Efeito Irã: ouro, Brent e dólar sobem
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A extensão do conflito entre Israel e Estados Unidos contra o Irã, que revidou com ataques a Israel, mas também aos Emirados Árabes Unidos, a Bahrein, e a refinarias e instalações petrolíferas do Catar e da Arábia Saudita, além de fechar a navegação no Estreito de Ormuz, fez disparar as cotações do Brent, do gás natural liquefeito, do ouro e do dólar. As seguradoras suspenderam a proteção a navios e aviões circulando no Oriente Médio. As ações das companhias de petróleo e de armamentos dispararam e trouxeram incertezas aos mercados.
O ouro chegou a ser negociado a quase US$ 5.500 na Nymex, mas recuou, por volta das 12h30 (horário de Brasília), quando era negociado a US$ 5.344, com alta de 1,84%. Já o Brent, depois de abrir próximo a US$ 82, caiu para US$ 78,60 o barril, depois do meio-dia. O destaque de alta do dia foi a disparada de quase 50% no preço do gás natural negociado na Europa. O continente europeu já está privado do gás natural russo desde a invasão da Ucrânia, em 2022, e viu o abastecimento de GNL do Catar comprometido com o ataque do Irã às suas instalações. O Catar responde por 20% do abastecimento mundial de GNL.
No Brasil, praticamente todas as ações operam em queda na B3, com exceção das petrolíferas. Mas há muita especulação. Ações de pequenas petrolíferas, como a Prio, Brava e Petrorecôncavo, chegaram a subir 5%, enquanto as ações da Petrobras subiam entre 3,50% e 4,40%, num evidente descompasso. Os custos de produção das concorrentes são maiores que os da Petrobras no pré-sal, que estavam em US$ 20,27 por barril no terceiro trimestre, já incluídos custos de extração, afretamento e participações especiais.
A estatal divulga nessa quinta-feira (5) à noite o resultado do quarto trimestre, com valor atualizado dos custos de produção. No relatório de produção do quarto trimestre, a China absorvia 32% das exportações de petróleo, a Europa, 13%, a América Latina, 8%, os Estados Unidos, 3%, a Índia, 12%, e os demais destinos da Ásia (sem China e Índia) respondiam por 10%. Com as dificuldades de produção e acesso ao óleo e gás do Oriente Médio, a produção da Petrobras vai ser valorizada.
Dúvidas quanto à Selic
A pesquisa Focus, divulgada hoje pelo Banco Central, com respostas até a última sexta-feira, ficou defasado com os ataques de sábado. A visão era de baixa da Selic até 12% em dezembro, mas o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, futuro substituto do ministro Fernando Haddad, na Fazenda, já advertiu hoje em palestra na, manhã, em São Paulo, que pressões inflacionárias podem abreviar a temporada de redução da Selic, hoje em 15%.
