimestre com ritmo menor

Ao analisar o comportamento do setor de serviços e outros indicadores já divulgados de dezembro, o Departamento Econômico do Bradesco está projetando “alguma reversão do movimento altista do setor de serviços, conforme sugerido pela sondagem da FGV e por indicadores de mobilidade”.

Para o Bradesco “a indústria deve ter se mantido como destaque positivo em dezembro, mas primeiros indicadores de janeiro sugerem acomodação do ritmo de crescimento. O resultado preliminar das vendas de papelão ondulado apontou para alta de 1,9% na passagem de novembro para dezembro, reforçando outros indicadores coincidentes que sugerem alta da produção industrial no período. Contudo, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgado pela CNI, recuou 2,2 pontos em janeiro ante dezembro, refletindo o elevado grau de incerteza com a pandemia”.

Copom pode tirar “foward guidance” na semana que vem

O Itaú divulgou nesta 5ª feira sua avaliação sobre a próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central. O Copom se reúne dias 19 e 20 de janeiro (quando deveria começar a vacinação contra a Covid-19). O Itaú aumentou sua projeção de inflação para 2021 de 3,4% para 3,5%, mantendo o crescimento do PIB em 4%.

Mas a principal novidade, diante das pressões inflacionárias esperadas para o 1º trimestre (nos cálculos do Itaú o IPCA pode atingir taxa de 4,9% no acumulado de 12 meses em março) será a retirada do estado de “forward guidance” da estratégia da política monetária. A taxa Selic será mantida em 2% ao ano. O Itaú lembra que o Copom anunciou em dezembro, que as projeções e expectativas de inflação para 2022 já se situavam próximas à meta, o que poderia levar ao abandono deste instrumento na medida em que o horizonte relevante de política monetária migre para o referido ano.

“No Relatório de Inflação, também de dezembro, o BCB mostrou projeções que, em nossa visão, deixam certo espaço para surpresas inflacionárias altistas no 1º trimestre de 2021. A divulgação do IPCA de dezembro, bem como a permanência do câmbio em patamar historicamente depreciado (apesar da forte alta recente em preços de commodities) aumentam ainda mais tal espaço, a nosso ver. Tudo isso sugere que o Copom deve retirar o forward guidance de sua comunicação, de modo a aumentar a flexibilidade do comitê para ações futuras”, argumenta o Itaú.

O Banco ressalva, no entanto, “que a retirada de tal instrumento não resulta mecanicamente em elevação da taxa de juros no curto prazo, como já destacou diversas vezes o próprio comitê. O momento e o ritmo de elevação da taxa de juros dependerão da evolução da inflação, a nosso ver. No caso de novas surpresas no IPCA ou piora do balanço de riscos, a taxa Selic poderia subir mais cedo”.

Se houver uma contração da economia ou apreciação mais intensa da moeda já no primeiro trimestre do ano, ajudando assim o processo de desinflação, o início do ciclo de alta poderia ser postergado.

LCA vê economia do Brasil e do mundo fraca no 1º semestre

Melhor e mais sucinto resumo das perspectivas para economia para este ano de 2021 foi feito pela LCA Consultores Associados. Para a consultoria, o “desempenho econômico modesto, global e doméstico, marcará a primeira metade de 2021”.

Os sinais na economia americana, na Europa e no Japão (todos às voltas com o avanço do coronavírus, indicam recuo no crescimento, que pode afetar o Brasil. O mercado de trabalho enfraqueceu nos Estados Unidos em novembro e dezembro.

O dinamismo da China não será suficiente para reativar a economia em 2021. A Índia também vai demorar a reagir à queda de quase 9% no PIB de 2020.