A volta da moda

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Desfile Chanel

Nesta semana voltamos a acreditar na moda. Três apresentações provaram que é possível desenvolver um trabalho original, criativo e que dá vontade de vestir. Sim, porque afinal trata-se de roupa, um pedaço de pano ou outro material com história de profissionais inventando, trabalhando, apresentando, e deve ter um objetivo: agradar ao ponto de ser comprado e vestido.

Estes foram os desfiles que reduziram as dúvidas sobre o fim do luxo, da falência de marcas e dos conceitos pessimistas do consumo.

 

 

Chanel: Matthieu Blazy, diretor de criação da Maison de mais prestígio do mundo civilizado, acertou mais uma vez na coleção que destaca o trabalho dos artesãos de tecidos, bordados, plumas, sapatos, bolsas e até botões.

 

 

 

A coleção Métiers d'Art foi vista em um museu, a filial do Pompidou de Paris. Em um país que anda ditando cultura, a Coréia do Sul. Basta ver os figurinos dos k-dramas para confirmar o uso dos tailleurs nos figurinos das personagens importantes. Blazy conseguiu fazer do trabalho caro dos artesãos especializados uma moda fácil de entender e usar. Jeans, animal print, parkas, tudo quase fast fashion. Só que…por exemplo, a camiseta com logo de Superman é toda de tricô feito à mão, inclusive o logo!

 

 

Dior: ufa, enfim, Jonathan Anderson acertou! Apresentou um conceito ligado ao cinema na coleção Cruise, também em um museu, o LACMA, ou Los Angeles County Museum of Art. Mais uma vez, um trabalho que enfatizou a importância dos detalhes, as fotos mostram mãos costurando, além de visões da passarela, destacando os vestidos com papoulas aplicadas na barra. E Anderson se baseou na importância que Hollywood dava ao próprio Christian Dior, que chegou a ser indicado ao Oscar pelo figurino do filme "Quando uma mulher erra", em 1953, dirigido por Vittorio de Sica, com Jennifer Jones e Montgomery Clift no elenco.

 


E o terceiro desfile? Da Mondepars, assinado por Sasha Meneghel, em São Paulo. Sabem quando dá vontade de ter uma veste de alfaiataria com um panejamento enviesado de um lado? Quando um terno masculino todo em vermelho parece viável até para quem não é celebridade? Uma coleção quase sóbria, inspirada pelo talento de costura da avó, D. Alda. Uma apresentação séria, que poderia estar em qualquer semana de moda internacional. Só cito a presença da mãe da diretora de criação, porque é a Xuxa, a linda, educada e competente modelo dos meus tempos de produção. Sasha herdou estas qualidades da mãe e o senso de moda da tia, Solange Meneghel, a criadora de moda infantil, que ninguém mais ousou propor com tanta ousadia e graça.


 

Estes três profissionais chamaram a atenção justamente para o objetivo da roupa ser vestida. Para a escolha de locais ligados à Arte. E para a importância de, nestes tempos tecnológicos, aquela mão que pega na agulha, faz o sapato na fôrma, prende cada pluma no tecido delicado. Isto é a nova moda.