Focus: Selic deve cair a 14,50% em março
A frustração com a manutenção da Selic em 15% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central no final deste mês (em 28 de janeiro) pode ser compensada com uma baixa maior que os 0,25 ponto percentual esperados para janeiro. De acordo com a Pesquisa Focus, divulgada hoje pelo Banco Central, o mercado financeiro está esperando baixa de 0,50 p.p. na reunião do Copom em 18 de março, quando a Selic cairia para 14,50%.
As projeções para a inflação estão bastante confortáveis neste começo de aço, na avaliação das mais de 140 instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa que responderam a pesquisa Focus até sexta-feira, 9 de janeiro, a projeção do IPCA de 2026 caiu de 4,10% para 4,05% (e 4,00% na mediana das respostas dos últimos cinco dias úteis). Dois fatores contribuem para isso: a alta estima de apenas 3,75% nos preços administrados, pela redução dos IGPs, sendo de 3,69% a previsão dos últimos cinco dias úteis; e o dólar contido em R$ 5,50 em dezembro (R$ 5,55 na mediana dos últimos cinco dias úteis).
Com a inflação dentro dos conformes, a Focus manteve a previsão de queda da Selic até 12,25% ao ano em dezembro (mediana de 143 respostas), mas a mediana dos últimos cinco dias úteis (52 respostas) indica queda ainda maior, para 12,00%.
Outro fator que anima o mercado a prever baixa mais acentuada da Selic em março é a expectativa da inflação do IPCA nos primeiros três meses deste ano, comparada ao mesmo período do ano passado. Pelas projeções da mediana da Focus, à exceção de janeiro, os índices mensais deste ano serão bem mais baixos, acumulando 1,235% no trimestre. Em 2025, com salto de 1,31% em fevereiro, por influência da Educação, a inflação do trimestre chegou a 2,040, uma diferença (para baixo) de 0,805 ponto percentual.
Bradesco projeta Selic em 12%
O Bradesco tem sido olha com muita atenção nas suas projeções de inflação e dos demais indicadores macroeconômicos pesquisados semanalmente na Focus, sobretudo a taxa Selic, porque o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton Davi, era diretor tesoureiro do Bradesco até dezembro de 2024, quando foi aprovado para a diretoria do BC e tem uma linha de pensamento coerente com a da Pesquisa Macroeconômica do Bradesco.
No ano passado, o Bradesco foi a primeira grande instituição a prever o IPCA no teto da meta (4,50% - o ano terminou em 4,26%). O Bradesco era tão otimista que previa uma queda da Selic para 14,75% em dezembro. Não veio.
Para 2026, o Bradesco está esperando IPCA de 3,8%, sendo que a maior parte do ano a taxa acumulada em 12 meses ficaria abaixo de 3,5% e isso permitirá a Selic fechar o ano em 12%. Isso significa um juro real (descontada a inflação) elevado durante todo o ano.
Pior é o cenário previsto pelo Itaú em dezembro (o de janeiro pode sair esta semana): 4,0% de IPCA e 12,75% de Selic, que começa o ano rendendo 1,16% ao mês (embora o Itaú esperasse queda para 12,75% em janeiro e a 12,25% em 18 de março) e encerraria o ano rendendo 1,00% ao mês.
Mas o Bradesco é mais pessimista que o mercado no crescimento do PIB: 1,5%, contra 1,80% na mediana da Focus e 1,87% na mediana dos últimos cinco dias úteis. O Itaú previa 1,7%.
Mesmo com COP-30 IPCA subiu 3,75% em Belém
Muito se falou da forte especulação com aluguéis de imóveis e tarifas hoteleiras, além da alimentação e do salto nas tarifas de taxi e aplicativos de transporte durante o forte afluxo de participantes da COP-30, em novembro, em Belém.
De fato, em novembro, alguns indicadores de inflação no IPCA estiveram bem acima da média nacional, mas, ao fechar o ano, a inflação da capital paraense ficou em 3,75% (abaixo dos 4,65% de 2024 e inferior aos 4,26% da variação nacional do IPCA.
Em 2025, devido ao calendário de reajustes de tarifas (sobretudo energia elétrica), seis das 16 capitais e regiões metropolitanas tiveram alta de preços acima do IPCA. Vitória foi a capital com maior inflação (4,99%), seguido por Porto Alegre (4,79%). São Paulo teve alta de 4,78%. Em Brasília, subiu 4,72%.
E dez tiveram alta de preços inferior. No Rio de Janeiro, a inflação foi de apenas 3,45%. A menor inflação do país (3,14%) foi em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, seguido pelos 3,24% de São Luíz (MA).