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Felipe Ribbe

Em 2025, as máquinas podem trabalhar mais do que os humanos

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O assunto “futuro do trabalho” é sem dúvida um dos mais quentes do momento. Todos os dias surgem notícias sobre algoritmos de inteligência artificial superando humanos em atividades variadas. Eu mesmo escrevi sobre isso em uma coluna de agosto, porém volto ao tema hoje, pois, semana passada, o Fórum Econômico Mundial divulgou novo relatório com dados interessantes, atualizando estudo feito pela mesma organização em 2016. Nas 147 páginas, o FEM mostra as tendências para o mercado de trabalho, especialmente no período de 2018 a 2022, em 20 países (entre eles o Brasil, sobre o qual falo mais abaixo) e 12 setores.
Um dos tópicos mais polêmicos é eliminação/criação de empregos. E o relatório tem boas notícias sobre isso: o número de vagas extintas (75 milhões) será bem menor do que o de criadas (133 milhões) nos próximos quatro anos. Porém, essas vagas demandarão habilidades mais específicas, por estarem diretamente relacionadas ao uso de tecnologia. Por isso, profissões como cientista de dados, desenvolvedor de software e especialista em aprendizado de máquinas, por exemplo, estão em viés de alta. Já as ocupações cujas atividades são mais repetitivas e burocráticas estão em baixa, como trabalhadores de chão de fábrica, contadores e especialistas em folha de pagamento.
Essa demanda por habilidades tecnológicas vai obrigar as pessoas a buscar treinamentos para ampliar seus conhecimentos, não só aquelas cujas profissões estão em risco, como em muitas outras. A consultoria McKinsey já havia previsto que em 60% dos empregos existentes no mundo atualmente, cerca de um terço das atividades tem potencial para ser automatizadas, o que aumentará a interação entre humanos e máquinas. Indo nessa linha, o estudo do FEM afirma que 54% de todos os trabalhadores vão precisar passar por treinamentos, sendo 35% de pelo menos seis meses; 9% entre seis meses e um ano; e 10% de mais de um ano. E não apenas em habilidades tecnológicas, mas também humanas, como criatividade, inteligência emocional e liderança.
No entanto, talvez o dado que mais tenha chamado atenção em todo o relatório seja a divisão de horas de trabalho exercidas por homens e máquinas. Atualmente, os humanos são responsáveis por 71% das horas de atividades no ambiente de trabalho, contra 29% das máquinas. Em 2022, o FEM estima que essa divisão será 58% x 42%. E, em 2025, a organização afirma que haverá uma inversão, com as máquinas, pela primeira vez, trabalhando mais do que os humanos: 52% x 48%. Você pode achar essa previsão exagerada, mas lembre-se que os smartphones tornaram-se mainstream apenas em 2007, com o lançamento do iPhone. Hoje, pouco mais de 10 anos depois, quase ninguém consegue se imaginar vivendo sem um. Então não é difícil pensar em um cenário como esse nos próximos sete anos.
Como citei anteriormente, o relatório do FEM dedica algumas páginas para analisar especificamente cada um dos 20 países que compuseram o estudo. Alguns dados interessantes sobre o Brasil: 92% das empresas pesquisadas pretendem adotar, nos próximos quatro anos, soluções de análise de grande quantidade de dados (Big Data); 79% aprendizado de máquina e internet das coisas; e 70% realidades aumentada e virtual. Entre as profissões em alta por aqui, destacam-se cientistas de dados, profissionais de vendas e marketing, especialistas em recursos humanos e analistas e consultores financeiros e de investimentos. Já entre as habilidades importantes encontram-se pensamento crítico, solução de problemas, criatividade, originalidade, iniciativa, resiliência e flexibilidade.
Porém, com tantas e rápidas mudanças acontecendo, a principal habilidade que uma pessoa pode ter, seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, é a capacidade de estar em constante aprendizado. Estar sempre renovando e ampliando conhecimentos será cada vez mais fundamental para manter-se atualizado e relevante no mercado de trabalho.



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