A moda no Rio Fashion Week

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A transformação do couro em Alta Moda, com inspiração nos calçadões, por Patricia Vieira

Daniela Maia tentava organizar uma semana de moda no Rio desde 2021. Reuniões no ano passado com a MM, empresa responsável pela São Paulo Fashion Week e outros eventos, resolveram o caso.

Assim nasceu a Rio Fashion Week depois de 10 anos sem manifestações de moda na cidade que influencia tendências no mundo inteiro.

Foram desfiles, palestras, talks, um salão de showrooms. E uma multidão animada incluindo convidados e compradores de ingressos curtindo os espaços de patrocinadores e balcões de comidas. Para a moda, propriamente dita, os armazéns do Pier Mauá se dividiram em duas salas, para a apresentação das coleções, mais os externos, como a Misci na Sapucaí, a Lenny no Museu do Amanhã e a maravilha da Osklen no Palácio da Cidade. Aí começaram os percalços: a distância entre as salas, a sala de imprensa e os diversos espaços de apoios e patrocínios obrigavam a longas caminhadas pelo cais para acompanhar as atividades propostas. E os atrasos dos desfiles, algumas vezes provocados pelo cruzamento de modelos que participavam de shows seguidos. Na passagem das coleções, a marcação da sala fazia com que o elenco desse meia-volta no meio do caminho. Boa parte da plateia deixou de ver as roupas.

O que vestir

Nas coleções, o destaque vai para dois focos: o artesanal requintado e as grandes proporções. A moda masculina surpreendeu com mais cortes nas tradições. O melhor exemplo foi a Handred, marca carioca de André Namitala, que mostrou calças largas e curtas, paletós e casacos sobrepostos, quase tudo em tons de marrom. Lucas Leão transformou o terno tradicional em looks mais fluídos em proporções sem exageros. Um belo trabalho.

 


Na moda praia, Helô Pinheiro abriu a história renovada da Blue Man, com direito à volta do maiô engana-mamãe e ao fio-dental. Mais a participação de figuras da praia, como o vendedor de mate e a moça do camarão. E o novo luxo incorporado na Salinas, agora assinada por Adriana de Bozon, com muitos detalhes de pássaros em recortes, estampas e brincos.

 


Algumas estreias no Rio agradaram pelas propostas, como a Aluf, a Hisha, impressionante pela beleza dos bordados. E mais uma vez, Patrícia Vieira mostrou que faz mágica com couro. A Adidas ampliou o alcance, saindo da academia e dos treinos e sugerindo agasalhos mais coloridos e sofisticados. Karoline Vitto trouxe o conceito da roupa para quem veste além do manequim 46, com recortes e aberturas unidas por elos prateados.

 


 

Isabela Capeto e a filha, Chica, deram o costumeiro show do artesanal com as misturas de tecidos e bordados - impossível não cobiçar uma das saias duplas ou as jaquetas bordadas. As duas deram o golpe inteligente no final: como fez Matthieu Blazy na Chanel, produziram saiões de babados e ráfia. Isto é sabedoria de passarela.

 


Um momento tão divertido quanto o da Blue Man foi a apresentação da Dendezeiro, na base de um elenco irreverente, música contagiante e boas ideias em couro.

 


O belo Museu do Amanhã foi o cenário para a celebração dos 35 anos da grife Lenny Niemeyer. Com o mesmo impacto dos desfiles originais, vimos passar peças do precioso acervo de três décadas de moda praia de alta classe. Um final digno de uma semana de evento no Rio de Janeiro.

Um lembrete final: Daniela Maia é filha de Mariangeles Maia, que foi casada com o ex-prefeito Cesar Maia. A mãe também se empenhava em valorizar a moda carioca, e chegou a ceder o Palácio da Cidade para uma bela semana de desfiles.

Ah: se ouvir de novo a abertura da ópera O Guarani, saio correndo.