Poesia Concreta ao longe
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Deve ser vício. Ou obsessão. Por que alguém que está em uma arquibancada esperando o atraso de um desfile abre o celular para acompanhar pelo Instagram um outro desfile, a léguas dali? Isto acontece muitas vezes. Aproveitar as horas de espera para adiantar um texto, é normal. O problema é: isto é feito à meia luz da sala, enquanto passam centenas de convidados, pedindo licença para a escriba lutando com a instabilidade do celular.
E assim, enquanto esperava pela Salinas no Pier Mauá, assisti no Instagram à live do desfile da Bianca Gibbon na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca.
Foi uma apresentação para as clientes fiéis, com uma pop store pronta para atender às escolhas. A coleção Poesia Concreta, com apresentação assinada por Heloisa Marra, se dedica à mulher que, antes de vestir o corpo, veste a mente. Ela ama o silêncio de um livro aberto, o ritual de um bom vinho, moldando em corselet e calçando momentos exclusivos. Estas definições se traduzem em looks de renda, risca-de-giz, nas listras em preto, vermelho e lurex, nas clássicas camisas de tricoline. O ar de inverno fica por conta dos grandes suéteres completados por formas balonês. E pelas tramas do tricô. Segundo Bianca, “esta coleção nasce do encontro da sensibilidade com a estrutura, do sonho com a realidade, da alfaiataria com a seda”.
Ainda deu para admirar os longos do final. E o olhar voltou para o Pier, porque a Salinas estava começando com acordeon e cantora. O celular foi guardado e o caderno de anotações tomou posse